Como buscar forças para ir em frente?

lutaOlá, pessoal!

Depois de um loooongo tempo sem escrever no blog, finalmente, consegui um tempinho para postar sobre uma questão que considero ser de extrema importância: como conseguir buscar forças para ir em frente depois de tantas frustrações na busca pela gravidez?

Todos sabemos que não é nada fácil lidar com as diversas decepções envolvidas no processo de busca pelo filho. Digo diversas, pois sei que a chegada da menstruação ou o exame de beta negativo podem ser apenas algumas delas, uma vez que muitas outras podem estar embutidas neste meio, intensificando ainda mais essa dor, por exemplo: falta de resposta ao estímulo da ovulação, ausência de óvulos na punção, ausência de embriões a serem transferidos, abortos, adiamento do tratamento devido à necessidade de cirurgia ou exame complementar e muitos outros imprevistos que deixam essa caminhada ainda mais difícil.

Percebo que muitos casais chegam a apresentar um esgotamento físico e emocional, devido aos desgastes provocados pela busca de gravidez, quer seja através dos tratamentos ou não.

Porém, infelizmente, ainda não existe um botãozinho onde se “liga” ou “desliga” o desejo de filhos. Embora eu note que, em certos momentos, a vontade de muitos casais é de desistir e deixar essa história de lado, em contrapartida, a presença do desejo de filhos faz renovar a esperança e os mantém tentando um resultado diferente do negativo.

Mas, para tentar é necessário energia, força, e essa não brota simplesmente do nada para investirmos nos nossos sonhos. Primeiramente, precisamos estar, minimamente bem, para conseguirmos resgatar essa energia a nosso favor.

E para estar “minimamente bem” é necessário cuidar de si. Cuidar sim do desejo de filho que ainda não foi realizado, mas, também poder cuidar dos outros desejos que existem dentro de você e que são mais possíveis de se ter acesso imediato, pois pode-se exercer um certo “controle” para sua realização.

Assim, vale a pena pensar em fazer aquele curso que há tempos você gostaria de se matricular, aquele esporte que você deixou de cogitar para si ou aquela viagem que você e seu marido planejavam realizar. Todos esses planos adiados pois “vai que você engravida!”.

Não é raro se ter a sensação de que a vida fica parada em função da busca pelo filho, e isso acontece, justamente, pela dificuldade que temos de investir em outros projetos de forma concomitante. Muitas pessoas acreditam que precisam priorizar o tratamento e essa busca para que o bebê possa chegar, como se o filho fosse vir como merecimento à toda essa dedicação, sendo que isso, na verdade, não é garantia de resultado algum.

Reflita que justamente na realização desses projetos paralelos que se pode ter mais alegria, melhor autoestima e determinação. Tudo isso colabora para nos deixar mais fortes e com mais energia para lutar e não desistirmos do sonho de  ter o filho nos braços.

Luciana Leis

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Livro ajuda casais que fizeram recepção de óvulos a contar sobre esse procedimento ao(s) filho(s)

claraOlá, pessoal!

No atendimento à casais que enfrentam dificuldades para engravidar, cada vez mais, atendo mulheres que precisam recorrer à recepção de óvulos para realizarem o sonho de terem um filho.

Em geral, o processo de aceitação de óvulos não costuma ser nada fácil, afinal, faz parte do desejo de ter um filho também ver aspectos físicos seus estampados na criança. Embora isso, não tenha a ver diretamente com a maternidade, se relaciona à construção desse filho do imaginário da mulher, com aspectos mais narcísicos do seu eu.

Quando, por alguma razão, esse filho deixa de ser possível biologicamente, a medicina reprodutiva tem como alternativa a recepção de óvulos para as mulheres que conseguem se abrir emocionalmente à essa nova possibilidade de serem mães. É verdade que o filho não sairá relacionado à elas geneticamente, mas lhes permitirá o exercício da maternidade como é em qualquer outra forma de filiação.

Percebo que, mesmo para as mulheres que aceitam esse procedimento e estão felizes com seus filhos nos braços, falar sobre a forma como foram concebidos ainda é um tabu, um assunto muito delicado e que, a maioria, prefere ignorar e deixar de lado. Falar com a criança sobre esse assunto costuma gerar insegurança, medo de causar algum tipo de dor para esta, de não ser compreendida quanto à esse tipo de escolha do passado, entre outros.

No entanto, poder ter uma relação transparente com os filhos, sem segredos, é muito importante para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Mas, para que essa história possa ser revelada, os pais precisam estar seguros quanto à decisão de contar e lidando de forma positiva com toda a história que os permitiu serem pais.

Caso haja inseguranças para revelar à criança, é sempre útil procurar um psicólogo para entender o que está gerando tais sentimentos e buscar, assim,  encontrar a melhor saída.

