Infertilidade secundária: o sofrimento que não pode aparecer

pregnant-690735_640-205x300Olá, seguidores! Tudo bem?

Depois de um longo tempo sem postar nada por aqui, eis que retomo o blog novamente! A verdade é que tenho a intenção de publicar algo sempre novo neste espaço, mas, confesso que a rotina de trabalho tem me distanciado um pouco daqui… tentarei mudar isso esse ano!

Mas, vamos ao que interessa! Para retomar o blog, escolhi postar algo que é pouquíssimo comentado quando o assunto é infertilidade, porém, nem por isso, sua vivência é menos dolorida ou angustiante. O assunto hoje é sofre infertilidade secundária, ou seja, sobre a mulher que já têm filho e que vivencia a dificuldade de engravidar novamente.

Noto que esse tipo de dor é quase que desconsiderada pela sociedade, até mesmo, pelos casais inférteis, pois, uma frase que escuto muitas vezes nos grupos de atendimento que realizo é: “mas, vc já têm filho, e eu que não tenho nenhum!”. Como se o casal que vive a infertilidade secundária, não tivesse o direito de sofrer, como se não houvesse um vazio que pertence a esse desejo de ter mais um filho e não estar acontecendo dessa vez.

Compartilho com vcs a experiência de uma mulher que foi atrás de seu sonho, a mãe da Clara e da Marina! Embora o relato seja um pouco extenso, recomendo que o leiam e que possam reconhecer e acolher esse tipo de dor presente em nosso meio. Boa leitura!

Luciana Leis

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A LONGA ESPERA POR MARINA
Infertilidade secundária, porque não falamos sobre isso? Sabia que depois de ter o primeiro filho fácil e naturalmente, pode ser que vocês se tornem um casal infértil na tentativa do segundo filho? Isso é real e a dor e a frustração não são menores porque já temos um filho.

Infertilidade por si só ainda é um assunto tabu. Pouco se fala sobre, mas já vemos bastantes relatos de famosas e blogs de mães que abordam o tema, mas quando a pergunta é ‘Quando vem o segundinho?’, ninguém se dá conta, ou se quer considera que você já esteja tentando há anos… Sem sucesso…

Temos a Clara que nasceu em 2011. Em janeiro de 2014 liberamos para tentar o segundo filho… Passou 1 ano (2014) e nada!! Fomos encaminhados para uma medica especialista por minha obstetra… 1 ano de tratamento de baixa complexidade (2015), TODOS os exames possíveis e imagináveis, nenhum diagnóstico… Foram meses de coito programado com estimulo hormonal e uma inseminação. Tudo sem nenhum indício de sucesso. Eram NEGATIVOS atrás de NEGATIVOS e uma frustração que só crescia e a pergunta era sempre a mesma: Porque? Porque? Engravidamos da Clara com 9 meses de tentativa… Eu tinha apenas 32 anos! Todos os exames OK (meu e do marido) e NADA!

Ano novo de 2016 decidi que desistiríamos… Não aguentava mais emocionalmente… Em março, conversando com uma colega de trabalho ela me falou da Dra Ana. Médica obstetra, especialista em infertilidade com abordagem humanizada. Me parecia perfeito e tudo que precisávamos…. E no dia 01 de abril de 2016 o diagnostico: infertilidade secundária sem causa aparente. Isso não significava que não havia motivos médicos para não engravidar, apenas que a medicina reprodutiva ainda não consegue diagnosticar… Estávamos um casal infértil!!

O TRATAMENTO DE FIV
Exausta emocionalmente, Dra Ana sugeriu a FIV. E meu pensamento foi: ‘não quero chegar a 45 anos e me arrepender de não ter tentado de TUDO’… Então no auge dos meus 34 anos partimos para a aspiração dos óvulos. Nada fácil… físico e emocionalmente… Colhemos 15 óvulos… e quase todas as consequências de um hiper estimulo, mas nada que 3 dias de repouso e fortes analgésicos não resolvessem… dos 15, 10 viraram embrião! Congelamos e no mês seguinte (junho 2016) transferimos 2 embriões em blastocistos. Lindos, perfeitos! Endométrio ideal! Parecia que não tinha nada para dar errado e saímos da transferência com a sensação de ‘tecnicamente grávidos’ (até usei essa expressão com meu marido ), mas não foi dessa vez… Antes mesmo de qualquer exame de farmácia, menstruei e fiz o Beta só para confirmar mais um NEGATIVO!

