Ansiedade faz demorar para engravidar?

Olá, pessoal!

Quero dividir com vcs uma entrevista que concedi ao site da UOL e que foi publicado esse mês sobre o tema tão controverso: Afinal, a ansiedade atrapalha ou não na conquista da gravidez?

Nesta entrevista, divulgo também os dados de uma pesquisa que realizei sobre o tema e que foi apresentada nos Congressos da Sociedade Americana e na Européia de Reprodução Humana (ASRM e ESHRE).

Espero que gostem!

Luciana Leis

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Nathália e a filha Valencia

O sonho da advogada Nathália Bastos era ser mãe. Quando se casou, aos 21 anos, logo ela e o marido colocaram em prática os planos para fazer a gravidez acontecer. Mas algo estava errado. E após seis meses de tentativas sem sucesso…
Em geral, médicos afirmam que uma investigação só deve começar após um ano, mas algo dizia à Nathália que ela não poderia perder tempo. Mesmo com algumas negativas por conta dessa recomendação, descobriu que não ovulava e, em um desses controles de contagem de óvulos, uma endometriose profunda apareceu.
“Era assintomática [a endometriose] e, por isso descobri, por acaso”, contou em entrevista à Universa.
Ela passou por uma cirurgia para tratar a doença, entre outros diversos tratamentos para outros problemas que descobriu no caminho, e então começou as fertilizações. Foram oito FIVs (Fertilização in Vitro), sete anos tentando e um aborto na sexta tentativa antes de finalmente conseguir.
“Nesse período tive o acompanhamento de psicólogos e esse apoio ajuda muito. A gravidez passa a ser seu projeto de vida e o calendário fica marcado apenas para os exames. É importante saber que existe vida fora dessas datas”, fala Nathalia, que reconhece no marido o ponto de apoio, tanto para seguir em frente como na compreensão de entender seus limites.
Mas não era só o companheiro que precisava ter empatia. O processo é desgastante e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor, segundo ela, algo cruel.
“É uma carga muito grande escutar ‘desencana que a gravidez vem’. Ouvi muito que era ‘coisa da minha cabeça’ e magoa demais. Já não basta todos os obstáculos e ainda vem essa culpa. As pessoas acham que estão ajudando, mas não.”
Hoje, com a filha de dois anos e três meses nos braços, Nathalia tenta ajudar outras mulheres. Desde abril de 2017, começou a escrever o blog “N Tentativas”, que também tem conta no Instagram. Um espaço para mulheres compartilharem suas experiências.
“Recebo muitas mensagens. Todas se sentem muito sozinhas e com medo de se abrir, com medo do julgamento. De tanto apontarem as questões psicológicas como solução, acham que estão ficando doidas, afinal, só pensam mesmo naquilo”, explica a advogada.
E continua: “Esse tipo de peso mexe muito com a questão feminina. Por que eu não mereço, por que não consigo gerar?”
Nunca é psicológico, dizem especialistas
Milhares de mulheres têm histórias como (ou parecidas) a de Nathália e vivem meses, anos de persistência para concretizar o sonho da maternidade. O número de casais que enfrentam a infertilidade chega a 20%, segundo Luciana Leis, psicóloga e pesquisadora no Projeto Alfa (Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida).
Luciana atende com mulheres e seus parceiros com problemas de infertilidade e os acompanha no processo da fertilização há 17 anos, e afirma que o famoso “desencana que engravida” é algo cultural, que ronda os casais socialmente e responsabiliza a mulher.
“Engravidar parece algo muito fácil. As pessoas passam a vida evitando e, de repente, querem aquilo na hora. O casal se sente um peixe fora d’água, tem a autoestima rebaixada pela pressão e a própria autocobrança.”
A ansiedade é um problema?
Para saber o impacto da ansiedade e do estresse no sucesso (ou não) de uma tentativa de gestação, Luciana fez uma pesquisa com 83 mulheres em tratamento para a FIV.
“Usamos como instrumentos testes psicológicos (inventários de estresse e ansiedade), medidas do cortisol salivar, pressão arterial e frequência cardíaca das pacientes no início do processo e quando faziam a transferência embrionária. O resultado foi que mulheres menos estressadas ou ansiosas não tiveram mais sucesso do que as outras”, explica.
A psicóloga diz que o estudo permitiu colaborar para que elas se sentissem menos culpadas diante de sentimentos tão comuns em meio a esses tipos de procedimento. Segundo ela, outros estudos no mesmo caminho são contraditórios.
“Não existe mulher que não se sinta assim quando passa por isso. É importante se autorizar, em primeiro lugar, a sentir ansiedade, estresse. Faz parte. Se isso começar a atrapalhar a rotina de sono, a vida pessoal, necessitará atenção maior – mas isso para todas as pessoas, mesmo as que não estão tentando engravidar”, pontua. E para esses casos, Luciana fala sobre cada uma encontrar formas de se equilibrar, seja na ioga, algo em grupo para relaxar e estar saudável.
A doutora em medicina reprodutiva pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Marise Samama, da Clínica GERA, em São Paulo, recomenda, quando sente a paciente ansiosa, que procure acupuntura, por exemplo. Também são importantes soluções físicas, como se alimentar melhor, fazer atividade física e abrir, sempre, para o médico, os remédios que fazem parte da rotina – esses, sim, podem atrapalhar.
“Hoje eu, particularmente, não deixo uma paciente sem diagnóstico físico ou com a reposta de ‘infertilidade sem causa aparente´. Se está em tratamento e mesmo assim não consegue é porque a investigação não foi suficiente”, afirma.
Tem conhecidas tentando engravidar? E fica a dica: assim como cobrar, evitar o assunto ou esconder de outra mulher que você está grávida também não é o caminho.  Trate com naturalidade. “Se a paciente quiser, vai falar sobre o assunto com quem está em volta. Perguntar toda hora, fazer piadas do tipo ‘não sabem fazer direito´ para o casal e deixar de contar uma gravidez na família, por exemplo, machuca muito. A omissão faz com que a pessoa se sinta mal o imaginar que os outros a veem como frustrada ou que vai sentir inveja”, alerta a psicóloga.
Como saber que é a hora certa?
As duas especialistas são categóricas ao dizer que mesmo com todas as conquistas femininas, a responsabilidade de fazer a maternidade acontecer ainda recai sobre as mulheres. E o desejo por esse momento é particular: pode vir mais cedo, mais tarde ou simplesmente não acontecer.
Para as que deixam para “depois”, o congelamento dos óvulos é uma alternativa, até os 35 anos. “A pressão é toda dela, pois o estoque de óvulos diminui ao logo dos anos e nós, ginecologistas, temos que chamar atenção para essa informação, conversar a respeito”, fala Marise. E Luciana conclui: “O desejo de ter filhos não está ligado à questão biológica. Cada um tem seu tempo. A sociedade precisa parar de cobrar uma resposta linear das mulheres.”
Fonte: https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2018/10/02/desencana-que-engravida-por-que-nao-devemos-responsabilizar-a-mulher.htm
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Curso: Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade

