Implicações emocionais envolvidas na adoção de sêmen

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente frustrante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser homem” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade. Em casos onde a qualidade do sêmen, avaliada através do espermograma, é muito baixa, percebemos que o nível de angústia masculina é ainda mais intenso, principalmente, quando a adoção de sêmen de outro homem é indicada pelo médico como a opção mais viável (ou até mesmo única) para a realização do sonho pelo filho. É fato que a maioria dos casais que buscam por tratamentos de reprodução assistida espera sair desse processo com um filho geneticamente relacionado a eles. No entanto, em alguns casos isso não é possível, sendo necessária a desconstrução de um sonho idealizado para a de um sonho possível. Nota-se que o luto pela perda do filho biológico e sentimentos de dor e frustração advindos desse processo podem ser experimentados para, aos poucos, cederem lugar à novas possibilidades de paternidade, com suas perda e ganhos. Muitas fantasias podem surgir em meio ao casal que vivencia esse tipo de técnica, principalmente, pelo fato do sêmen, na maioria das vezes, ser associado a um caráter mais sexualizado. Deste modo, sentimentos de ciúmes do doador (que é desconhecido) podem surgir por parte do homem, que sente-se abalado em sua autoestima e confiança em si mesmo. Alguns chegam a referir que é como se sua mulher estivesse se relacionando sexualmente com outra pessoa. Além disso, nota-se que o caráter sexual atribuído ao sêmen não acontece somente por parte do homem, já que certas mulheres dizem que não conseguem nem imaginar o sêmen de outro homem, que não o de seu marido, dentro de seu corpo. Algumas preocupações podem surgir em meio ao casal que vivencia esse processo, como por exemplo, o medo por parte da mulher de que o marido não assuma a criança numa eventual separação, ou então, o temor por parte do homem de que a esposa venha lhe “jogar na cara” numa briga futura de que o filho não é dele. Receios a respeito da possibilidade de doenças genéticas e traços patológicos de caráter podem surgir em meio à esse processo, sendo necessário o esclarecimento de que algumas doenças, predisposições temperamentais e traços físicos podem ser herdados, no entanto, valores, crenças, formas de pensar e agir são adquiridos e aprendidos na convivência familiar. Desta forma, nota-se que em meio a tantas questões importantes, é imprescindível a presença de um psicólogo junto ao processo de adoção de sêmen, trabalhando aspectos emocionais não somente junto ao homem, como também em meio ao casal que pode se fragilizar bastante em meio a esse tipo de procedimento.

Luciana Leis

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