Eu chorei como se não houvesse amanhã! Como lidar com tanta frustração, minha, do marido e da Clara que já pedia uma irmã há anos?? No dia seguinte ao negativo, fomos adotar um cachorrinho… A Clara já pedia há tempos e meu marido sempre teve pets. Cedi! Achei que seria bom para nossa família… e então em 02 de julho de 2016 chegou a Mel. Uma vira lata carente e doce para fazer parte dessa família!

E mais uma vez decidi dar ‘um tempo’… Tínhamos 6 embriões congelados e recebi a proposta de ser transferida para outra cidade em Dez/2016… Ou seja, esse ‘tempo’ acabou sendo curto porque em Nov/2016 já estava eu novamente fazendo estímulos hormonais, controle de endométrio, exames mil para nova transferência antes de mudar de cidade. Mas nem sequer rolou a transferência… Sabe Deus porque, meu endométrio não respondeu aos hormônios e não estava pronto para receber mais embriões…

Mudamos, nos adaptamos a nova vida e em maio de 2017 decidi que não pagaria mais uma anuidade para manter os embriões congelados. Era hora de nova transferência.
Tudo de novo, estímulos hormonais, controle de endométrio, exames mil e sim, tudo perfeito para nova transferência. E no dia dos namorados de 2017 estávamos nós novamente ‘tecnicamente grávidos’. Parecia ser nossa última chance (pelo menos seria o encerramento de mais um ciclo)… dos 6 embriões apenas 3 sobreviveram ao descongelamento, transferimos 2 – o permitido por lei para minha idade na época (35 anos) – e o terceiro não tinha qualidade suficiente e não sobreviveria a um novo congelamento… Naquele momento tinha certeza de que tinha feito TODO o possível para engravidar e pelo menos naquele dia não tinha intenção de fazer nova aspiração… (neste processo mudamos de opinião e tomamos novas decisões a cada dia).

E exatamente 1 ano depois da transferência que não deu certo, em julho de 2017, eu estava GRÁVIDA! Chorei de emoção com meu marido e meus pais, mas por recomendação médica só contaríamos para a Clara depois das 12 semanas. E assim fizemos!! 12 longas semanas, muito enjoo, vomito, sono, prisão de ventre (afinal 3 comprimidos de progesterona por dia para qualquer intestino), um sangramento com 6 semanas, algumas noites em claro, medo, muito medo, mas chegamos as 12 semanas! Com saúde e muito amor! A reação da Clara foi a melhor possível! Mandei fazer uma camiseta para ela e um body para o bebe com a frase ‘melhor irmã do mundo’. Ela no auge dos seus quase 6 anos leu com um pouco de dificuldade e me olhou com um ar de ‘ É mesmo verdade??’ e eu chorava e balançava a cabeça que SIM, nosso sonho estava se realizando…

A descoberta do sexo do bebe foi no ultrassom de 16 semanas… Incrível como no segundo filho temos menos ansiedades… Da Clara paguei pela sexagem com 8 semanas e agora nem cogitei fazer… Depois de tanta espera o que seria mais algumas semanas para saber se seria menino ou menina? Fui para o ultrassom e no caminho liguei para a Clara que dizia que queria uma menina, a Nina. Apelido definido desde que começamos a tentar engravidar. Nessa ligação ela me diz: ‘mamãe vamos rezar para ser uma menina?’ e eu morrendo de medo de ser menino, disse: ‘Mas menino também é legal, não?’… E ela: ‘Sim, mas eles são muito bagunceiros’. Como boa virginiana que é, queria uma irmã para não bagunçar demais a vidinha dela… E SIM, era a NINA. Nossa Marina estava a caminho para a felicidade geral da Clara!