Olá, seguidores!

O post de hoje é para os colegas psis e profissionais da área da saúde.

Dia 27/10/18, sábado, ministrarei no Instituto Gerar, a convite da psicanalista Vera Iaconelli, o curso: Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade.

O conteúdo está bem bacana! Aguardo vcs!

Luciana Leis

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Reprodução Assistida, Infertilidade e Parentalidade

Objetivo: Abordar os aspectos emocionais envolvidos na infertilidade e seus tratamentos, promover reflexões e discussões a respeito da parentalidade atravessada pela vivência da dificuldade de gravidez, gametas doados, útero de substituição, casais homoafetivos e reprodução independente.

Curso ministrado por Luciana Leis
Público Alvo: Psicólogos, psicanalistas, médicos, enfermeiros, biólogos e biomédicos
Data: Sábado, dia 27 de Outubro de 2018
Duração: das 08:00 as 17:30 horas (intervalo de almoço das 12:00 as 13:30 horas)
Custos e forma de pagamento: Custo Total: R$340,00.
Forma de pagamento:
R$170,00 no ato da inscrição (via depósito)
R$170,00 dia 20/10/18 (via boleto)
Carga Horária: 8 Horas
Certificado: O aluno deverá ter frequência mínima de 75% das aulas.
Inscrição e Pagamento: 1. Inscreva-se no link e aguarde a confirmação de que há vaga, e os dados bancários para o pagamento da matrícula.
2. Envie o comprovante do depósito da matrícula para: atende@institutogerar.com.br
Local: Instituto Gerar
Rua Natingui, 314
Vila Madalena

A internet e as pacientes de infertilidade

mulher-computadorOlá, pessoal!

