Infertilidade: é preciso pensar o papel do filho na relação do casal

Casais que enfrentam problemas para engravidar precisam manter um diálogo aberto, onde possam ser repensados os objetivos da relação e se o bem-estar na união pode superar o adiamento do projeto de filhos. Muitas vezes, percebo entre os casais que atendo, que o filho deixa de ser conseqüência de um vínculo amoroso para se tornar finalidade, esquecendo-se todo o histórico de relacionamento que os levou à união.Além disso, é bastante freqüente os casais tentarem buscar uma possível resposta por estarem passando por essa experiência, não entendem como eles, que têm condições financeiras e afetivas para criar uma criança não engravidam, ao passo que muitas mulheres que não desejam um filho engravidam facilmente. A partir daí, buscam dentro de suas histórias possíveis acontecimentos que estejam os levando a serem castigados; culpam-se por atitudes errôneas, abortos cometidos, vida sexual antes do casamento, relações extra-conjugais, dentre outros. Vale tudo para preencher esse vazio que fica, como se realmente existisse uma explicação para o que não se pode explicar, uma vez que o início da vida ainda é um mistério.Somado a todos estes fatores até agora explicitados, existe também a ansiedade que permeia a situação de infertilidade, sendo que é bastante comum as pacientes escutarem, até mesmo dos médicos, que não engravidam porque não conseguem relaxar.Os resultados de pesquisas sobre os fatores emocionais determinando a infertilidade ainda não são claros e conclusivos. Existe muita discussão a respeito do assunto, no entanto, não há como passar por essa vivência de infertilidade, negando qualquer tipo de ansiedade; certo grau de tensão é esperado entre as pacientes, desde que isso não esteja comprometendo drasticamente a sua vida. Percebo inclusive que certas pacientes precisam autorizar- se a ter ansiedade, pois a pressão social sobre elas é tanta, que, muitas vezes, não se permitem demonstrar o que sentem para não acabar sendo criticadas.A infertilidade por si só é uma experiência estressante. A ansiedade e as oscilações entre esperança e desesperança, a cada ciclo, causam alterações emocionais impossíveis de serem negadas. Falar sobre o assunto e dividir com o(a) companheiro(a) os sentimentos vivenciados ajuda a aliviar a dor, uma vez que a fala nos dá a possibilidade de reorganizar as idéias e dar um contexto diferente à essa situação vivida. A ajuda de um psicoterapeuta também é aconselhável.Luciana Leis é psicóloga, especializada no atendimento a casais que enfrentam problemas de fertilidade

Anúncios

E você, o que pensa sobre este assunto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s