Foi pensando em ajudar os pais a revelar sobre a recepção de óvulos para seus filhos que a psicóloga Helena Prado escreveu o livro: “Clara, clareando: um segredo de família”. O livro é bem didático, sensível e com ilustrações lindas para agradar todos pais e crianças.

Como o livro é resultado de uma produção independente da escritora, quem tiver interesse em adquirir um exemplar, pode falar diretamente com a Helena no e-mail: helenaprado@globo.com.

Confesso que adorei a estória e recomendo a aquisição a todos pais que tiverem interesse em trabalhar esse assunto com seus pimpolhos.

Luciana Leis

Embriões excedentes: o que representam e qual destino dar a eles?

embrião-congeladoOlá, pessoal!

O post de hoje é sobre um tema que é bastante recorrente nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e que todas as clínicas de reprodução assistida, em um momento ou outro do tratamento, irão abordar com seus pacientes: que destino dar aos embriões excedentes?

Para quem ainda não tem tanta familiaridade com os tratamentos de FIV eu vou explicar, geralmente, neste tipo de tratamento, o médico estimula os ovários da mulher para que haja uma resposta com bastante óvulos, os quais são fertilizados com o sêmen do parceiro para que se tenha uma quantidade razoável de embriões. No entanto, de acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina, deve-se transferir para o útero da mulher um número máximo de embriões de acordo com a idade desta, assim, mulheres com até 35 anos podem transferir até 2 embriões, com idade de 36 a 39 anos até 3 embriões e com idade acima de 40 anos até 4 embriões.

Porém, muitas vezes as mulheres em tratamento conseguem produzir um número de embriões superior ao que pode ser transferido, nestes casos, as clínicas de reprodução humana congelam esses embriões excedentes e pedem ao casal que definam um destino a esses, o qual pode ser: manter congelado o material para uma tentativa futura (caso o tratamento vigente não dê certo ou, mesmo esse sendo bem sucedido, para um novo bebê num momento posterior), outra opção é doar para um casal infértil ou, ainda, manter o material congelado por tempo indeterminado (em casos onde não há mais desejo de realizar tratamento e nem mesmo doar para outra pessoa). No Brasil, descartar embriões é proibido pela nossa legislação atual.

Porém, manter embriões congelados nem sempre é simples, uma vez que para muitas pessoas esses tem representações que vão muito além de “simples embriões”, representam filhos, vida, pessoas etc. Sendo que noto que dentro de cada cultura e religião esses ganham um significado diferente.

Noto que há casais que mesmo com sentimento de “família completa” após tratamento de fertilização in vitro, se sentem culpados por não sentirem desejo de transferir embriões excedentes que foram congelados, como se estivessem deixando “filhos” de lado.

Já atendi mulheres que se sentiam muito angustiadas com o fato de os embriões ficarem congelados, pois diziam que estavam sozinhos, sem ninguém ao seu lado e passando frio. Para muitos o embrião tem sim status de gente e é, inclusive, dotado de alma.

Pensar em doar embriões para outro casal, então, pode ser algo inconcebível, afinal, nestes casos, é quase como se estivesse abandonando um filho de vez, dando-o para outra família que nem se sabe quem é ou como cuidará do bebê.

Há também os casais que percebem o embrião como um amontoado de células, que, sem a transferência destes para o corpo de uma mulher para terem a chance de se tornarem bebês, não representam nada além disso.

São muitas questões subjetivas envolvidas nesta temática, afinal, perguntas sobre: onde começa a vida? O que é filho? Embrião é ou não é uma vida? Entre outros, são todos questionamentos que terão uma resposta muito particular a depender de cada indivíduo e de acordo com suas crenças, cultura e história de vida.

Assim, penso que todo casal que pretende dar início a um tratamento de FIV, deve pensar, anteriormente,  que destino pretende dar a possíveis embriões excedentes. Vale lembrar, que ter embriões excedentes, pode facilitar tratamentos futuros, uma vez que a mulher não terá  que realizar a fase de estimulação ovariana, o que pode significar menor gasto físico e financeiro.

No entanto, se o tema “congelamento de embriões”  mobiliza muita angústia, pois o casal não gostaria de ter embriões congelados de forma alguma, discutir com o médico prós e contras do congelamento em seu caso particular faz-se necessário, sempre buscando considerar seus limites individuais para evitar problemas emocionais futuros.

Luciana Leis

Neste Dia das Mães, data que costuma ser difícil para quem ainda não tem seu desejo de ser mãe realizado, compartilho um post da minha querida colega e também psicóloga, Keith Laura.

Vamos em frente! Sempre na esperança de em breve termos esse tão sublime desejo realizado!

Beijos à todas!

Luciana Leis!

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Hoje é dia das mães!

