A internet e as pacientes de infertilidade

mulher-computadorOlá, pessoal!

Gostaria de compartilhar com vocês que nos dias 02 e 03 de agosto estive no Congresso da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida onde participei compondo 2 mesas redondas. Neste congresso, também foi o lançamento do livro “Guia de Recomendações de Atenção Psicossocial nos Centros de Reprodução Assistida”.

Escrevi neste livro, juntamente com minha colega Ana Rosa Detílio, um capítulo sobre mídia virtual e pacientes de infertilidade, sendo, justamente desse assunto que desejo falar com vocês.

Pesquisando sobre o tema e, percebendo na prática muito do que verifiquei na pesquisa, (afinal, atendo pessoas que fazem uso da internet para auxiliá-las no processo de busca por um filho e tenho blog), penso ser importante trazer alguns temas para reflexão.

É verdade que a internet revolucionou os cuidados com a fertilidade e infertilidade e se tornou uma fonte importante de busca por informações. Nela, os(as) pacientes podem acessar informações sobre diagnósticos, tratamentos, profissionais de saúde, recomendações de toda ordem e muitas outras coisas.

Com a internet e as redes sociais, os(as) pacientes passaram a criar grupos de apoio, onde, além da troca de informações, pode-se também compartilhar histórias de vida e diminuir o sentimento de solidão que toda essa vivência traz consigo. É muito reconfortante perceber que não estamos sozinhos(as) nesta luta e que tem outras pessoas vivendo e sentindo semelhante a nós.

Percebo que a internet e os grupos on line tem sido importantes para pacientes no enfretamento da infertilidade, pois estes acabam sanando suas angústias com informações e também proporcionando amizades que vão além do virtual.

No entanto, penso ser relevante colocar também, que é fundamental verificar a fonte das   informações do que se lê, afinal, não é porque está na internet que é verdade. Todo emissor tem uma intenção com o que comunica, portanto, fiquem atentos(as)!

Além disso, dentro do possível, busquem aprender com a história do outro, porém, sem perder de vista a sua. Cada história é particular e, não necessariamente, o que aconteceu com o outro irá acontecer com você. Vejo, rotineiramente, pacientes preocupadas com diagnósticos e protocolos de tratamento que não são os seus, o que acaba por aumentar a ansiedade.

Para finalizar, gostaria de dizer que é válido todo tipo de suporte emocional, principalmente, que os grupos on line (facebook, instagran, fóruns de discussão etc) oferecem. No entanto, além do suporte virtual, é importante também buscarmos o suporte nas redes reais (amigos e família), uma vez que pontos de vista diferentes do das pessoas que vivem a infertilidade podem somar e oferecer um acolhimento diferente, o qual, somado ao apoio virtual, pode deixar toda essa caminhada mais leve.

Luciana Leis

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Sonhos Congelados

 

sonho congelado

Fazendo uma pesquisa sobre o tema infertilidade para um material que estou escrevendo, eis que me deparo com esse título de um livro em inglês: “Frozen Dreams”. Confesso que ainda não tive acesso a esse material técnico, o qual aborda as questões psicodinâmicas da infertilidade, porém, seu nome me chamou atenção, pois conseguiu expressar, em somente duas palavras, muito da imensidão que é o sentimento da busca por um filho.

Penso que a vivência é exatamente essa, tudo fica meio congelado, parado no tempo, enquanto o bebê não vem. Quem passa pela infertilidade sabe que é bem assim, é difícil fazer planos a longo e, às vezes, até curto prazo, pois sempre existe a possibilidade de se estar grávida.

Desta maneira, o curso de pós-graduação fica de lado, a viagem que poderia ser bacana, mas, que não dá para fazer se estiver com um bebê na barriga, o retoque da raiz do cabelo, tratamentos de beleza com produtos mais fortes e muitas outras coisas acabam ficando em “modo de espera” na expectativa da gravidez.

