Ovodoação: Fazer ou não?

Olá seguidores!

Há certo tempo não posto mais nada sobre ovodoação, um assunto que muitas pacientes me escrevem para tirar dúvidas ou entender melhor.

Percebo que quando o médico indica ovodoação como possibilidade de gravidez para a mulher, geralmente, costuma ser um choque muito grande, afinal, a maioria das pessoas que buscam por tratamento, pretendem ter o filho biológico. Porém, nem sempre o bebê é possível dessa forma e outras possibilidades são colocadas pela medicina como forma de viabilizar o sonho de ser mãe.

Costumo falar com as pacientes que não é porque existe essa possibilidade  e indicação médica, que esta será a melhor para elas. Antes de mais nada, é preciso identificar se há abertura individual para aceitação desse tipo de procedimento e, com toda a certeza, isso não acontece do dia para a noite.

Percebo que com o tempo, há uma acomodação psicológica gradativa relacionada ao filho fantasiado/ idealizado e ao que é possível, sendo que adoção de óvulos começa a ser considerada como uma forma de poder vivenciar o sonho de ser mãe.

Na verdade, o filho idealizado, independente de ser biológico ou não, sempre será o filho irreal, como o próprio nome diz, é o filho ideal, que pertence ao mundo das idéias, e assim, nunca corresponderá ao real, de carne e osso.

O fato da criança ser fruto de ovodoação, se isso estiver bem trabalhado dentro do psiquismo dos próprios pais, em nada difere do filho biológico, afinal, o processo de filiação é puramente emocional, não se relaciona ao link genético, mas sim, à capacidade da pessoa conseguir dar àquela criança um lugar de filho.

Até mesmo os pais biológicos precisam adotar os próprios filhos (embora isso nunca seja falado), tanto é verdade, que vemos muitas mães biológicas abandonarem seus bebês por não conseguirem se apropriar deles, ou então, vemos rapazes que logo que engravidam suas namoradas “somem” para não terem que lidar as com as implicações da paternidade, e daí fica a pergunta: “Esses são pais?”.

Um receio que costumo notar nas mulheres que estão pensando em se submeter à ovodoação é se elas serão capazes de amar aquela criança como sua. Novamente reforço que a vinculação emocional em nada se relaciona com o filho biológico. Adotar um óvulo tem a ver com a capacidade da mulher tomar para si, como seu, o óvulo de outra, que não era dela, mas que passa a ser. A palavra adoção vem do latim “adoptio” e significa tomar para si.

Não estou negando o trabalho emocional vinculado à aceitação dessa técnica, afinal, os pais sonham em ver suas características físicas nos filhos. Entendo que essa escolha implica, de certa forma, em perder de um lado para ganhar de outro; mas não é assim mesmo em todas escolhas que fazemos? Afinal, toda escolha implica em perdas.

O que posso dizer é que o acompanhamento psicológico colabora, e muito, para a elaboração e possível aceitação desse tipo de procedimento. Percebo que as mulheres que tiveram suas questões bem trabalhadas, hoje vivenciam de forma saudável a experiência da maternidade, sendo que o fato de terem usado óvulos doado passa a ser algo muito pequeno diante da imensidão de sentimentos e emoções proporcionada pela vivência da maternidade.

Luciana Leis

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