Livro ajuda casais que fizeram recepção de óvulos a contar sobre esse procedimento ao(s) filho(s)

claraOlá, pessoal!

No atendimento à casais que enfrentam dificuldades para engravidar, cada vez mais, atendo mulheres que precisam recorrer à recepção de óvulos para realizarem o sonho de terem um filho.

Em geral, o processo de aceitação de óvulos não costuma ser nada fácil, afinal, faz parte do desejo de ter um filho também ver aspectos físicos seus estampados na criança. Embora isso, não tenha a ver diretamente com a maternidade, se relaciona à construção desse filho do imaginário da mulher, com aspectos mais narcísicos do seu eu.

Quando, por alguma razão, esse filho deixa de ser possível biologicamente, a medicina reprodutiva tem como alternativa a recepção de óvulos para as mulheres que conseguem se abrir emocionalmente à essa nova possibilidade de serem mães. É verdade que o filho não sairá relacionado à elas geneticamente, mas lhes permitirá o exercício da maternidade como é em qualquer outra forma de filiação.

Percebo que, mesmo para as mulheres que aceitam esse procedimento e estão felizes com seus filhos nos braços, falar sobre a forma como foram concebidos ainda é um tabu, um assunto muito delicado e que, a maioria, prefere ignorar e deixar de lado. Falar com a criança sobre esse assunto costuma gerar insegurança, medo de causar algum tipo de dor para esta, de não ser compreendida quanto à esse tipo de escolha do passado, entre outros.

No entanto, poder ter uma relação transparente com os filhos, sem segredos, é muito importante para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Mas, para que essa história possa ser revelada, os pais precisam estar seguros quanto à decisão de contar e lidando de forma positiva com toda a história que os permitiu serem pais.

Caso haja inseguranças para revelar à criança, é sempre útil procurar um psicólogo para entender o que está gerando tais sentimentos e buscar, assim,  encontrar a melhor saída.

Foi pensando em ajudar os pais a revelar sobre a recepção de óvulos para seus filhos que a psicóloga Helena Prado escreveu o livro: “Clara, clareando: um segredo de família”. O livro é bem didático, sensível e com ilustrações lindas para agradar todos pais e crianças.

Como o livro é resultado de uma produção independente da escritora, quem tiver interesse em adquirir um exemplar, pode falar diretamente com a Helena no e-mail: helenaprado@globo.com.

Confesso que adorei a estória e recomendo a aquisição a todos pais que tiverem interesse em trabalhar esse assunto com seus pimpolhos.

Luciana Leis

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Embriões excedentes: o que representam e qual destino dar a eles?

embrião-congeladoOlá, pessoal!

O post de hoje é sobre um tema que é bastante recorrente nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e que todas as clínicas de reprodução assistida, em um momento ou outro do tratamento, irão abordar com seus pacientes: que destino dar aos embriões excedentes?

Para quem ainda não tem tanta familiaridade com os tratamentos de FIV eu vou explicar, geralmente, neste tipo de tratamento, o médico estimula os ovários da mulher para que haja uma resposta com bastante óvulos, os quais são fertilizados com o sêmen do parceiro para que se tenha uma quantidade razoável de embriões. No entanto, de acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina, deve-se transferir para o útero da mulher um número máximo de embriões de acordo com a idade desta, assim, mulheres com até 35 anos podem transferir até 2 embriões, com idade de 36 a 39 anos até 3 embriões e com idade acima de 40 anos até 4 embriões.

Porém, muitas vezes as mulheres em tratamento conseguem produzir um número de embriões superior ao que pode ser transferido, nestes casos, as clínicas de reprodução humana congelam esses embriões excedentes e pedem ao casal que definam um destino a esses, o qual pode ser: manter congelado o material para uma tentativa futura (caso o tratamento vigente não dê certo ou, mesmo esse sendo bem sucedido, para um novo bebê num momento posterior), outra opção é doar para um casal infértil ou, ainda, manter o material congelado por tempo indeterminado (em casos onde não há mais desejo de realizar tratamento e nem mesmo doar para outra pessoa). No Brasil, descartar embriões é proibido pela nossa legislação atual.