E sabem o que é pior que tudo isso? Perceber que o tempo passou, os planos foram adiados e nada mudou… É muito frustrante investir em algo e não se ter garantia de nada, não se ter o controle, porém, assim é que é esse processo. Haja persistência e resiliência para se ir em frente!

Penso que, dentro do possível, é importante não frear os planos em função dessa espera, se há algo que seria muito interessante fazer, não desprograme em função dessa espera, pois, caso você esteja grávida no futuro, será mais fácil você desmarcar algo por essa boa razão, do que ter que lidar com o fato de não ter feito o que queria e ainda por cima, não ter engravidado.

É verdade que mesmo buscando “levar uma vida normal” a sensação é de que as coisas ficam meio em stand-by, mas, buscar driblar os inconvenientes desta espera pode auxiliar a diminuir o sentimento de paralisação.

A vivência de “sonhos congelados”, eu diria, não só o sonho por um filho, como também muitos outros que vão “congelando” em meio a essa espera, só se dá devido ao intenso desejo de realização desse projeto, onde busca-se priorizá-lo tanto, que os outros objetivos são deixados de canto, mesmo sem querer.

Se por um lado esse desejo dói pela espera de sua realização, por outro, é justamente ele quem  levará a buscar forças internas para sua concretização. O desejo é a válvula motriz da vida e o que mais pode impulsionar essa luta.

Força! Vá em frente!

Luciana Leis

Jornada de Psicologia em Reprodução Assistida

Olá, pessoal!

Hoje o post é para colegas “psis” e de áreas relacionadas à reprodução assistida. Teremos 2 importantes eventos na área (um em São Paulo e outro em Goiânia), dos quais também terei participação.

Sintam-se mais que convidados!

Luciana Leis

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O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis

Como buscar forças para ir em frente?

lutaOlá, pessoal!

Depois de um loooongo tempo sem escrever no blog, finalmente, consegui um tempinho para postar sobre uma questão que considero ser de extrema importância: como conseguir buscar forças para ir em frente depois de tantas frustrações na busca pela gravidez?

Todos sabemos que não é nada fácil lidar com as diversas decepções envolvidas no processo de busca pelo filho. Digo diversas, pois sei que a chegada da menstruação ou o exame de beta negativo podem ser apenas algumas delas, uma vez que muitas outras podem estar embutidas neste meio, intensificando ainda mais essa dor, por exemplo: falta de resposta ao estímulo da ovulação, ausência de óvulos na punção, ausência de embriões a serem transferidos, abortos, adiamento do tratamento devido à necessidade de cirurgia ou exame complementar e muitos outros imprevistos que deixam essa caminhada ainda mais difícil.

Percebo que muitos casais chegam a apresentar um esgotamento físico e emocional, devido aos desgastes provocados pela busca de gravidez, quer seja através dos tratamentos ou não.

Porém, infelizmente, ainda não existe um botãozinho onde se “liga” ou “desliga” o desejo de filhos. Embora eu note que, em certos momentos, a vontade de muitos casais é de desistir e deixar essa história de lado, em contrapartida, a presença do desejo de filhos faz renovar a esperança e os mantém tentando um resultado diferente do negativo.

Mas, para tentar é necessário energia, força, e essa não brota simplesmente do nada para investirmos nos nossos sonhos. Primeiramente, precisamos estar, minimamente bem, para conseguirmos resgatar essa energia a nosso favor.

E para estar “minimamente bem” é necessário cuidar de si. Cuidar sim do desejo de filho que ainda não foi realizado, mas, também poder cuidar dos outros desejos que existem dentro de você e que são mais possíveis de se ter acesso imediato, pois pode-se exercer um certo “controle” para sua realização.

Assim, vale a pena pensar em fazer aquele curso que há tempos você gostaria de se matricular, aquele esporte que você deixou de cogitar para si ou aquela viagem que você e seu marido planejavam realizar. Todos esses planos adiados pois “vai que você engravida!”.