Gostaria de compartilhar com vocês que nos dias 02 e 03 de agosto estive no Congresso da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida onde participei compondo 2 mesas redondas. Neste congresso, também foi o lançamento do livro “Guia de Recomendações de Atenção Psicossocial nos Centros de Reprodução Assistida”.

Escrevi neste livro, juntamente com minha colega Ana Rosa Detílio, um capítulo sobre mídia virtual e pacientes de infertilidade, sendo, justamente desse assunto que desejo falar com vocês.

Pesquisando sobre o tema e, percebendo na prática muito do que verifiquei na pesquisa, (afinal, atendo pessoas que fazem uso da internet para auxiliá-las no processo de busca por um filho e tenho blog), penso ser importante trazer alguns temas para reflexão.

É verdade que a internet revolucionou os cuidados com a fertilidade e infertilidade e se tornou uma fonte importante de busca por informações. Nela, os(as) pacientes podem acessar informações sobre diagnósticos, tratamentos, profissionais de saúde, recomendações de toda ordem e muitas outras coisas.

Com a internet e as redes sociais, os(as) pacientes passaram a criar grupos de apoio, onde, além da troca de informações, pode-se também compartilhar histórias de vida e diminuir o sentimento de solidão que toda essa vivência traz consigo. É muito reconfortante perceber que não estamos sozinhos(as) nesta luta e que tem outras pessoas vivendo e sentindo semelhante a nós.

Percebo que a internet e os grupos on line tem sido importantes para pacientes no enfretamento da infertilidade, pois estes acabam sanando suas angústias com informações e também proporcionando amizades que vão além do virtual.

No entanto, penso ser relevante colocar também, que é fundamental verificar a fonte das   informações do que se lê, afinal, não é porque está na internet que é verdade. Todo emissor tem uma intenção com o que comunica, portanto, fiquem atentos(as)!

Além disso, dentro do possível, busquem aprender com a história do outro, porém, sem perder de vista a sua. Cada história é particular e, não necessariamente, o que aconteceu com o outro irá acontecer com você. Vejo, rotineiramente, pacientes preocupadas com diagnósticos e protocolos de tratamento que não são os seus, o que acaba por aumentar a ansiedade.

Para finalizar, gostaria de dizer que é válido todo tipo de suporte emocional, principalmente, que os grupos on line (facebook, instagran, fóruns de discussão etc) oferecem. No entanto, além do suporte virtual, é importante também buscarmos o suporte nas redes reais (amigos e família), uma vez que pontos de vista diferentes do das pessoas que vivem a infertilidade podem somar e oferecer um acolhimento diferente, o qual, somado ao apoio virtual, pode deixar toda essa caminhada mais leve.

Luciana Leis

Sonhos Congelados

 

sonho congelado

Fazendo uma pesquisa sobre o tema infertilidade para um material que estou escrevendo, eis que me deparo com esse título de um livro em inglês: “Frozen Dreams”. Confesso que ainda não tive acesso a esse material técnico, o qual aborda as questões psicodinâmicas da infertilidade, porém, seu nome me chamou atenção, pois conseguiu expressar, em somente duas palavras, muito da imensidão que é o sentimento da busca por um filho.

Penso que a vivência é exatamente essa, tudo fica meio congelado, parado no tempo, enquanto o bebê não vem. Quem passa pela infertilidade sabe que é bem assim, é difícil fazer planos a longo e, às vezes, até curto prazo, pois sempre existe a possibilidade de se estar grávida.

Desta maneira, o curso de pós-graduação fica de lado, a viagem que poderia ser bacana, mas, que não dá para fazer se estiver com um bebê na barriga, o retoque da raiz do cabelo, tratamentos de beleza com produtos mais fortes e muitas outras coisas acabam ficando em “modo de espera” na expectativa da gravidez.

E sabem o que é pior que tudo isso? Perceber que o tempo passou, os planos foram adiados e nada mudou… É muito frustrante investir em algo e não se ter garantia de nada, não se ter o controle, porém, assim é que é esse processo. Haja persistência e resiliência para se ir em frente!

