Como controlar o incontrolável?

O controle sobre os eventos da nossa própria vida é algo que, desde muito cedo, aprendemos a acreditar. Deste modo, entendíamos que se tivéssemos um bom comportamento a recompensa de nossos pais, de alguma forma, viria; se estudássemos para as provas durante o ano, com certeza, avançaríamos nos estudos; se batalhássemos bastante no emprego, uma promoção e um bom ganho financeiro seria o resultado disto tudo e assim por diante.

Desta maneira, é inevitável acreditar que somos responsáveis, sim, pelos acontecimentos de nossa vida. Porém, o que pensar quando algo sai do esperado, apesar de estarmos fazendo tudo “conforme manda o figurino”?

Costumo dizer que a vida, mais hora menos hora, nos coloca frente à situações onde o incontrolável predomina. Assim, como seres humanos, somos obrigados a rever nossa posição, muitas vezes onipotente, de acreditar que temos o controle sobre tudo, e reconhecer nossos limites, afinal, não somos deuses.

Percebo que a dificuldade de gravidez, para alguns casais, funciona como a primeira grande desilusão a respeito deste controle que venho falando até agora. É muito complicado para um casal que deseja engravidar entender que, apesar das relações sexuais sem uso de qualquer método anticoncepcional, o filho não vem.

Isso sem contar, as comparações inevitáveis com amigos que engravidam facilmente e com as pessoas que, mesmo sem querer engravidar, acabam engravidando. Realmente, não é nada fácil lidar com essa frustração e, principalmente, com a falta de controle que ela traz consigo; já que, nem mesmo os tratamentos de infertilidade podem garantir o tão esperado bebê.

Acredito que todo momento de crise é oportunidade para crescimento pessoal, a infertilidade, sem dúvida nenhuma, pode promover amadurecimento. O reconhecimento de nossos limites é algo nobre e que requer humildade para reconhecer as coisas que não podemos controlar.

Isso, de maneira alguma, quer dizer desistir da luta pelo filho, mas sim, sermos menos rígidos com nós mesmos e não nos culparmos diante de resultados que não dependem  somente de nós.

Luciana Leis

Uma resposta em “Como controlar o incontrolável?

  1. É assim que me sinto. O texto traduz muito bem o sentimento de quem está a passar por esta situação.
    Eu pensava que tinha o controle sobre isso (também). Durante anos evitei a gravidez por várias razões. Cheguei aos 36 anos e encontrei o homem ideal para ser o pai do meu filho desde os 37 anos que tento engravidar (hoje tenho 40) e não consigo. E aí você se depara com uma das maiores frustrações da sua vida e percebe exatamente isso: você não tem controle sobre tudo. E isso transforma a tua vida.

    http://nomeiodocaminhotinhaumapedra.blogspot.com/

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