Neste Dia das Mães, data que costuma ser difícil para quem ainda não tem seu desejo de ser mãe realizado, compartilho um post da minha querida colega e também psicóloga, Keith Laura.

Vamos em frente! Sempre na esperança de em breve termos esse tão sublime desejo realizado!

Beijos à todas!

Luciana Leis!

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Hoje é dia das mães!

Sim, a maternagem pode ser feita em vários contextos, se considerarmos que se trata de uma conduta de cuidado, dedicação e a soma de muitos afetos. Porém sei que para quem quer ter um filho, seja gerando ou adotando, e se vê impedido em dado momento, muitas vezes saber disso não consola.

Creio ser a concepção algo que precede o fenômeno do um encontro de um óvulo com um espermatozóide. Uma das coisas que se acredita em psicanálise em relação a ter filhos é: um filho é gerado primeiramente no desejo. Portanto, uma mulher começa a gerar um filho a partir do desejo de ser mãe.

Desejo um feliz dia das mães para todas que já tem seus filhos em seus braços. Para todas que estão vendo seus filhos crescerem ou já os tem crescidos. Para todas as que estão grávidas. E especialmente para todas que já conceberam seu filho no desejo, em seu coração, pois agora é só uma questão de tempo e paciência para que esse desejo se torne realidade. Podem ter certeza que eu estarei com vocês nesta caminhada.

Agradeço aos profissionais que ajudam a transformar esse desejo em realidade! Esse dia também é um pouco de vocês. O trabalho de vocês é de um valor inestimável!

Feliz Dia das Mães!!!

O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

Nova gravidez após experiência de aborto

abortoA experiência de passar por um (ou mais) aborto(s) não é nada fácil, afinal, perda de filho é uma das perdas mais difíceis de serem elaboradas, não segue a ordem natural da vida- onde os pais partem primeiro- e é um processo complicado conseguir dar nome e lugar à essa dor, que aliás, nem nome tem, pois quando um filho perde os pais fica órfão, já o contrário, não existe nome.

Trata-se de um enlutamento muito singular, não de alguém objetivamente conhecido, mas de um bebê imaginário, o qual já vinha construindo vínculos antes mesmo de nascer. Não é à toa que essa dor é tão profunda e a ferida que ela deixa de difícil cicatrização.

Além disso, por se tratar de uma morte tão precoce, o aborto tende a ter dificuldade em ser reconhecido como perda de alguém pela sociedade, a qual, em geral, não lida bem com a morte, principalmente, de bebês. Frases como: “Foi melhor assim, ter um filho com problema seria muito pior”, “Antes agora que não deu tempo de você se apegar!” entre outras, são bastantes ouvidas pelas mulheres que já abortaram e só prejudicam que o luto por esse filho possa ser elaborado.

Percebemos que a mulher que sofre aborto fica perdida emocionalmente diante dessa dor, onde sente-se triste pela perda, mas, ao mesmo tempo, não tem seu luto autorizado de ser vivenciado pelos que estão à sua volta.

Somado à isso, o “fator surpresa” que, na maioria das vezes, essa experiência traz consigo, colabora por dificultar ainda mais o trabalho de elaboração desse tipo de perda, pois, quando somos pegos desprevenidos por algo, esse algo tende a se tornar um evento traumático para nosso psiquismo. Assim, muitas mulheres que passaram por essa experiência tentam evitar lembrar desse acontecimento, virar a página; além disso, se armam de uma série de defesas psicológicas para evitar o sofrimento novamente (como se isso fosse possível) na gravidez de um outro filho.

Notamos que a nova gravidez de uma mulher que sofreu aborto anterior vem marcada de uma forma diferente, ou seja, por medos e inseguranças diferentes das mulheres que não passaram por esse tipo de experiência. O fantasma da possibilidade de uma nova perda atormenta a todo tempo essa gestante, a qual, na maioria das vezes,  passa a ter dificuldades de investir nessa nova gravidez por medo de um novo aborto.

No atendimento à essas mulheres percebo que há dificuldade em fantasiar o bebê, receio de contar às outras pessoas sobre a gravidez e medo de comprar o enxoval para o novo rebento.

Mathelin (1999)  explica que quando uma grávida prepara o enxoval do seu filho “fabrica” para além das roupas, os braços, as pernas, a imagem do corpo do seu bebê em sua cabeça. A criança começa a tomar forma não só no ventre de sua mãe, mas também em sua fala, no seu desejo.

Porém, se o luto pelo filho anterior não tiver sido vivenciado  e elaborado, o investimento nesse novo bebê  ficará prejudicado,  fazendo com que a mulher se mantenha em um constante estado de alerta e angústia nesta  gravidez. A dificuldade na diferenciação da gestação que não vingou da atual é muito comum e merece cuidado psicológico para que não venha atrapalhar o sossego e o cuidado da grávida para com seu novo bebê.