A GRAVIDEZ
A gravidez foi saudável com todos os sintomas normais, mas chatinhos! Enjoei mais que na gravidez da Clara, mais especificamente até 28 semanas e na sequencia com 30 comecei com azia… Ou seja, comi pouco e engordei só 9kg (na gravidez anterior foram 14kg) a hemorroida judiou desde 30 semanas…

Tinha dia que eu chorava com vontade de reclamar, mas não podia! Desejei tanto aquela barriga que não me sentia no direito de reclamar… Fiz atividade física até o final, pilates e natação, e exibia a barriga feliz da vida. Trabalhei até 38 semanas e saí de férias, afinal a Clara tinha nascido de parto normal com 38 semanas e todos diziam (inclusive os médicos) que na segunda gestação as coisas acontecem antes e mais rápido. Decidi que teria nossa Marina com a Dra Ana, pois todo o processo com ela tinha sido realmente super humanizado e especial e queria fechar o ciclo com ela mesmo que isso implicasse em viajar para passar em consultas e ficar o final da gravidez em outra cidade, longe de casa. E assim foi… fui para SP com 37 semanas e Clara e o pai ficaram em Sorocaba. Eles iam e vinham todo final de semana… E assim foi com 37, 38, 39 e 40… Sim, chegamos as 40 semanas. A ansiedade ia crescendo…

Eu caminhava, nadava, fazia agachamento, exercício na bola de pilates e NADA. 40 semanas, 2cm de dilatação, contração de treinamento a todo vapor, mas nada de trabalho de parto. Exames para monitoramento do bebe a cada 2 dias e na consulta com 40 semanas (uma sexta) decidimos que se naquele final de semana nada acontecesse na segunda cedo internaríamos para a indução com 40 semanas e 3 dias.

O PARTO
E assim Marina quis… Sábado à noite 3h de contrações ritmadas, mas que não engrenaram e segunda, dia 05 de março de 2018 (1 dia após a DPP) estávamos a caminho do hospital para internar e induzir. Confesso que a indução me assustava um pouco, mas Dra Ana explicou que com um parto normal prévio, 2cm de dilatação e mais de 40 semanas, tinha tudo para dar certo. Eu estava otimista!

Um dia e uma noite de indução, 3 comprimidos para a indução e no dia 06 de março as 8h30 as contrações engrenaram… Toque, 3 dedos de dilatação e trabalho de parto começando. Café da manhã leve, banho, lanchinhos para o trabalho de parto e descemos para a sala de parto normal com a Gislaine, nossa enfermeira obstetriz, doula e humana, muito humana. A partir daí tudo correu como o sonhado por mim por mais de 3 anos inteiros… Dilatação caminhando bem… Gis, maridão, Fe (amiga e dinda da Nina), minha mãe juntos comigo no processo de receber a Marina com todo o amor que tínhamos guardado para ela. Bola, massagem nas costas a cada contração, musica bacana ao fundo, papo descontraído entre contrações, água de coco, batata doce, balinhas e chocolate para manter a energia e com 6cm fomos para a banheira. A dor começava a ficar importante, mas eu sabia que era parte do processo… Estava tranquila… Quase 1h na banheira, Dra Ana chegou e quase 8cm de dilatação veio a analgesia… A dor já estava intensa e eu mal conseguia assimilar o que acontecia a minha volta…

Com analgesia tudo ficou melhor, mas uma fibra muscular do lado direito da minha barriga não se importou com os anestésicos e teimava em doer muito a cada contração. Algum tempo depois (aqui já não tinha mais muita noção das coisas), toque, dilatação total…. Uhuuuuuu!!!! Pensei: agora vai!!! Com a Clara foram 3 forças e ela estava em nossos braços. Tudo certo para ser igual… sqn ☹.