Porém, manter embriões congelados nem sempre é simples, uma vez que para muitas pessoas esses tem representações que vão muito além de “simples embriões”, representam filhos, vida, pessoas etc. Sendo que noto que dentro de cada cultura e religião esses ganham um significado diferente.

Noto que há casais que mesmo com sentimento de “família completa” após tratamento de fertilização in vitro, se sentem culpados por não sentirem desejo de transferir embriões excedentes que foram congelados, como se estivessem deixando “filhos” de lado.

Já atendi mulheres que se sentiam muito angustiadas com o fato de os embriões ficarem congelados, pois diziam que estavam sozinhos, sem ninguém ao seu lado e passando frio. Para muitos o embrião tem sim status de gente e é, inclusive, dotado de alma.

Pensar em doar embriões para outro casal, então, pode ser algo inconcebível, afinal, nestes casos, é quase como se estivesse abandonando um filho de vez, dando-o para outra família que nem se sabe quem é ou como cuidará do bebê.

Há também os casais que percebem o embrião como um amontoado de células, que, sem a transferência destes para o corpo de uma mulher para terem a chance de se tornarem bebês, não representam nada além disso.

São muitas questões subjetivas envolvidas nesta temática, afinal, perguntas sobre: onde começa a vida? O que é filho? Embrião é ou não é uma vida? Entre outros, são todos questionamentos que terão uma resposta muito particular a depender de cada indivíduo e de acordo com suas crenças, cultura e história de vida.

Assim, penso que todo casal que pretende dar início a um tratamento de FIV, deve pensar, anteriormente,  que destino pretende dar a possíveis embriões excedentes. Vale lembrar, que ter embriões excedentes, pode facilitar tratamentos futuros, uma vez que a mulher não terá  que realizar a fase de estimulação ovariana, o que pode significar menor gasto físico e financeiro.

No entanto, se o tema “congelamento de embriões”  mobiliza muita angústia, pois o casal não gostaria de ter embriões congelados de forma alguma, discutir com o médico prós e contras do congelamento em seu caso particular faz-se necessário, sempre buscando considerar seus limites individuais para evitar problemas emocionais futuros.

Luciana Leis

Será mesmo que um dia meu filho irá chegar?

incerteza-1Quem nunca se fez essa pergunta em meio ao contexto de dificuldades para engravidar? Penso que lidar dia a dia com essa incerteza é uma das coisas mais difíceis quando se está buscando ter um filho.

Já ouvi diversas vezes de pacientes: “Como é dura essa espera, se eu ao menos soubesse que em algum momento isso realmente irá acontecer, nem que demorasse, seria tudo bem menos angustiante!”. Entendo que é uma verdade, já que lidar com esse tipo de incerteza, é lidar com a possibilidade de nunca se tornar pai ou mãe.

Noto que, em meio aos tratamentos para engravidar, até mesmo em cada novo ciclo menstrual que se inicia, toda essa incerteza é colocada, de certa forma, de lado e a esperança de que o bebê está por vir alimenta o sonho de que, realmente, ele chegará. No entanto, quando a menstruação ocorre, a decepção e sentimentos de incapacidade costumam dominar, trazendo de volta, e de forma mais forte, a insegurança quanto à realização desse sonho.

Não é nada fácil lidar com essa “gangorra emocional”, onde ora parece que tudo irá dar certo e ora que tudo está perdido. Haja capacidade de resiliência para enfrentar esse processo! Porém, é justamente essa capacidade de enfrentar as adversidades que irá trazer o bebê para dentro de casa, na grande maioria dos casos.

Vontade de desistir de tudo e tirar esse desejo de dentro de si para parar de sofrer é algo bem comum entre as tentantes mais persistentes.  Há até mesmo as que começam a pensar nas vantagens de uma vida sem filhos, no entanto, tudo isso não costuma aplacar o desejo de ter uma criança; e é justamente esse desejo que impulsiona o atravessar de uma das “tempestades” mais difíceis da vida.

Coragem, persistência e certa dose de “negação” dos temores envolvidos em todo esse processo são necessários! Afinal, para se percorrer um caminho é necessário olhar para frente e manter a fé de que ele nos levará ao lugar esperado.

Luciana Leis

Por que é tão difícil lidar com a gravidez do outro quando estamos tentando engravidar?

invejaO post de hoje é sobre um tema que eu já trouxe algumas vezes aqui no blog e, como é algo que vira e mexe aparece entre as falas das mulheres que atendo ou me escrevem, resolvi  aborda-lo novamente.

Quem nunca se sentiu incomodada- em meio à dificuldade para engravidar- com a notícia de gravidez de um parente ou colega de trabalho? Ou então, com o comentário de uma amiga que diz: “Eu sabia exatamente quando estava ovulando e programei direitinho a chegada do meu bebê!”, se duvidar, essa mesma amiga também disse que programou o dia da relação sexual para que fosse menino ou menina! Aff! Às vezes as pessoas, realmente, acreditam que são onipotentes e que controlam tudo!

Esse sentimento de incômodo, de certa inveja, tem a ver com o desejo que temos de estar no lugar do outro, o qual está vivendo uma situação muito desejada por nós. Aliás, na maioria das vezes, noto que é muito difícil assumir o sentimento de inveja, pois ele é condenado pela nossa sociedade e, o sentir gera culpa e até mesmo pensamentos do tipo: “Vai ver que é porque sinto isso que não engravido! Estou sendo castigada(o)!”.

O fato é que, na verdade, não é a gravidez do outro que incomoda, mas sim o fato da gravidez não estar acontecendo conosco. Desta forma, nossa frustração com essa situação fica projetada no incômodo que sentimos do outro ter engravidado antes de nós, do outro poder viver essa experiência enquanto ainda estamos aguardando a nossa vez.

É muito difícil não se comparar, parece que o mundo todo engravida menos você, quando se está enfrentando dificuldades para ter um filho! Nas ruas, no ambiente de trabalho, no shopping, nas reuniões de família, sempre há uma grávida exibindo sua bela barriga. É incrível como nossa percepção muda neste momento e só enxergamos o que se relaciona com a nossa vivência!

Lidar com frustração, com o fato das coisas nem sempre serem do nosso jeito e no nosso tempo é complicado. Ninguém escolhe ter dificuldades para gerar um filho, isso escapa ao nosso controle, mas, é preciso enfrentar essa situação e aprender a lidar com os sentimentos dela decorrentes para não ficarmos só “no lado escuro da vida”. Buscar meios de “poder clarear” e encontrar paz/alegria em outras coisas, enquanto o bebê não vem, é possível e a psicoterapia muito pode ajudar nesse processo.

Luciana Leis

O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

folder-jornada

O impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres

casalOlá seguidores! Tudo bem?

No post anterior comentei que postaria, aqui neste espaço, a minha outra pesquisa que foi aprovada no Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana. Pois aqui está ela!

Desta vez, o tema foi sobre o impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres. Participaram do estudo 150 mulheres e 150 homens, ambos inférteis. Utilizei o teste do Quociente Sexual Feminino e Masculino para avaliar a sexualidade dos participantes.Como resultado observei que a sexualidade feminina sofreu significantemente maior prejuízo que a masculina. Além disso, os homens apresentaram menos disfunção de desejo sexual (6.7% versus 14.7%-p=0.025) de excitação sexual (0.7%versus 12%-p<0.001) e de orgasmo ( 0.7% versus 20% -p<0.001) que as mulheres.

Penso que esse dado não surpreende a maioria das pessoas que está vivenciando dificuldades para engravidar. Porém, acredito ser importante ressaltar que, embora o reflexo da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres demonstre ser diferente, isso, de modo algum, significa que os homens sofram menos com esse problema. A infertilidade costuma gerar sofrimento em ambos, porém, sofrimento é algo subjetivo e vivenciado de diferentes maneiras.

Luciana Leis