Filhos do Desejo

Soles of a Couple and Their ChildÉ fato que a maioria das pessoas quando pensam em ter um filho, logo imaginam o filho biológico.

Porém, quando o filho biológico deixa de ser possível, além da adoção tradicional, o casal pode se permitir abrir outras portas, a partir dos tratamentos de reprodução assistida, para a realização de seu sonho.

Entre as possíveis alternativas com adoção de gametas temos: a adoção de óvulo, de espermatozoides e de embrião. No entanto, a partir delas, muitos questionamentos podem surgir.

Em meio à escuta psicológica dessas pessoas, percebo que podem aparecer questionamentos a respeito de ser capaz de amar ou não essa criança vinculada geneticamente a um estranho(a). Como se a componente genético pudesse determinar, exclusivamente, o papel de pai ou mãe.

Se realmente assim fosse, o que poderíamos dizer das mulheres que abandonam seus filhos por não os desejarem e não conseguirem adotá-los emocionalmente, será que realmente são mães por terem sua carga genética relacionada à criança?

Outro questionamento comum em meio a esse tema, são as incertezas que surgem diante da maternidade tardia de certas mulheres (geralmente, após os 45 anos). “Você acha que realmente é filho dela? Provavelmente, é de ovodoação!”. Em contraponto o que eu coloco é: E se é fruto de ovodoação, não é filho dela?

Penso que com tantos avanços tecnológicos precisamos resignificar as diversas formas de maternidade/paternidade que antes das técnicas de reprodução assistida não eram possíveis.

O processo de filiação é antes de tudo emocional e depende da abertura afetiva dos futuros pais para amarem uma criança e a considerarem como filho, mesmo essa não sendo vinculada à eles por laços consanguíneos.

O desejo de ser pai e mãe é o que, realmente, possibilita que essa ligação afetiva possa acontecer, já que todo o desejo busca, de alguma forma, a satisfação.

Diante disso tudo, nos casos que envolvem adoção de gametas, pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que quem é o pai e a mãe da criança são os que a desejaram e lutaram para que ela fosse possível, afinal, existem várias portas de entrada de uma criança dentro da família.

 Luciana Leis

 

 

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