Marina se posicionou super mal (de moleira e barriga para cima) o que dificultaria o expulsivo e segundo a equipo podia levar até 4h. Tentamos por 2h… Posições, agachamentos, bola, massagem, banquinho, tração, tudo… Até que eu não aguentava mais. Exausta pedi para tirarem ela! Frustrada, mas sabendo que tinha feito TUDO que eu podia, pedi pela cesária. E lá fomos nós, CORRENDO literalmente, para o centro cirúrgico conhecer nossa segundinha TÃO esperada. A cesária não foi fácil, ela estava bem descida devido aos 10cm de dilatação e a pressão foi enorme. Eu super agitada, e preocupada, falava sem parar… E em poucos minutos Marina, nossa Nina, estava conosco, saudável, ENORME com 3.890g e 53,5cm, e logo foi para o colo do papai e para a janelinha conhecer a irmã mais feliz e orgulhosa desse mundo.

Na recuperação ela ficou comigo e mamou lindinha 😊.

O PÓS PARTO
O pós parto foi duro, muito cansada do trabalho de parto e com bastante dor da cesária de emergência. Fiquei o dia seguinte fora do ar… só sabia dormir, tentar comer e amamentar…

Na maternidade pedi para não receber visitas. Eu me sentia grogue devido aos remédios para dor e bastante cansada e enjoada. Minha mãe dormiu comigo e o Wil foi com a Clara para casa (nessas horas queremos um colinho de mãe, né?). Mesmo com um pós parto complicado, amamentei a Marina com bastante frequência… No segundo dia, ela precisou de banho de luz e com isso a demanda por mamar aumentou muito. Eu praticamente não saia do berçário… (o que me explicaram é que o banho de luz dá bastante sede).

No final do segundo dia, glicemia de 37 ☹. Sinal que o colostro não estava sendo suficiente para o bebezão que pari e que o banho de luz estava exigindo demais do seu corpinho. Conversamos com o neonatologista que recomendou complementar… Liguei para a pediatra da Clara (que confio 100%) que me garantiu: 37 de glicemia… precisa, sim, de complemento. Pedimos que fosse leite com proteína hidrolisada pelo histórico da irmã que fez APLV nos primeiros 6 meses de vida. Tomou 2 doses e no terceiro dia, na alta meu leite já estava descendo e para minha surpresa, a descida foi bem menos traumática do que na primeira gestação. Sem febres ou calafrios… Só um peitão cheio e duro!!
Fomos para a casa da minha mãe em SP que nos deu todo o apoio… Nos dias logo após o parto lembro que tive uma mega dor de cabeça que me fez ligar para a Dra. Ana… E a primeira ida ao banheiro em casa foi cruel… de madrugada com a maior vontade, mas não conseguia concentrar a força na barriga.

Era muito bizarro… Parecia que eu não tinha musculo abdominal… Não senti isso pós parto normal da Clara. Chorei, pedi pela minha mãe que me deu a mão, ficou do meu lado repetindo que eu era capaz. Engraçado porque eu dizia ‘Não consigo… não consigo’ como fiz no final do trabalho de parto e como minha mãe estava comigo nos dois momentos ela ficou me incentivando como se eu fosse parir… hahahaha.

De qualquer modo esses primeiros dias com o bebe em casa foram mais fáceis do que com a Clara. A parte mais difícil foi o pós cirúrgico, mesmo, mas com 17 dias de vida voltamos para casa em Sorocaba para iniciar nossa vidinha com duas princesas.
PUERPÉRIO PÓS INFERTILIDADE
Uma das coisas mais loucas são os 60 dias pós parto. Li o livro ’60 dias de Neblina’ que é perfeito em descrever o que sentimos nessa fase. Esse puerpério depois de uma longa espera e 4 anos gestando e desejando essa gravidez e esse bebe, é um tanto mais interessante e cheio de culpas que o puerpério de uma gravidez natural.

