Vivência de um aborto

O teste positivo de gravidez anuncia uma nova possibilidade: tornar-se mãe. Que dádiva para quem vem sonhando com um filho há tempos! É inevitável não pensar em como serão os próximos meses com a barriga a crescer e o com o bebê a mexer dentro dela. Isso sem contar os pensamentos em como será tê-lo nos braços, seu sorriso, seu choro, suas futuras “artes”. Tudo isso enche o coração de alegria e fortalece, desde muito cedo, o vínculo com o futuro rebento.

Porém, a vida às vezes nos reserva surpresas que nunca imaginaríamos passar. De repente, o sonho parece que vira um pesadelo e tudo aquilo que idealizamos, de um momento a outro, passa a ruir. A constatação médica de que o bebezinho, que tinha tudo para se desenvolver, “parou”, é terrível e de muito difícil aceitação.

Com certeza, trata-se de uma experiência traumática, pois não há como não se traumatizar com algo tão inesperado que nos invade, sem que possamos atribuir o menor sentido para essa experiência. Afinal, essa não é a ordem natural da vida, nenhum pai e nenhuma mãe imagina enterrar um filho seu, mesmo que esse enterro seja simbólico pela ausência de um corpo físico (no caso  dos abortos em fases iniciais).

A vivência dos sentimentos de luto que toda essa experiência traz consigo é fundamental para a elaboração da mesma. É necessário sim chorar essa dor e se permitir expressar todas as revoltas que costumam aparecer em meio a esse processo.

Muitas vezes, o sentimento de culpa também pode vir associado à essa vivência, como se realmente pudesse ter sido possível evitar esse acontecimento. Dessa forma, pensamentos a respeito de não ter se resguardado tanto ou de poder ter feito algo diferente podem aparecer, como se um comportamento “x” ou “y” pudesse ter garantido (em fantasia) o bebê em casa.

Além disso, infelizmente, nossa sociedade ainda tem dificuldades em reconhecer esse tipo de luto, e frases muitas vezes que são ditas na intenção de consolo, acabam por abrir ainda mais essa ferida já exposta: ” Melhor agora, que vocês nem se apegaram ao bebê!”, “Deus sabe o que faz, provavelmente, não viria saudável”, ” Não tem problema, logo vocês engravidam de novo!”, e por aí afora…

A trabalho psicológico com um profissional capacitado pode ajudar muito na elaboração dessa vivência, uma vez que possibilita-se a diminuição dessa dor e a busca de um sentido subjetivo para esse acontecimento.

Luciana Leis

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