O acompanhamento psicológico pós aborto, auxilia a mulher a dar contorno e significados a essa experiência, abrindo espaço para um novo bebê, o qual é único e necessita do investimento emocional de seus pais.

Luciana Leis

 

 

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

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Homenagem ao “Dia dos Futuros Papais”

Olá, seguidores!

Com a proximidade do “Dia dos Pais” quero dividir com vcs o comercial deste ano do chocolate Ferrero Rocher. O comercial aborda, de forma sutil, a conquista da gravidez no contexto da dificuldade de gravidez.

Penso que não podemos esquecer que os homens também sofrem em meio à infertilidade e e, em grande parte das vezes, são o ombro que nos acalenta nas decepções e o incentivo a não desistirmos do sonho. Fica aqui minha homenagem aos futuros papais!

Luciana Leis

 

Dicas de boas maneiras frente à perda gestacional

Olá, seguidores, hoje quero dividir com vcs um texto bem bacana que todos que sofreram aborto ou fracasso de tentativas de tratamento para engravidar , provavelmente, irão se identificar. O texto é de autoria desconhecida, porém, ele está no Blog da Dra Luciana Herrero. Boa leitura!

Carta de uma mãe que perdeu o seu bebêcoração despedaçado

Quando estiver tentando ajudar uma mulher que perdeu um bebê, não ofereça sua opinião pessoal sobre sua vida, suas escolhas, seus projetos para seus filhos. Nenhuma mulher nesta situação está procurado por opiniões  sobre porque isto aconteceu ou como ela deveria se comportar.

Não diga: É a vontade de Deus. Mesmo se nós somos membros de uma mesma congregação, a menos que você seja um dirigente desta igreja e eu estiver procurando por sua orientação espiritual, por favor, não deduza o que Deus quer para mim. A vontade de Deus é que ninguém sofra. Ele apenas permite. Apesar de saber que muitas coisas terríveis que acontecem são permitidos por Deus, isto não faz estes acontecimentos menos terríveis.

Não diga: Foi melhor assim havia alguma coisa errada com seu bebê. O fato de haver alguma coisa errada com o bebê é que me faz tão triste. Meu pobre bebê não teve chance. Por favor, não tente me confortar destacando isto.

Não diga: Você pode ter outro. Este bebê nunca foi descartável. Se tivesse a escolha entre perder esta criança ou furar meu olho com um garfo, eu teria dito: Onde está o garfo? Eu morreria por esta criança, assim como você morreria por seu filho. Uma mãe pode ter dez filhos, mas sempre sentirá falta daquele que se foi.

Não diga: Agradeça a Deus pelo(s) filho(s) que você tem. Se a sua mãe morresse num terrível acidente e você estivesse triste, sua tristeza seria menor porque você tem seu pai?

Não diga: Agradeça a Deus porque você perdeu seu filho antes de amá-lo realmente. Eu amava meu filho ou minha filha. Ainda que eu tenha perdido meu bêbê tão cedo ou quando nasceu, eu o amava.

Não diga: Já não é hora de deixar isto para trás e seguir em frente? Esta situação não é algo que me agrada. Eu queria que nunca tivesse acontecido. Mas aconteceu e faz parte de mim para sempre. A tristeza tem seu tempo que não é o meu ou o seu.

Não diga: Eu entendo como você se sente. A menos que você tenha perdido um bebê, você realmente não sabe como eu me sinto. E mesmo que você tivesse perdido, cada um vivencia esta tristeza de modo diferente. Não me conte estórias terríveis sobre sua vizinha, prima ou mãe que teve um caso parecido ou pior. A última coisa que preciso ouvir agora é que isto pode acontecer seis vezes pior ou coisas assim. Estas estórias me assustam e geram noites de insônia assim também como tiram minhas esperanças. Mesmo as que tenham tido final feliz, não compartilhe comigo.

Não finja que nada aconteceu e não mude de assunto quando eu falar sobre o ocorrido. Se eu disser coisas de antes do bebê morrer… Ou de quando eu estava grávida…não se assuste. Se eu estiver falando sobre o assunto, isto significa que quero falar. Por favor, deixe-me falar.  Fingir que nada aconteceu só vai me fazer sentir incrivelmente sozinha.

Não diga: Não é sua culpa. Talvez não tenha sido minha culpa, mas no fundo sinto que falhei.  Eu estou tão brava com meu corpo que você não pode imaginar.

Não me diga: Bem, você não estava tão certa se queria ter este bebê… Eu já me sinto muito culpada sobre ter reclamado sobre mal estar matinais ou que eu não me sentia preparada para esta gravidez ou coisas assim. Eu já temo que este bebê morreu porque eu não tomei as vitaminas, comi ou tomei algo que não devia nas primeiras semanas quando eu não sabia que estava grávida.   Eu me odeio por cada minuto que eu tenha limitado a vida deste bebê. Se sentir insegura sobre uma gravidez não é a mesma coisa que querer que meu bebê morra, eu nunca teria feito esta escolha.