Sim, a maternagem pode ser feita em vários contextos, se considerarmos que se trata de uma conduta de cuidado, dedicação e a soma de muitos afetos. Porém sei que para quem quer ter um filho, seja gerando ou adotando, e se vê impedido em dado momento, muitas vezes saber disso não consola.

Creio ser a concepção algo que precede o fenômeno do um encontro de um óvulo com um espermatozóide. Uma das coisas que se acredita em psicanálise em relação a ter filhos é: um filho é gerado primeiramente no desejo. Portanto, uma mulher começa a gerar um filho a partir do desejo de ser mãe.

Desejo um feliz dia das mães para todas que já tem seus filhos em seus braços. Para todas que estão vendo seus filhos crescerem ou já os tem crescidos. Para todas as que estão grávidas. E especialmente para todas que já conceberam seu filho no desejo, em seu coração, pois agora é só uma questão de tempo e paciência para que esse desejo se torne realidade. Podem ter certeza que eu estarei com vocês nesta caminhada.

Agradeço aos profissionais que ajudam a transformar esse desejo em realidade! Esse dia também é um pouco de vocês. O trabalho de vocês é de um valor inestimável!

Feliz Dia das Mães!!!

O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

Nova gravidez após experiência de aborto

abortoA experiência de passar por um (ou mais) aborto(s) não é nada fácil, afinal, perda de filho é uma das perdas mais difíceis de serem elaboradas, não segue a ordem natural da vida- onde os pais partem primeiro- e é um processo complicado conseguir dar nome e lugar à essa dor, que aliás, nem nome tem, pois quando um filho perde os pais fica órfão, já o contrário, não existe nome.

Trata-se de um enlutamento muito singular, não de alguém objetivamente conhecido, mas de um bebê imaginário, o qual já vinha construindo vínculos antes mesmo de nascer. Não é à toa que essa dor é tão profunda e a ferida que ela deixa de difícil cicatrização.

Além disso, por se tratar de uma morte tão precoce, o aborto tende a ter dificuldade em ser reconhecido como perda de alguém pela sociedade, a qual, em geral, não lida bem com a morte, principalmente, de bebês. Frases como: “Foi melhor assim, ter um filho com problema seria muito pior”, “Antes agora que não deu tempo de você se apegar!” entre outras, são bastantes ouvidas pelas mulheres que já abortaram e só prejudicam que o luto por esse filho possa ser elaborado.

Percebemos que a mulher que sofre aborto fica perdida emocionalmente diante dessa dor, onde sente-se triste pela perda, mas, ao mesmo tempo, não tem seu luto autorizado de ser vivenciado pelos que estão à sua volta.

Somado à isso, o “fator surpresa” que, na maioria das vezes, essa experiência traz consigo, colabora por dificultar ainda mais o trabalho de elaboração desse tipo de perda, pois, quando somos pegos desprevenidos por algo, esse algo tende a se tornar um evento traumático para nosso psiquismo. Assim, muitas mulheres que passaram por essa experiência tentam evitar lembrar desse acontecimento, virar a página; além disso, se armam de uma série de defesas psicológicas para evitar o sofrimento novamente (como se isso fosse possível) na gravidez de um outro filho.

Notamos que a nova gravidez de uma mulher que sofreu aborto anterior vem marcada de uma forma diferente, ou seja, por medos e inseguranças diferentes das mulheres que não passaram por esse tipo de experiência. O fantasma da possibilidade de uma nova perda atormenta a todo tempo essa gestante, a qual, na maioria das vezes,  passa a ter dificuldades de investir nessa nova gravidez por medo de um novo aborto.

No atendimento à essas mulheres percebo que há dificuldade em fantasiar o bebê, receio de contar às outras pessoas sobre a gravidez e medo de comprar o enxoval para o novo rebento.

Mathelin (1999)  explica que quando uma grávida prepara o enxoval do seu filho “fabrica” para além das roupas, os braços, as pernas, a imagem do corpo do seu bebê em sua cabeça. A criança começa a tomar forma não só no ventre de sua mãe, mas também em sua fala, no seu desejo.

Porém, se o luto pelo filho anterior não tiver sido vivenciado  e elaborado, o investimento nesse novo bebê  ficará prejudicado,  fazendo com que a mulher se mantenha em um constante estado de alerta e angústia nesta  gravidez. A dificuldade na diferenciação da gestação que não vingou da atual é muito comum e merece cuidado psicológico para que não venha atrapalhar o sossego e o cuidado da grávida para com seu novo bebê.

O acompanhamento psicológico pós aborto, auxilia a mulher a dar contorno e significados a essa experiência, abrindo espaço para um novo bebê, o qual é único e necessita do investimento emocional de seus pais.

Luciana Leis

 

 

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

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