Falamos pouco sobre infertilidade, menos ainda sobre infertilidade secundária e NADA sobre puerpério pós FIV. Mesmo depois de tanta espera e desejo as dificuldades estão lá… O peito dói, racha, sangra, vem mastite, ducto entupido, noites mal dormidas, a mais velha que demanda e sente ciúmes, a casa que precisa de você, o marido que te ajuda, mas mesmo assim você se sente sobrecarregada… Está tudo lá!! Tudo de bom e de ruim dessa fase… e esperar muito mais que 9 meses pela chegada do bebe não alivia em nada. Mas a culpa, ahhhh a culpa… Essa é avassaladora!! Você pensa TODOS os minutos que você não pode e até não tem o direito de reclamar ou se sentir exausta… Afinal você desejou e perseguiu esse momento por LONGOS 4 anos… Mas a inversão hormonal e as demandas infinitas de um bebe de uma criança de 6 anos estão lá… firmes e fortes! E nós, mães, vamos clamar por noites bem dormidas, a chance de parar para ler uma página de um livro, ou uma simples refeição sem um choro ou uma criança no seu colo… E te digo: é normal!! Afinal a maternidade é uma eterna e constante contradição.

Queria dizer para você que está no puerpério depois de um longo investimento de tempo, dinheiro (ahhh MUITO dinheiro), saúde, emoções e amor na busca por esse bebe que está TUDO BEM em se sentir esgotada, chorar e querer sumir. Mas PASSA! Como passa para todas, vai passar… E uma coisa realmente boa do segundo filho é a CERTEZA de que, sim, vai passar e sim você sentirá saudades.

O que eu posso concluir é que precisamos nos permitir… não racionalizar muito… não buscar explicações e simplesmente VIVER as dores e as delicias da maternidade REAL, cheia de dúvidas, acertos e erros. Hoje, 10 meses depois que a Marina nasceu, tenho certeza, mais que absoluta, de que TUDO valeu a pena. E para você que quer ser mãe… libere! Não espere mais uma viagem, mais uma promoção… Pode ser que demore… ou não! Se vier rápido, aproveite! Se demorar, não se cobre, busque ajuda, mantenha o foco e dedique-se até o seu limite físico e emocional. Não busque os ‘porques’ foque nas soluções e seja feliz com o sucesso ou não do seu tratamento.

BOA SORTE a todas nós!

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Ansiedade faz demorar para engravidar?

Olá, pessoal!

Quero dividir com vcs uma entrevista que concedi ao site da UOL e que foi publicado esse mês sobre o tema tão controverso: Afinal, a ansiedade atrapalha ou não na conquista da gravidez?

Nesta entrevista, divulgo também os dados de uma pesquisa que realizei sobre o tema e que foi apresentada nos Congressos da Sociedade Americana e na Européia de Reprodução Humana (ASRM e ESHRE).

Espero que gostem!

