E de repente, o mundo todo que adotar as crianças haitianas, vítimas do terremoto…

Desde que aconteceu a tragédia do terremoto no Haiti, muitas famílias se desfizeram:  pais  perderam  seus filhos, crianças perderam seus pais… São muitos os mortos e os desaparecidos. E além das entidades internacionais e ONG’s, percebemos o interesse de inúmeras pessoas, no mundo todo, em cuidar destes órfãos, confortando-os. Muitos chegam a se prontificar, inclusive, a adotá-los.  A embaixada do Haiti no Brasil vem recebendo centenas de pedidos de adoção, desde o terremoto. Franceses, israelenses, americanos e argentinos também já expressaram o mesmo desejo que os brasileiros. O drama desta população faz com que diversos sentimentos aflorem: pena, tristeza, injustiça e, principalmente, vontade de ajudar. Porém, quando falamos em adotar uma criança, não estamos falando de um gesto de caridade, e, sim, da constituição de uma família, onde é primordial que essa criança possa ter, acima de tudo, “um lugar de filho”, junto aos pais. Devido ao grande volume de solicitações de adoção de crianças haitianas, penso que possa estar havendo uma confusão na cabeça destes “candidatos a pais”.  É preciso deixar claro que adoção não é um ato de caridade. Podemos ajudar o povo haitiano de diversas formas: enviando alimentos e dinheiro, prestando serviços voluntários… Não adotando. A adoção é algo muito mais sério e precisa ser bem trabalhada no psiquismo dos futuros pais.  O próprio  Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fez um alerta que órfãos e crianças abandonadas no Haiti, após o terremoto devastador, devem ser adotados no exterior, apenas como último recurso. O objetivo deste comunicado é preservar a saúde mental destas crianças. É muito mais vantajoso para elas encontrar seus familiares (irmãos, tios, avós) do que saírem de seu país de origem para viverem junto a pessoas estranhas.  E sem menosprezar o sofrimento haitiano, é bom lembrar também o fato de termos, em nosso País, um grande  número de crianças negras pedindo um lar. E que, justamente pelo fato de serem negras, não conseguem ser adotadas, já que é sabido que a maioria dos casais em fila de adoção prefere crianças brancas.  A impressão que nos dá é a de que por trás deste gesto, pode até mesmo existir um certo ganho de destaque social: “ Este é meu filho, adotei-o durante o terremoto que devastou o Haiti”… A pergunta que fica é se realmente lserá dado o posto de filho a esta criança.  Precisamos ser cautelosos diante de dramas tão comoventes como este. Uma adoção nestes termos, só seria válida, se esse evento tivesse mobilizado, de fato, o real desejo de adotar uma criança. Não é preciso ir ao Haiti, nem a países africanos, como fazem as celebridades, para encontrar crianças em situação de desamparo emocional, que aguardam ansiosamente por pais que as amem.

Luciana Leis é psicóloga. É especializada no tratamento de casais com problemas de fertilidade.

Fale com ela: luciana_leis@hotmail.com

http://twitter.com/lucianaleis

lucianaleis.wordpress.com

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