Tratamentos para infertilidade: Qual o momento de parar?

pareOlá, Pessoal! Esses últimos meses foram bem corridos para mim e acabou não sobrando tempo para escrever algo novo… Espero não ficar mais tanto tempo sem postar…

Mas vamos ao que interessa, o post de hoje é sobre um assunto que penso que boa parte das pessoas que está passando por tratamentos para infertilidade já pensou: “Até quando insistir nos tratamentos? Qual o momento de parar?”.

Esse é um tema bastante delicado, afinal, não é fácil abrir mão do que desejamos, mesmo que seja uma escolha amplamente pensada anteriormente.

Entendo que os tratamentos de reprodução assistida não costumam ser nada fáceis de serem vivenciados, administrar expectativas, gastos financeiros e frustrações é complicado e exige esforço para manter o equilíbrio emocional.

Nos casos onde o bebê demora a vir, mesmo depois de diversas tentativas de tratamento, o questionamento sobre até quando insistir é inevitável. Percebo que algumas pessoas,com receio de que o bebê vire uma obsessão, já vão logo dizendo no início do tratamento: “Vou tentar desta vez e, no máximo, mais uma ou duas vezes! Não quero ser como certos casais que ficam tentando diversas vezes e a vida só gira em torno disso!”.

Costumo dizer que “esses casais” também não gostariam de estar vivendo o processo de diversas tentativas, mas, o vivem porque ainda acreditam que, em algum momento, o sonho do bebê em casa acontecerá.

Acredito ser complicado entrar no tratamento de infertilidade já traçando de antemão o número de tentativas a serem realizadas. Compreendo o receio das pessoas que agem assim, porém, penso que o caminho pode ser feito ao longo da caminhada. É preciso se perceber em meio a cada tentativa e não ignorar desejos e sentimentos advindos desse processo.

Atendi pacientes que com uma única tentativa acreditaram que o melhor era parar, pois foi muito difícil administrar hormônios, emoções, expectativas, casamento e frustrações. Por outro lado, há pacientes que passam por diversas tentativas frustradas e, ainda assim, não desistem e buscam forças para ir em frente.

Não existe certo ou errado na escolha entre parar ou ir em frente, desde que estas estejam sendo tomadas respeitando os limites individuais, baseadas no que cada pessoa acredita ser o melhor para si naquele momento.

Noto que alguns pacientes buscam que o médico coloque esse limite, dizendo até quando devem investir no sonho. O fato é que, para a medicina, na maioria das vezes haverá uma possibilidade, quer através dos tratamentos de reprodução assistida convencionais ou através do uso de material de terceiros. Assim, o ideal é que cada pessoa busque considerar seu limite particular.

A escolha por parar, ao contrário do que se pensa, não é nada fácil. As pessoas que optam por essa decisão , geralmente, a fazem por não suportarem mais lidar com tanta dor e decepção, com toda a falta de controle envolvida nos tratamentos. Desta maneira, decidem por abrir mão do desejo de filho para irem atrás de novos sonhos e projetos onde possam ter recompensas e alegrias mais previsíveis e que dependam mais de si próprios.

Lidar com o luto desse projeto de vida não é tarefa fácil, principalmente, aceitar que todas as tentativas envolvidas neste processo não tiveram o resultado esperado, Por outro lado, parar é uma escolha possível  e deve ser considerada quando não existem mais forças para insistir.

Luciana Leis

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