Diga: Eu sinto muito. É o suficiente. Você não precisa ser eloqüente. As palavras dizem por si.           

Diga: Ofereço-lhe meu ombro e meus ouvidos.          

Diga: Vocês vão ser pais maravilhosos um dia ou vocês são os pais mais maravilhosos e este bebê teve sorte em ter vocês. Nós dois precisamos disso.   

Diga: Eu fiz uma oração por vocês. Mande flores ou uma pequena mensagem. Cada uma que recebi, me fez sentir que meu bebê era amado. Não envie novamente se eu não responder.       

Não ligue mais de uma vez e não fique brava (o) se a secretária eletrônica estiver ligada e eu não retornar sua chamada. Se nós somos amigos íntimos e eu não estiver respondendo suas ligações, por favor, não tente novamente. Ajude-me desta maneira por enquanto.            Não espere tão cedo que eu apareça em festas infantis e ou chás para bebes ou vibre de alegria no dia das mães. Na hora certa estarei lá.

Se você é meu chefe ou companheiro de trabalho:   Reconheça que eu sofri uma morte em minha família não é simplesmente uma licença médica. Reconheça que além dos efeitos colaterais físicos, eu vou estar triste e angustiada por algum tempo. Por favor, me trate como você trataria uma pessoa que vivenciou a morte trágica de alguém que amava. Eu preciso de tempo e espaço.

Por favor, não traga seu bebê ou filho pequeno para eu ver. Nem fotos. Se sua sobrinha está grávida, ou sua irmã teve um bebê há pouco, por favor, não divida comigo agora. Não é que eu não possa ficar feliz por ninguém mais, é só que cada vez que vejo um bebê sorrindo ou uma mãe envolta nesta felicidade, me traz tanta saudade ao coração que eu mal posso agüentar. Eu talvez diga olá, mas talvez eu não consiga reprimir as lágrimas.

Talvez ainda se passarão semanas ou meses antes que eu fique pelo menos uma hora sem pensar nisso. Você saberá quando eu estiver pronta. Eu serei aquela que perguntará pelos bebes, ou como está aquele garotinho lindo?

Acima de tudo, por favor, lembre-se que isto é a pior coisa que já me aconteceu.

A palavra morte é pequena e fácil de dizer. Mas a morte do meu bebê é única e terrível. Vai levar um bom tempo até que eu descubra como conviver com isto.

(autor desconhecida, adaptação Dra. Luciana Herrero)

As diferenças de engravidar aos 20, 30 ou 40 anos de idade

Olá, pessoal!

Hoje quero dividir com vcs uma matéria com a minha participação para o site “Bebe.com.br”, espero que apreciem!

Luciana Leis

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gravidez-diferentes-idadesVocê se forma na faculdade, é efetivada no emprego, espera aquela promoção na empresa, dá entrada no apartamento e, finalmente, acha que está pronta para aumentar a família. Mas aí tem aquela viagem imperdível, o mestrado que vai ocupar muito do seu tempo ou, então, o futuro pai dos seus filhos não apareceu ainda. De repente, você apaga as velinhas dos 35 anos e só o que consegue ver à sua frente são os sinais de que o tempo está passando… E não há creme que disfarce a queda da sua quantidade de óvulos – fica, mesmo, cada vez mais difícil engravidar. No entanto, cada época da vida tem seus prós e contras quando o assunto é ter um filho. Às vezes, é seu emocional que precisa de mais cuidado, às vezes, é o seu exame de sangue que pede mais atenção. Seja quando for, um benefício (e o maior de todos) é inegável a qualquer tempo: tornar-se mãe.

Aos 20 anos

Do ponto de vida médico, o período dos 20 aos 30 anos é considerado o ideal para a gravidez. Afinal, é nessa fase que a fertilidade da mulher está em alta, que o corpo apresenta um risco menor de ter problemas durante a gestação e de o bebê apresentar falhas genéticas, pois os óvulos são mais novos. “Quando uma menina nasce, ela já tem um ‘estoque’ de óvulos que não vai aumentar, pois eles não continuam sendo produzidos. Pelo contrário, só diminui e envelhece ao longo da vida. Para dar uma ideia: no nascimento, são aproximadamente 2 milhões de óvulos e, quando chega a puberdade, restam 400 mil”, explica Rui Alberto Ferriani, doutor em ginecologia e obstetrícia e coordenador do Setor de Reprodução Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