Luciana Leis

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Nathália e a filha Valencia

O sonho da advogada Nathália Bastos era ser mãe. Quando se casou, aos 21 anos, logo ela e o marido colocaram em prática os planos para fazer a gravidez acontecer. Mas algo estava errado. E após seis meses de tentativas sem sucesso…
Em geral, médicos afirmam que uma investigação só deve começar após um ano, mas algo dizia à Nathália que ela não poderia perder tempo. Mesmo com algumas negativas por conta dessa recomendação, descobriu que não ovulava e, em um desses controles de contagem de óvulos, uma endometriose profunda apareceu.
“Era assintomática [a endometriose] e, por isso descobri, por acaso”, contou em entrevista à Universa.
Ela passou por uma cirurgia para tratar a doença, entre outros diversos tratamentos para outros problemas que descobriu no caminho, e então começou as fertilizações. Foram oito FIVs (Fertilização in Vitro), sete anos tentando e um aborto na sexta tentativa antes de finalmente conseguir.
“Nesse período tive o acompanhamento de psicólogos e esse apoio ajuda muito. A gravidez passa a ser seu projeto de vida e o calendário fica marcado apenas para os exames. É importante saber que existe vida fora dessas datas”, fala Nathalia, que reconhece no marido o ponto de apoio, tanto para seguir em frente como na compreensão de entender seus limites.
Mas não era só o companheiro que precisava ter empatia. O processo é desgastante e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor, segundo ela, algo cruel.
“É uma carga muito grande escutar ‘desencana que a gravidez vem’. Ouvi muito que era ‘coisa da minha cabeça’ e magoa demais. Já não basta todos os obstáculos e ainda vem essa culpa. As pessoas acham que estão ajudando, mas não.”
Hoje, com a filha de dois anos e três meses nos braços, Nathalia tenta ajudar outras mulheres. Desde abril de 2017, começou a escrever o blog “N Tentativas”, que também tem conta no Instagram. Um espaço para mulheres compartilharem suas experiências.
“Recebo muitas mensagens. Todas se sentem muito sozinhas e com medo de se abrir, com medo do julgamento. De tanto apontarem as questões psicológicas como solução, acham que estão ficando doidas, afinal, só pensam mesmo naquilo”, explica a advogada.
E continua: “Esse tipo de peso mexe muito com a questão feminina. Por que eu não mereço, por que não consigo gerar?”
Nunca é psicológico, dizem especialistas
Milhares de mulheres têm histórias como (ou parecidas) a de Nathália e vivem meses, anos de persistência para concretizar o sonho da maternidade. O número de casais que enfrentam a infertilidade chega a 20%, segundo Luciana Leis, psicóloga e pesquisadora no Projeto Alfa (Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida).
Luciana atende com mulheres e seus parceiros com problemas de infertilidade e os acompanha no processo da fertilização há 17 anos, e afirma que o famoso “desencana que engravida” é algo cultural, que ronda os casais socialmente e responsabiliza a mulher.
“Engravidar parece algo muito fácil. As pessoas passam a vida evitando e, de repente, querem aquilo na hora. O casal se sente um peixe fora d’água, tem a autoestima rebaixada pela pressão e a própria autocobrança.”
A ansiedade é um problema?
Para saber o impacto da ansiedade e do estresse no sucesso (ou não) de uma tentativa de gestação, Luciana fez uma pesquisa com 83 mulheres em tratamento para a FIV.
“Usamos como instrumentos testes psicológicos (inventários de estresse e ansiedade), medidas do cortisol salivar, pressão arterial e frequência cardíaca das pacientes no início do processo e quando faziam a transferência embrionária. O resultado foi que mulheres menos estressadas ou ansiosas não tiveram mais sucesso do que as outras”, explica.
A psicóloga diz que o estudo permitiu colaborar para que elas se sentissem menos culpadas diante de sentimentos tão comuns em meio a esses tipos de procedimento. Segundo ela, outros estudos no mesmo caminho são contraditórios.
“Não existe mulher que não se sinta assim quando passa por isso. É importante se autorizar, em primeiro lugar, a sentir ansiedade, estresse. Faz parte. Se isso começar a atrapalhar a rotina de sono, a vida pessoal, necessitará atenção maior – mas isso para todas as pessoas, mesmo as que não estão tentando engravidar”, pontua. E para esses casos, Luciana fala sobre cada uma encontrar formas de se equilibrar, seja na ioga, algo em grupo para relaxar e estar saudável.
A doutora em medicina reprodutiva pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Marise Samama, da Clínica GERA, em São Paulo, recomenda, quando sente a paciente ansiosa, que procure acupuntura, por exemplo. Também são importantes soluções físicas, como se alimentar melhor, fazer atividade física e abrir, sempre, para o médico, os remédios que fazem parte da rotina – esses, sim, podem atrapalhar.
“Hoje eu, particularmente, não deixo uma paciente sem diagnóstico físico ou com a reposta de ‘infertilidade sem causa aparente´. Se está em tratamento e mesmo assim não consegue é porque a investigação não foi suficiente”, afirma.
Tem conhecidas tentando engravidar? E fica a dica: assim como cobrar, evitar o assunto ou esconder de outra mulher que você está grávida também não é o caminho.  Trate com naturalidade. “Se a paciente quiser, vai falar sobre o assunto com quem está em volta. Perguntar toda hora, fazer piadas do tipo ‘não sabem fazer direito´ para o casal e deixar de contar uma gravidez na família, por exemplo, machuca muito. A omissão faz com que a pessoa se sinta mal o imaginar que os outros a veem como frustrada ou que vai sentir inveja”, alerta a psicóloga.
Como saber que é a hora certa?
As duas especialistas são categóricas ao dizer que mesmo com todas as conquistas femininas, a responsabilidade de fazer a maternidade acontecer ainda recai sobre as mulheres. E o desejo por esse momento é particular: pode vir mais cedo, mais tarde ou simplesmente não acontecer.
Para as que deixam para “depois”, o congelamento dos óvulos é uma alternativa, até os 35 anos. “A pressão é toda dela, pois o estoque de óvulos diminui ao logo dos anos e nós, ginecologistas, temos que chamar atenção para essa informação, conversar a respeito”, fala Marise. E Luciana conclui: “O desejo de ter filhos não está ligado à questão biológica. Cada um tem seu tempo. A sociedade precisa parar de cobrar uma resposta linear das mulheres.”
Fonte: https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2018/10/02/desencana-que-engravida-por-que-nao-devemos-responsabilizar-a-mulher.htm