Penso que, dentro do possível, é importante não frear os planos em função dessa espera, se há algo que seria muito interessante fazer, não desprograme em função dessa espera, pois, caso você esteja grávida no futuro, será mais fácil você desmarcar algo por essa boa razão, do que ter que lidar com o fato de não ter feito o que queria e ainda por cima, não ter engravidado.

É verdade que mesmo buscando “levar uma vida normal” a sensação é de que as coisas ficam meio em stand-by, mas, buscar driblar os inconvenientes desta espera pode auxiliar a diminuir o sentimento de paralisação.

A vivência de “sonhos congelados”, eu diria, não só o sonho por um filho, como também muitos outros que vão “congelando” em meio a essa espera, só se dá devido ao intenso desejo de realização desse projeto, onde busca-se priorizá-lo tanto, que os outros objetivos são deixados de canto, mesmo sem querer.

Se por um lado esse desejo dói pela espera de sua realização, por outro, é justamente ele quem  levará a buscar forças internas para sua concretização. O desejo é a válvula motriz da vida e o que mais pode impulsionar essa luta.

Força! Vá em frente!

Luciana Leis

Jornada de Psicologia em Reprodução Assistida

Olá, pessoal!

Hoje o post é para colegas “psis” e de áreas relacionadas à reprodução assistida. Teremos 2 importantes eventos na área (um em São Paulo e outro em Goiânia), dos quais também terei participação.

Sintam-se mais que convidados!

Luciana Leis

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O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis

Como buscar forças para ir em frente?

lutaOlá, pessoal!

Depois de um loooongo tempo sem escrever no blog, finalmente, consegui um tempinho para postar sobre uma questão que considero ser de extrema importância: como conseguir buscar forças para ir em frente depois de tantas frustrações na busca pela gravidez?

Todos sabemos que não é nada fácil lidar com as diversas decepções envolvidas no processo de busca pelo filho. Digo diversas, pois sei que a chegada da menstruação ou o exame de beta negativo podem ser apenas algumas delas, uma vez que muitas outras podem estar embutidas neste meio, intensificando ainda mais essa dor, por exemplo: falta de resposta ao estímulo da ovulação, ausência de óvulos na punção, ausência de embriões a serem transferidos, abortos, adiamento do tratamento devido à necessidade de cirurgia ou exame complementar e muitos outros imprevistos que deixam essa caminhada ainda mais difícil.

Percebo que muitos casais chegam a apresentar um esgotamento físico e emocional, devido aos desgastes provocados pela busca de gravidez, quer seja através dos tratamentos ou não.

Porém, infelizmente, ainda não existe um botãozinho onde se “liga” ou “desliga” o desejo de filhos. Embora eu note que, em certos momentos, a vontade de muitos casais é de desistir e deixar essa história de lado, em contrapartida, a presença do desejo de filhos faz renovar a esperança e os mantém tentando um resultado diferente do negativo.

Mas, para tentar é necessário energia, força, e essa não brota simplesmente do nada para investirmos nos nossos sonhos. Primeiramente, precisamos estar, minimamente bem, para conseguirmos resgatar essa energia a nosso favor.

E para estar “minimamente bem” é necessário cuidar de si. Cuidar sim do desejo de filho que ainda não foi realizado, mas, também poder cuidar dos outros desejos que existem dentro de você e que são mais possíveis de se ter acesso imediato, pois pode-se exercer um certo “controle” para sua realização.

Assim, vale a pena pensar em fazer aquele curso que há tempos você gostaria de se matricular, aquele esporte que você deixou de cogitar para si ou aquela viagem que você e seu marido planejavam realizar. Todos esses planos adiados pois “vai que você engravida!”.

Não é raro se ter a sensação de que a vida fica parada em função da busca pelo filho, e isso acontece, justamente, pela dificuldade que temos de investir em outros projetos de forma concomitante. Muitas pessoas acreditam que precisam priorizar o tratamento e essa busca para que o bebê possa chegar, como se o filho fosse vir como merecimento à toda essa dedicação, sendo que isso, na verdade, não é garantia de resultado algum.

Reflita que justamente na realização desses projetos paralelos que se pode ter mais alegria, melhor autoestima e determinação. Tudo isso colabora para nos deixar mais fortes e com mais energia para lutar e não desistirmos do sonho de  ter o filho nos braços.

Luciana Leis