Não é raro se ter a sensação de que a vida fica parada em função da busca pelo filho, e isso acontece, justamente, pela dificuldade que temos de investir em outros projetos de forma concomitante. Muitas pessoas acreditam que precisam priorizar o tratamento e essa busca para que o bebê possa chegar, como se o filho fosse vir como merecimento à toda essa dedicação, sendo que isso, na verdade, não é garantia de resultado algum.

Reflita que justamente na realização desses projetos paralelos que se pode ter mais alegria, melhor autoestima e determinação. Tudo isso colabora para nos deixar mais fortes e com mais energia para lutar e não desistirmos do sonho de  ter o filho nos braços.

Luciana Leis

IV Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Olá, pessoal!

O post de hoje é para os colegas psicólogos, médicos, embriologistas, biomédicos, biólogos, enfermeiros e outros profissionais que se interessem pelo tema reprodução assistida.

Dia 02/12/2017 (sábado) acontecerá a IV Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida, com minha organização e do Dr Newton Eduardo Busso. O evento será em SP, próximo à Av. Paulista e contará com participação de profissionais de vários estados do Brasil que atuam em Reprodução Assistida. A programação está super interessante!

Quem quiser se inscrever, entre em contato com a RG eventos pelo telefone: 3253-3713.

Espero vcs!

Luciana Leis

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Livro ajuda casais que fizeram recepção de óvulos a contar sobre esse procedimento ao(s) filho(s)

claraOlá, pessoal!

No atendimento à casais que enfrentam dificuldades para engravidar, cada vez mais, atendo mulheres que precisam recorrer à recepção de óvulos para realizarem o sonho de terem um filho.

Em geral, o processo de aceitação de óvulos não costuma ser nada fácil, afinal, faz parte do desejo de ter um filho também ver aspectos físicos seus estampados na criança. Embora isso, não tenha a ver diretamente com a maternidade, se relaciona à construção desse filho do imaginário da mulher, com aspectos mais narcísicos do seu eu.

Quando, por alguma razão, esse filho deixa de ser possível biologicamente, a medicina reprodutiva tem como alternativa a recepção de óvulos para as mulheres que conseguem se abrir emocionalmente à essa nova possibilidade de serem mães. É verdade que o filho não sairá relacionado à elas geneticamente, mas lhes permitirá o exercício da maternidade como é em qualquer outra forma de filiação.

Percebo que, mesmo para as mulheres que aceitam esse procedimento e estão felizes com seus filhos nos braços, falar sobre a forma como foram concebidos ainda é um tabu, um assunto muito delicado e que, a maioria, prefere ignorar e deixar de lado. Falar com a criança sobre esse assunto costuma gerar insegurança, medo de causar algum tipo de dor para esta, de não ser compreendida quanto à esse tipo de escolha do passado, entre outros.

No entanto, poder ter uma relação transparente com os filhos, sem segredos, é muito importante para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Mas, para que essa história possa ser revelada, os pais precisam estar seguros quanto à decisão de contar e lidando de forma positiva com toda a história que os permitiu serem pais.

Caso haja inseguranças para revelar à criança, é sempre útil procurar um psicólogo para entender o que está gerando tais sentimentos e buscar, assim,  encontrar a melhor saída.

Foi pensando em ajudar os pais a revelar sobre a recepção de óvulos para seus filhos que a psicóloga Helena Prado escreveu o livro: “Clara, clareando: um segredo de família”. O livro é bem didático, sensível e com ilustrações lindas para agradar todos pais e crianças.

Como o livro é resultado de uma produção independente da escritora, quem tiver interesse em adquirir um exemplar, pode falar diretamente com a Helena no e-mail: helenaprado@globo.com.

Confesso que adorei a estória e recomendo a aquisição a todos pais que tiverem interesse em trabalhar esse assunto com seus pimpolhos.

Luciana Leis