Será mesmo que um dia meu filho irá chegar?

incerteza-1Quem nunca se fez essa pergunta em meio ao contexto de dificuldades para engravidar? Penso que lidar dia a dia com essa incerteza é uma das coisas mais difíceis quando se está buscando ter um filho.

Já ouvi diversas vezes de pacientes: “Como é dura essa espera, se eu ao menos soubesse que em algum momento isso realmente irá acontecer, nem que demorasse, seria tudo bem menos angustiante!”. Entendo que é uma verdade, já que lidar com esse tipo de incerteza, é lidar com a possibilidade de nunca se tornar pai ou mãe.

Noto que, em meio aos tratamentos para engravidar, até mesmo em cada novo ciclo menstrual que se inicia, toda essa incerteza é colocada, de certa forma, de lado e a esperança de que o bebê está por vir alimenta o sonho de que, realmente, ele chegará. No entanto, quando a menstruação ocorre, a decepção e sentimentos de incapacidade costumam dominar, trazendo de volta, e de forma mais forte, a insegurança quanto à realização desse sonho.

Não é nada fácil lidar com essa “gangorra emocional”, onde ora parece que tudo irá dar certo e ora que tudo está perdido. Haja capacidade de resiliência para enfrentar esse processo! Porém, é justamente essa capacidade de enfrentar as adversidades que irá trazer o bebê para dentro de casa, na grande maioria dos casos.

Vontade de desistir de tudo e tirar esse desejo de dentro de si para parar de sofrer é algo bem comum entre as tentantes mais persistentes.  Há até mesmo as que começam a pensar nas vantagens de uma vida sem filhos, no entanto, tudo isso não costuma aplacar o desejo de ter uma criança; e é justamente esse desejo que impulsiona o atravessar de uma das “tempestades” mais difíceis da vida.

Coragem, persistência e certa dose de “negação” dos temores envolvidos em todo esse processo são necessários! Afinal, para se percorrer um caminho é necessário olhar para frente e manter a fé de que ele nos levará ao lugar esperado.

Luciana Leis

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O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

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O impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres

casalOlá seguidores! Tudo bem?

No post anterior comentei que postaria, aqui neste espaço, a minha outra pesquisa que foi aprovada no Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana. Pois aqui está ela!

Desta vez, o tema foi sobre o impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres. Participaram do estudo 150 mulheres e 150 homens, ambos inférteis. Utilizei o teste do Quociente Sexual Feminino e Masculino para avaliar a sexualidade dos participantes.Como resultado observei que a sexualidade feminina sofreu significantemente maior prejuízo que a masculina. Além disso, os homens apresentaram menos disfunção de desejo sexual (6.7% versus 14.7%-p=0.025) de excitação sexual (0.7%versus 12%-p<0.001) e de orgasmo ( 0.7% versus 20% -p<0.001) que as mulheres.

Penso que esse dado não surpreende a maioria das pessoas que está vivenciando dificuldades para engravidar. Porém, acredito ser importante ressaltar que, embora o reflexo da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres demonstre ser diferente, isso, de modo algum, significa que os homens sofram menos com esse problema. A infertilidade costuma gerar sofrimento em ambos, porém, sofrimento é algo subjetivo e vivenciado de diferentes maneiras.

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

relacionamento  Olá, seguidores!

Gostaria de compartilhar com vcs uma série de entrevistas que concedi ao site: “Ficar Grávida”. Estou publicando abaixo uma delas e, em breve, posto as outras. Abçs à todos!

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

O estresse causado pelas tentativas malsucedidas de gravidez pode desgastar o relacionamento entre o casal. Por isso, é essencial que o casal cuide da relação para suportar essa espera unidos. Não deixe que isso afete o seu relacionamento! Confira as dicas da psicóloga Luciana Leis – especialista em casais com dificuldades para engravidar.

1 – Mantenha a rotina

É importante manter a rotina que o casal tinha antes das tentativas. Trabalhem normalmente, visitem lugares que vocês costumavam ir antes de começarem a tentar engravidar. Não deixe que apenas o tema gravidez reja do relacionamento de você.

