Como lidar com o diagnóstico de infertilidade? – Segunda parte da entrevista

 5) E como os homens lidam com esta questão?

Luciana Leis — A notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, mulheres nem por. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades para aceitar o diagnóstico. A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de macho “ser” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade. A associação popular entre Capacidade de procriação e potência é um dos principais motivos de resistência à vasectomia em nossa cultura. Essa associação também é responsável pela relutância que alguns homens demonstram nenhum momento de fazer o exame de espermograma pedido pelo médico. Além disso, percebe-se que o diagnóstico de infertilidade masculina acaba por intervenir de forma significativa na vida sexual dos homens, podendo-se observar falta de libido, distúrbios ejaculatórios e impotência sexual.
6) Ter engravidado naturalmente uma vez, com facilidade, não é garantia de que o mesmo acontecerá uma segunda vez. São comuns os casos de infertilidade secundária, quando um casal não consegue engravidar ou levar uma gravidez até o final, após já terem tido um filho. Como estes casais reagem frente à infertilidade secundária? 
Luciana Leis — Ter dificuldade de ter um segundo filho pode Gerar um estresse enorme para o casal. Muitos acreditam que por terem tido uma primeira gravidez bem sucedida poderão ter outras iguais. Mas isto nem sempre é verdade. O importante neste processo é saber o momento Adequado de buscar auxílio médico e psicológico. O estresse emocional ea ansiedade que um casal com Lidando sente a infertilidade secundária pueden ser ampliados pela falta de compreensão da família e de amigos. Este tipo de situação é menos Reconhecida e compreendida pelos mais próximos do que os casos de infertilidade primária. Tanto a família, quanto os amigos pueden não entender o sofrimento de quem enfrenta dificuldades para engravidar pela segunda vez. Esta falta de empatia e compreensão do círculo social pode provocar sentimentos de inadequação, é como se o casal não tivesse o direito de ficar triste por não conseguir uma segunda gravidez, uma vez que já tem um filho. Outra fonte de estresse vem do fato de estarem cercados por casais que não Tiveram problemas para engravidar do segundo ou do terceiro filho. Se o casal sofre de infertilidade primária, ele pode Evitar o mundo infantil, mas quando o casal já tem um filho, ele está mergulhado nesse universo e não pode deixar de participar de festinhas de aniversário e de outras atividades infantis, onde encontra casais grávidos e cheios de filhos.
7) Outra questão difícil em família é o fato de um dos cônjuges desejar ter filhos eo outro não. Como é Possível lidar bem com esta situação? 
Luciana Leis — Diante de um cenário de impasses, muitos casais me perguntam o que fazer nessas horas. Procuro ouvi-los, orientá-los e lembrá-los que a paciência eo respeito pelo tempo do outro, dentro de uma relação, onde ficar junto um abraço Prioridade, acabam sendo o melhor caminho. Algumas pessoas PRECISAM de um tempo maior para amadurecer a idéia de ter um bebê e não adianta embarcar projeto não do outro só para agrada-lo ou com medo de perdê-lo, pois uma dificuldade quanto a assumir esse novo papel pode aparecer mais à frente . O projeto de filhos dentro de uma relação saudável não DEVE ser unilateral, o desejo dos dois precisa ser considerado. Porém, há casos onde um dos parceiros não acaba revelando um desejo e, nestas situações, o (parceiro a) (a) Deseja que um filho fica frente a uma escolha sobre DEVE apostar em qual ele projeto: o do casamento ou o de ter um filho. A psicoterapia pode ajudar pessoas clarificarem um como seu desejo por um bebê ea banca-los, ou então, uma melhor perceberem que não há e desejo, a partir daí, auxilia-los na busca por outros projetos de vida, se necessário.
8)Durante os tratamentos de reprodução assistida, é comum uma tendência das mulheres estenderem de uma infertilidade para outros espaços de sua vida. Como se dá este processo? 
Luciana Leis — É comum percebermos que as mulheres com dificuldade de gravidez começam a se fechar num mundo muito solitário e frio. Deixam de sair com receio dos comentários alheios, sentem-se inferiorizadas frente às demais mulheres, pouco dividem com seus companheiros sentimentos e pensamentos com medo da rejeição do parceiro e, em alguns casos, Abandonam seus empregos para dedicarem-se exclusivamente ao tratamento para engravidar . Com tantas limitações, a infertilidade acaba estando presente em tudo, uma vez que se configura como “Produzir não, não Criar. Se imaginarmos um terreno um ser germinado e colocarmos uma infertilidade em apenas uma porção, com o passar do tempo, olhamos novamente este mesmo terreno e Percebemos que uma porção infértil ocupou uma área maior. Necessariamente Isso não precisa ser assim. Para contornar este período difícil da vida é Necessário que essas mulheres consigam “adubar” e “preparar a terra” a fim de que outras possíveis Sejam Produções , Expandindo seus horizontes para além da gravidez. O processo PSICOTERAPEUTICO auxilia muito nessa questão. Algumas pacientes engravidaram justamente em momento que não se viam produtivas no trabalho e maduras em sua vida pessoal.
9) Após várias tentativas frustradas de engravidar naturalmente e com uma ajuda de técnicas de reprodução assistida, como o casal pode saber que uma adoção é a melhor saída para que uma maternidade / paternidade se realize? 
Luciana Leis — No caso de casais com dificuldades para engravidar, nota-se que uma adoção surge como uma outra porta que pode ser aberta para uma maternidade / paternidade. Para que essa porta se abrir POSSA, è necessario que o luto pela perda do filho biológico não gerado POSSA ser vivenciado. Não há como adotar uma criança, de forma saudável, sem passar pelo processo de aceitação e Elaboração da infertilidade, pois após esse período, o casal PODERÁ, aos poucos, abrir espaço emocional para uma chegada do filho de uma outra forma, diferente da idealizada , de uma forma Possível e não menos satisfatória. Faz-se também relevante destacar que o desejo de ajudar uma criança não é suficiente para que se de uma adoção, pois não estamos falando de um ato de amor ao próximo e, sim, da constituição de uma família, dentro da qual quê é Necessário essa criança tenha um lugar de filho, assim como qualquer filho biológico. A criança adotiva precisa se sentir escolhida e desejada por seus pais. É por isto que uma adoção implica em tomar para si algo que antes era estranho e que, com o tempo, PODERÁ SE TORNAR muito familiar.
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3 respostas em “Como lidar com o diagnóstico de infertilidade? – Segunda parte da entrevista

  1. Luciana, por favor, gostaria muito que você postasse um pouco mais sobre a adoção de crianças e de embriões.

  2. Parece que este texto foi escrito para mim! Estou indo para a quarta tentativa de FIV e, antes, a adoção era tema impensável, hoje já me questiono se esta não será minha última tentativa da fiv antes de pensar em adoção…Muitos me dizem;” se tivesse adotado uma criança antes, já teria engravidado naturalmente…” será que não percebem que a situação não é tão simples assim! Será que vou conseguir amar e construir os laçõs afetivos como se a criança tivesse saído de mim? ( com a minha cara ou do meu marido, os olhos da avó..enfim tudo o que idealizei desde menina…)

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