Curso: Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade

Olá, seguidores!

O post de hoje é para os colegas psis e profissionais da área da saúde.

Dia 27/10/18, sábado, ministrarei no Instituto Gerar, a convite da psicanalista Vera Iaconelli, o curso: Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade.

O conteúdo está bem bacana! Aguardo vcs!

Luciana Leis

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Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade

Objetivo: Abordar os aspectos emocionais envolvidos na infertilidade e seus tratamentos, promover reflexões e discussões a respeito da parentalidade atravessada pela vivência da dificuldade de gravidez, gametas doados, útero de substituição, casais homoafetivos e reprodução independente.

Curso ministrado por Luciana Leis
Público Alvo: Psicólogos, psicanalistas, médicos, enfermeiros, biólogos e biomédicos
Data: Sábado, dia 27 de Outubro de 2018
Duração: das 08:00 as 17:30 horas (intervalo de almoço das 12:00 as 13:30 horas)
Custos e forma de pagamento: Custo Total: R$340,00.
Forma de pagamento:
R$170,00 no ato da inscrição (via depósito)
R$170,00 dia 20/10/18 (via boleto)
Carga Horária: 8 Horas
Certificado: O aluno deverá ter frequência mínima de 75% das aulas.
Inscrição e Pagamento: 1. Inscreva-se no link e aguarde a confirmação de que há vaga, e os dados bancários para o pagamento da matrícula.
2. Envie o comprovante do depósito da matrícula para: atende@institutogerar.com.br
Local: Instituto Gerar
Rua Natingui, 314
Vila Madalena

A internet e as pacientes de infertilidade

mulher-computadorOlá, pessoal!

Gostaria de compartilhar com vocês que nos dias 02 e 03 de agosto estive no Congresso da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida onde participei compondo 2 mesas redondas. Neste congresso, também foi o lançamento do livro “Guia de Recomendações de Atenção Psicossocial nos Centros de Reprodução Assistida”.

Escrevi neste livro, juntamente com minha colega Ana Rosa Detílio, um capítulo sobre mídia virtual e pacientes de infertilidade, sendo, justamente desse assunto que desejo falar com vocês.

Pesquisando sobre o tema e, percebendo na prática muito do que verifiquei na pesquisa, (afinal, atendo pessoas que fazem uso da internet para auxiliá-las no processo de busca por um filho e tenho blog), penso ser importante trazer alguns temas para reflexão.

É verdade que a internet revolucionou os cuidados com a fertilidade e infertilidade e se tornou uma fonte importante de busca por informações. Nela, os(as) pacientes podem acessar informações sobre diagnósticos, tratamentos, profissionais de saúde, recomendações de toda ordem e muitas outras coisas.

Com a internet e as redes sociais, os(as) pacientes passaram a criar grupos de apoio, onde, além da troca de informações, pode-se também compartilhar histórias de vida e diminuir o sentimento de solidão que toda essa vivência traz consigo. É muito reconfortante perceber que não estamos sozinhos(as) nesta luta e que tem outras pessoas vivendo e sentindo semelhante a nós.