Por outro lado, são raros os casos em que a gestação acontece por escolha e planejamento nessa faixa etária. Com as mulheres se dedicando à carreira, o desejo de ser mãe tem sido cada vez mais adiado e, diferentemente do que acontecia há algumas décadas, nessa fase elas ainda estão começando a crescer profissionalmente e a construir um patrimônio. Além disso, é comum não se sentir madura o suficiente para criar um filho. “As pessoas têm uma dificuldade maior para se tornar independentes e a adolescência está se arrastando muito mais. As meninas ainda não saíram do papel de filha, então essa transposição para o papel de mãe demora mesmo. De qualquer forma, vale dizer que não importa a idade – o que vai fazer de uma mulher uma boa mãe é a capacidade dela de se conectar com o filho para atender às suas necessidades físicas e emocionais”, explica a psicóloga Luciana Leis, especialista em casais que tentam engravidar e que buscam auxílio em reprodução assistida.

Engravidar antes dos 30 anos também tem outro fator superpositivo que nem todo mundo conhece: ajuda a prevenir o câncer de mama. Isso porque os hormônios produzidos durante a gestação induzem uma proteína que inibe o crescimento desse tipo de neoplasia. Além disso, a amamentação funciona como uma proteção natural dos seios, já que durante o aleitamento as células do tecido mamário sofrem alterações, ajudando a reduzir o risco da doença.

A partir dos 30 anos

Dos 30 aos 35 anos, a medicina ainda considera uma época propícia para a gestação. Este também é o período que muitas mulheres consideram o melhor para a maternidade. Isso porque elas já não são mais tão jovens e não se sentem despreparadas, além do fato de ainda terem o organismo apto para gerar uma criança. “Isso é consequência, principalmente, de fatores sociais. Temos vários indicadores que mostram que as mulheres têm adiado a gravidez”, ressalta Rui Ferriani. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 2013, 19% das mulheres que se tornaram mães em 2012 tinham entre 30 e 34 anos. Esse número era ainda mais alto no Sudeste (21,4%), o que é um resultado considerável para um país em desenvolvimento.

Em um estudo mais recente feito pelo Ministério da Saúde e divulgado em 2014, até a virada do século 20, apenas 22,5% das mulheres deixavam para ser mãe aos 30 anos. Hoje esse percentual subiu para 30,2%. Entretanto, vale lembrar que, depois dos 35 anos, as coisas começam a ficar mais difíceis. “Tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos diminui e isso só tende a piorar. Então, se a mulher chegou a essa idade e ainda quer postergar a gravidez, o conselho que eu dou é congelar os óvulos. Esse é um procedimento caro, mas eles podem ficar congelados sem prazo de validade”, destaca o especialista, referindo-se à possibilidade de uma fertilização in vitro no futuro.

A partir dos 40 anos

Dizem que os 40 são os novos 30. O estilo de vida mudou muito nos últimos anos e aqueles que já chegaram a esta faixa etária estão mais joviais do que nunca. É natural, portanto, que as mulheres deixem para essa época o plano de se tornarem mães, como as atrizes Carolina Ferraz e Dira Paes, que anunciaram a gravidez aos 46 e 45 anos, respectivamente. Além da maturidade que vem com os anos, normalmente essa é uma idade em que não existe mais aquela sensação de estar “perdendo” alguma coisa ao ter um filho – já cresceu na carreira e atingiu uma estabilidade financeira.

“Nessa faixa etária, em geral, a mulher está muito mais amadurecida, tem uma vida estável e pode se dedicar mais à criança, tendo mais disponibilidade de tempo porque não precisa mais estudar e trabalhar como antes. Mas é preciso deixar claro que, embora seja mais ‘confortável’ deixar para engravidar nessa época por todos esses fatores, a questão da fertilidade é um problema e a mulher precisa saber que as chances de conseguir engravidar são menores”,  aponta a psicóloga.

Por isso, os cuidados devem ser multiplicados. “Toda gravidez aos 40 anos ou mais é considerada de risco. Além da questão da fertilidade, as chances de acontecer problemas na gestação aumentam e os principais deles são hipertensão, risco de aborto, alterações genéticas e pré-eclâmpsia”, explica Dr. Rui.

Se você chegou a essa idade sem ter se tornado mãe e ainda deseja engravidar, é importante buscar a ajuda de um profissional especializado. “É recomendado procurar um ginecologista que já esteja acostumado a acompanhar grávidas com mais idade antes mesmo de tentar. Depois, durante a gestação, o pré-natal é muito parecido com o tradicional, mas vai exigir alguns exames a mais para avaliar a saúde da mãe e do bebê, observando se ele tem falhas cromossômicas, por exemplo”, finaliza Tânia Schupp, doutora em ginecologia e obstetrícia pela Universidade de São Paulo e especialista em gravidez tardia.

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/saude/bebe/as-diferencas-de-engravidar-aos-20-30-ou-40-anos-de-idade