Congelar óvulos: a culpa é do príncipe encantado que não chega

Não são muito diferentes as razões que levam as mulheres com mais de 30 anos a optarem por congelar os seus óvulos, revela um estudo apresentado  no 26.º encontro da Sociedade Europeia de Embriologia e Reprodução Humana. A aposta numa carreira é um dos motivos, mas para muitas adiar a constituição de uma família resulta da espera pelo Sr. Certo, a versão moderna do príncipe encantado. O grupo estudado pela equipa de Julie Nekkebroeck, do Centro de Medicina de Reprodução UZ de Bruxelas, na Bélgica, era composto por 15 mulheres com 38 anos de idade média, que desejavam congelar os seus óvulos. E porquê? A resposta era simples: ainda não tinham encontrado o parceiro ideal com quem gostariam de ter filhos. “Verificámos que as mulheres que participaram no estudo já tinham tido parceiros no passado e uma delas encontrava-se mesmo numa relação, mas ainda não tinham concretizado o desejo de ter filhos porque não tinham encontrado o homem certo”, avançou a especialista. As mulheres descobriam, através da internet, que havia a possibilidade de congelarem os óvulos, mas antes disso 46,7% tinham já equacionado a possibilidade de ser mãe solteira com recurso a dador de esperma e para 26,7% a adopção tinham sido uma hipótese a considerar. Congelar óvulos foi a forma encontrada pela maioria (53,3%) para se libertar da pressão de encontrar o parceiro ideal. A pressa de conhecer alguém e desenvolver uma relação, antes de pensar em ter filhos, era assim reduzida para 26,7% das mulheres, enquanto para 33,3% esta foi a forma encontrada de se precaverem contra uma infertilidade futura. Todas tinham partilhado as suas intenções com a família e amigos mais próximos e nenhuma foi desencorajada pelo grupo de apoio. Do total de inquiridas, 53,3% considerou o custo do tratamento a que se tinham de submeter uma desvantagem, com 26,7% a considerarem que o uso de hormonas era um aspecto menos positivo. No entanto, todas aceitaram que se tinham que submeter a um tratamento enquanto eram ainda férteis, que estavam dispostas a repetir, pelo menos mais duas vezes, se necessário. No entanto, quando o tema é o congelamento de óvulos, a falta de informação é uma constante, referiu Srilatha Gorthi, investigadora do Centro de Medicina da Reprodução de Leeds, no Reino Unido e autora de um outro trabalho. “A investigação provou que os óvulos mais jovens são os que têm uma maior competência genética e a probabilidade de funcionarem também se reduz com a idade. Embora os melhores resultados surjam nas mulheres com menos de 30 anos, na realidade são as mulheres que se encontram no fim da casa dos 30 as que mais procura o congelamento de óvulos”, avançou. “Ainda é muita a falta de informação sobre qual a idade que as mulheres devem começar uma família, a probabilidade de sucesso dos tratamentos e o número de ovócitos que precisam de ser retirados e congelados para que se possa dar uma perspectiva realista de qual o sucesso. Às mulheres que pensam submeter-se a este procedimento devem ser facultada informação correcta e aconselhamento sobre os benefícios e limitações do congelamento de ovócitos”, acrescentou a especialista.

FONTE: JORNAL PORTUGUÊS DESTAK

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