Percebo que a internet e os grupos on line tem sido importantes para pacientes no enfretamento da infertilidade, pois estes acabam sanando suas angústias com informações e também proporcionando amizades que vão além do virtual.

No entanto, penso ser relevante colocar também, que é fundamental verificar a fonte das   informações do que se lê, afinal, não é porque está na internet que é verdade. Todo emissor tem uma intenção com o que comunica, portanto, fiquem atentos(as)!

Além disso, dentro do possível, busquem aprender com a história do outro, porém, sem perder de vista a sua. Cada história é particular e, não necessariamente, o que aconteceu com o outro irá acontecer com você. Vejo, rotineiramente, pacientes preocupadas com diagnósticos e protocolos de tratamento que não são os seus, o que acaba por aumentar a ansiedade.

Para finalizar, gostaria de dizer que é válido todo tipo de suporte emocional, principalmente, que os grupos on line (facebook, instagran, fóruns de discussão etc) oferecem. No entanto, além do suporte virtual, é importante também buscarmos o suporte nas redes reais (amigos e família), uma vez que pontos de vista diferentes do das pessoas que vivem a infertilidade podem somar e oferecer um acolhimento diferente, o qual, somado ao apoio virtual, pode deixar toda essa caminhada mais leve.

Luciana Leis

Sonhos Congelados

 

sonho congelado

Fazendo uma pesquisa sobre o tema infertilidade para um material que estou escrevendo, eis que me deparo com esse título de um livro em inglês: “Frozen Dreams”. Confesso que ainda não tive acesso a esse material técnico, o qual aborda as questões psicodinâmicas da infertilidade, porém, seu nome me chamou atenção, pois conseguiu expressar, em somente duas palavras, muito da imensidão que é o sentimento da busca por um filho.

Penso que a vivência é exatamente essa, tudo fica meio congelado, parado no tempo, enquanto o bebê não vem. Quem passa pela infertilidade sabe que é bem assim, é difícil fazer planos a longo e, às vezes, até curto prazo, pois sempre existe a possibilidade de se estar grávida.

Desta maneira, o curso de pós-graduação fica de lado, a viagem que poderia ser bacana, mas, que não dá para fazer se estiver com um bebê na barriga, o retoque da raiz do cabelo, tratamentos de beleza com produtos mais fortes e muitas outras coisas acabam ficando em “modo de espera” na expectativa da gravidez.

E sabem o que é pior que tudo isso? Perceber que o tempo passou, os planos foram adiados e nada mudou… É muito frustrante investir em algo e não se ter garantia de nada, não se ter o controle, porém, assim é que é esse processo. Haja persistência e resiliência para se ir em frente!

Penso que, dentro do possível, é importante não frear os planos em função dessa espera, se há algo que seria muito interessante fazer, não desprograme em função dessa espera, pois, caso você esteja grávida no futuro, será mais fácil você desmarcar algo por essa boa razão, do que ter que lidar com o fato de não ter feito o que queria e ainda por cima, não ter engravidado.

É verdade que mesmo buscando “levar uma vida normal” a sensação é de que as coisas ficam meio em stand-by, mas, buscar driblar os inconvenientes desta espera pode auxiliar a diminuir o sentimento de paralisação.

A vivência de “sonhos congelados”, eu diria, não só o sonho por um filho, como também muitos outros que vão “congelando” em meio a essa espera, só se dá devido ao intenso desejo de realização desse projeto, onde busca-se priorizá-lo tanto, que os outros objetivos são deixados de canto, mesmo sem querer.

Se por um lado esse desejo dói pela espera de sua realização, por outro, é justamente ele quem  levará a buscar forças internas para sua concretização. O desejo é a válvula motriz da vida e o que mais pode impulsionar essa luta.

Força! Vá em frente!

Luciana Leis

Jornada de Psicologia em Reprodução Assistida

Olá, pessoal!

Hoje o post é para colegas “psis” e de áreas relacionadas à reprodução assistida. Teremos 2 importantes eventos na área (um em São Paulo e outro em Goiânia), dos quais também terei participação.

Sintam-se mais que convidados!

Luciana Leis

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O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis