Por que é tão difícil lidar com a gravidez do outro quando estamos tentando engravidar?

invejaO post de hoje é sobre um tema que eu já trouxe algumas vezes aqui no blog e, como é algo que vira e mexe aparece entre as falas das mulheres que atendo ou me escrevem, resolvi  aborda-lo novamente.

Quem nunca se sentiu incomodada- em meio à dificuldade para engravidar- com a notícia de gravidez de um parente ou colega de trabalho? Ou então, com o comentário de uma amiga que diz: “Eu sabia exatamente quando estava ovulando e programei direitinho a chegada do meu bebê!”, se duvidar, essa mesma amiga também disse que programou o dia da relação sexual para que fosse menino ou menina! Aff! Às vezes as pessoas, realmente, acreditam que são onipotentes e que controlam tudo!

Esse sentimento de incômodo, de certa inveja, tem a ver com o desejo que temos de estar no lugar do outro, o qual está vivendo uma situação muito desejada por nós. Aliás, na maioria das vezes, noto que é muito difícil assumir o sentimento de inveja, pois ele é condenado pela nossa sociedade e, o sentir gera culpa e até mesmo pensamentos do tipo: “Vai ver que é porque sinto isso que não engravido! Estou sendo castigada(o)!”.

O fato é que, na verdade, não é a gravidez do outro que incomoda, mas sim o fato da gravidez não estar acontecendo conosco. Desta forma, nossa frustração com essa situação fica projetada no incômodo que sentimos do outro ter engravidado antes de nós, do outro poder viver essa experiência enquanto ainda estamos aguardando a nossa vez.

É muito difícil não se comparar, parece que o mundo todo engravida menos você, quando se está enfrentando dificuldades para ter um filho! Nas ruas, no ambiente de trabalho, no shopping, nas reuniões de família, sempre há uma grávida exibindo sua bela barriga. É incrível como nossa percepção muda neste momento e só enxergamos o que se relaciona com a nossa vivência!

Lidar com frustração, com o fato das coisas nem sempre serem do nosso jeito e no nosso tempo é complicado. Ninguém escolhe ter dificuldades para gerar um filho, isso escapa ao nosso controle, mas, é preciso enfrentar essa situação e aprender a lidar com os sentimentos dela decorrentes para não ficarmos só “no lado escuro da vida”. Buscar meios de “poder clarear” e encontrar paz/alegria em outras coisas, enquanto o bebê não vem, é possível e a psicoterapia muito pode ajudar nesse processo.

Luciana Leis

O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

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O impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres

casalOlá seguidores! Tudo bem?

No post anterior comentei que postaria, aqui neste espaço, a minha outra pesquisa que foi aprovada no Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana. Pois aqui está ela!

Desta vez, o tema foi sobre o impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres. Participaram do estudo 150 mulheres e 150 homens, ambos inférteis. Utilizei o teste do Quociente Sexual Feminino e Masculino para avaliar a sexualidade dos participantes.Como resultado observei que a sexualidade feminina sofreu significantemente maior prejuízo que a masculina. Além disso, os homens apresentaram menos disfunção de desejo sexual (6.7% versus 14.7%-p=0.025) de excitação sexual (0.7%versus 12%-p<0.001) e de orgasmo ( 0.7% versus 20% -p<0.001) que as mulheres.

Penso que esse dado não surpreende a maioria das pessoas que está vivenciando dificuldades para engravidar. Porém, acredito ser importante ressaltar que, embora o reflexo da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres demonstre ser diferente, isso, de modo algum, significa que os homens sofram menos com esse problema. A infertilidade costuma gerar sofrimento em ambos, porém, sofrimento é algo subjetivo e vivenciado de diferentes maneiras.

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

relacionamento  Olá, seguidores!

Gostaria de compartilhar com vcs uma série de entrevistas que concedi ao site: “Ficar Grávida”. Estou publicando abaixo uma delas e, em breve, posto as outras. Abçs à todos!

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

O estresse causado pelas tentativas malsucedidas de gravidez pode desgastar o relacionamento entre o casal. Por isso, é essencial que o casal cuide da relação para suportar essa espera unidos. Não deixe que isso afete o seu relacionamento! Confira as dicas da psicóloga Luciana Leis – especialista em casais com dificuldades para engravidar.

1 – Mantenha a rotina

É importante manter a rotina que o casal tinha antes das tentativas. Trabalhem normalmente, visitem lugares que vocês costumavam ir antes de começarem a tentar engravidar. Não deixe que apenas o tema gravidez reja do relacionamento de você.

2 – Amplie as horas de lazer

Façam viagens para lugares especiais, saiam para jantar a dois e também com amigos, surpreenda o seu parceiro. Programas especiais são essenciais para o casal espairecer e tentar aliviar o peso das tentativas malsucedidas.

3 – Abra o coração

Luciana Leis diz que o diálogo entre o casal é imprescindível. “Dividam os sentimentos de frustação e ansiedade que essa vivência costuma trazer. Afinal, ambos estão passando pelo mesmo processo”.

4 – Não culpe o outro

Sejam parceiros! Não culpe o parceiro que apresenta o fator físico que dificulta a gravidez. Ninguém escolhe ter dificuldades para engravidar. Não estar conseguindo engravidar, é um problema do casal e não de um só.

5 – Resgatem sentimentos

Procurem resgatar os motivos que levaram vocês a se escolherem enquanto casal. Enquanto a gravidez não acontece, invistam no cuidado de um com o outro. Lembre-se: vocês não escolheram estar juntos através de um teste de fertilidade.

Fonte: http://www.ficargravida.com.br/comportamento/5-dicas-para-nao-deixar-as-tentativas-de-engravidar-desgastarem-relacao/

“Dia das Mães”e infertilidade: a difícil espera

sonho-de-ser-maeOi, pessoal!

Penso que num blog que trata do tema sobre dificuldades para engravidar não tem como passar desapercebido o assunto “Dia das Mães” em meio a esse contexto.

Em outros anos já escrevi sobre esse dia, principalmente, reconhecendo que essa é uma data difícil a toda tentante e falando sobre a importância em não desistir do sonho pelo filho, mesmo em meio às dificuldades.

Neste ano, irei abordar esse assunto de outra forma, penso ser importante falar sobre os diversos caminhos possíveis à maternidade, ou seja, sobre as diferentes vias de acesso à realização desse desejo que pertence à maioria das mulheres.

Primeiramente, penso ser importante colocar que nenhum casal escolhe que irá ter dificuldades para engravidar, esse evento simplesmente acontece e obriga, inevitavelmente, os envolvidos nesta história a reverem seus próprios desejos por esse filho que ainda não veio e os modos de poder chegar até ele.

A grande verdade é que, depois que se constata que há um problema para engravidar, o mundo a sua volta parece ter mudado o sentido, há uma perda do modo anterior de viver, as coisas que antes lhe eram prazerosas não tem mais o mesmo brilho, a mesma intensidade de cores; o vazio invade a alma e a incerteza diante de se algum dia será possível a realização desse desejo, atormenta até mesmo as pessoas mais otimistas.

Não é raro eu escutar em meio aos atendimentos de mulheres com dificuldades para engravidar: “Se eu tivesse certeza de que em algum momento meu bebê vai chegar, mesmo que demorasse, tudo seria diferente…. a dúvida é que me mata!”. Realmente, não é nada fácil lidar com tanta incerteza e com os sentimentos de menos valia e incapacidade que costumam vir associados a toda esse vivência.

Isso sem contar que o mundo a sua volta não pára, e as pessoas que te cercam engravidam, tem filhos, te convidam para chá de bebê, aniversários de criança e por aí vai… quem está passando pela infertilidade sabe bem do que estou falando. E, como se não bastasse, além desses eventos já citados, temos também o “Dia das Mães”, data que tem um sentido totalmente diferente quando se está buscando engravidar e não mais ser somente filha.

São muitos enfrentamentos necessários para tentar estar bem enquanto esse filho não vem, porém, eu diria que enfrentamentos importantes e que poderão trazer um imenso amadurecimento depois que tudo isso passar.

Cada mulher, cada casal, diante do vazio do filho, pode buscar alternativas para realização de seu desejo. A via da reprodução natural é um caminho possível para a maioria dos casais, mas não para todos. Há casais que diante da dificuldade de gravidez, precisarão buscar outras vias para que esse filho possa chegar até eles. Os tratamentos de reprodução assistida, geralmente, conseguem ajudar a maioria das pessoas que o procuram, porém, mesmo com a ajuda desses, em alguns casos, o filho idealizado precisa passar por algumas alterações importantes no imaginário de seus pais.

Estou me referindo aos casais que, por alguma razão, são diagnosticados com ausência ou baixíssima qualidade de óvulos ou espermatozoides e, diante desse quadro, precisam recorrer a material de terceiros para realização do projeto parental. Percebo que são situações onde há grande angústia envolvida na decisão de aceitação ou não desse material, porém, quando essa se torna possível e o bebê chega, os momentos de alegria e plenitude não são menos legítimos do que os casais que fizeram tratamento com seu próprio material.

Além disso, há casais que, por razões financeiras, de não aceitação de tratamentos ou de outra ordem, optam pela adoção como via de chegada até seu rebento. O caminho também não costuma ser muito fácil, escolher o perfil da criança, ser avaliado para se tornar pai e mãe e esperar até o dia para tê-lo nos braços exige paciência e também persistência no sonho, porém, quando essa família se encontra, a felicidade transborda neste novo lar, a arte deste encontro tão feliz enche de afeto todos envolvidos nesta história, afinal, o processo de filiação é puramente emocional e não tem nada a ver com genética.

Portanto, percebemos que existem muitos caminhos possíveis para a constituição de uma família e, a grande verdade, é que não temos controle algum sobre esse processo, mas temos sim, formas de buscar que esse bebê possa chegar nós, sendo que o caminho a ser escolhido, dependerá da abertura de cada um para as diversas formas de se tornar pai e mãe.

Desejo a todas tentantes que o próximo “Dia das Mães” possa ser muito diferente, continuem insistindo nos seus sonhos e buscando formas de concretizá-lo, afinal, o sonho só se torna realidade para quem o sonhou!

Luciana Leis

Dicas de boas maneiras frente à perda gestacional

Olá, seguidores, hoje quero dividir com vcs um texto bem bacana que todos que sofreram aborto ou fracasso de tentativas de tratamento para engravidar , provavelmente, irão se identificar. O texto é de autoria desconhecida, porém, ele está no Blog da Dra Luciana Herrero. Boa leitura!

Carta de uma mãe que perdeu o seu bebêcoração despedaçado

Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um bebê, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está procurado por opiniões  sobre porque isto aconteceu ou como ela deveria se comportar.

Não diga: É a vontade de Deus. Mesmo se nós somos membros de uma mesma congregação, a menos que você seja um dirigente desta igreja e eu estiver procurando por sua orientação espiritual, por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra. Ele apenas permite. Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis.

Não diga: Foi melhor assim havia alguma coisa errada com seu bebê. O fato de haver alguma coisa errada com o bebê é que me faz tão triste. Meu pobre bebê não teve chance. Por favor, não tente me confortar destacando isto.

Não diga: Você pode ter outro. Este bebê nunca foi descartável. Se tivesse a escolha entre perder esta criança ou furar meu olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta criança, assim como você morreria por seu filho. Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi.

Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?

Não diga: Agradeça a Deus porque você perdeu seu filho antes de amá-lo realmente. Eu amava meu filho ou minha filha. Ainda que eu tenha perdido meu bêbê tão cedo ou quando nasceu, eu o amava.

Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre. A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu.

Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um bebê, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente. Não me conte estórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas estórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.

Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser coisas de antes do bebê morrer… Ou de quando eu estava grávida…não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Por favor, deixe-me falar.  Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha.

Não diga: Não é sua culpa. Talvez não tenha sido minha culpa, mas no fundo sinto que falhei.  Eu estou tão brava com meu corpo que você não pode imaginar.

Não me diga: Bem, você não estava tão certa se queria ter este bebê… Eu já me sinto muito culpada sobre ter reclamado sobre mal estar matinais ou que eu não me sentia preparada para esta gravidez ou coisas assim. Eu já temo que este bebê morreu porque eu não tomei as vitaminas, comi ou tomei algo que não devia nas primeiras semanas quando eu não sabia que estava grávida.   Eu me odeio por cada minuto que eu tenha limitado a vida deste bebê. Se sentir insegura sobre uma gravidez não é a mesma coisa que querer que meu bebê morra, eu nunca teria feito esta escolha.

Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloqüente. As palavras dizem por si.           

Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos.          

Diga: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou vocês são os pais mais maravilhosos e este bebê teve sorte em ter vocês. Nós dois precisamos disso.   

Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir que meu bebê era amado. Não envie novamente se eu não responder.       

Não ligue mais de uma vez e não fique brava (o) se a secretária eletrônica estiver ligada e eu não retornar sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, não tente novamente. Ajude-me desta maneira por enquanto.            Não espere tão cedo que eu apareça em festas infantis e ou chás para bebes ou vibre de alegria no dia das mães. Na hora certa estarei lá.

Se você é meu chefe ou companheiro de trabalho:   Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica. Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço.

Por favor, não traga seu bebê ou filho pequeno para eu ver. Nem fotos. Se sua sobrinha está grávida, ou sua irmã teve um bebê há pouco, por favor, não divida comigo agora. Não é que eu não possa ficar feliz por ninguém mais, é só que cada vez que vejo um bebê sorrindo ou uma mãe envolta nesta felicidade, me traz tanta saudade ao coração que eu mal posso agüentar. Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas.

Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta. Eu serei aquela que perguntará pelos bebes, ou como está aquele garotinho lindo?

Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu.

A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte do meu bebê é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto.

(autor desconhecida, adaptação Dra. Luciana Herrero)