2 – Amplie as horas de lazer

Façam viagens para lugares especiais, saiam para jantar a dois e também com amigos, surpreenda o seu parceiro. Programas especiais são essenciais para o casal espairecer e tentar aliviar o peso das tentativas malsucedidas.

3 – Abra o coração

Luciana Leis diz que o diálogo entre o casal é imprescindível. “Dividam os sentimentos de frustação e ansiedade que essa vivência costuma trazer. Afinal, ambos estão passando pelo mesmo processo”.

4 – Não culpe o outro

Sejam parceiros! Não culpe o parceiro que apresenta o fator físico que dificulta a gravidez. Ninguém escolhe ter dificuldades para engravidar. Não estar conseguindo engravidar, é um problema do casal e não de um só.

5 – Resgatem sentimentos

Procurem resgatar os motivos que levaram vocês a se escolherem enquanto casal. Enquanto a gravidez não acontece, invistam no cuidado de um com o outro. Lembre-se: vocês não escolheram estar juntos através de um teste de fertilidade.

Fonte: http://www.ficargravida.com.br/comportamento/5-dicas-para-nao-deixar-as-tentativas-de-engravidar-desgastarem-relacao/

Entrevista sobre desejo de ser mãe Programa Vida Plena- LBV

Olá, queridos seguidores

Na semana do “Dia das Mães” concedi uma entrevista sobre “Fatores emocionais da infertilidade” ao programa Vida Plena da Legião da Boa Vontade- TV, a entrevista está disponível abaixo.Compartilho com vcs!

Espero que gostem!

Luciana Leis

Mulheres vão à Justiça para planos pagarem fertilização in vitro

Olá, seguidores!

Posto abaixo a matéria que saiu no jornal  “Folha de São Paulo” deste domingo falando sobre os direitos que temos, garantidos pela Constituição, às técnicas de concepção e que nos são negados pelos planos de saúde. Aproveito também para reforçar à todos que neste próximo sábado, dia 27/06/15, estarei no “Encontro latino-americano pelo cuidado da fertilidade”, onde discutiremos, principalmente, o acesso dos casais inférteis aos tratamentos de reprodução assistida.

Espero todos vcs lá, afinal, de nada adiantará se somente a classe médica e de profissionais da saúde estiver presente, a luta pelo acesso aos tratamentos é dos pacientes e, por isso, conto com a presença de vcs.

Lembrando que será no Centro de Convenções Rebouças, próximo ao metrô Clínicas. Garantam seu lugar através do telefone: (11)3515-7880. O evento é gratuito!

Mulheres vão à Justiça para planos pagarem fertilização in vitro

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

A contadora Fabíola Rocha, 37, tenta engravidar há seis anos. Tem endometriose, doença que afeta o endométrio (camada que reveste o útero) e é uma das principais causas de infertilidade.

Ela fez tratamentos e engravidou duas vezes por fertilização in vitro, mas as gestações não foram em frente.

O dinheiro acabou. O desejo de ser mãe, não. “É uma dor permanente, um desamparo. A gente tem plano de saúde, mas não pode recorrer a ele. Todas as nossas economias já se foram.”

O drama de Fabíola, compartilhado por muitos casais brasileiros, chegou agora ao Ministério Público Federal. Representação encabeçada por dez mulheres que enfrentam a infertilidade pede que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) inclua no rol de procedimentos obrigatórios os tratamentos de reprodução assistida.

A infertilidade é considerada doença pela CID (Classificação Internacional das Doenças), e há lei federal obrigando a cobertura do planejamento familiar (que inclui concepção e anticoncepção).

Mas a legislação que rege os planos de saúde desobriga as operadoras de oferecer a reprodução assistida.

Ernesto Rodrigues/Folhapress
A contadora Fabíola, 37, que tenta engravidar há seis anos, sem sucesso
A contadora Fabíola, 37, que tenta engravidar há seis anos, sem sucesso

“Isso é claramente ilegal. Esperamos que o Judiciário reconheça isso”, diz a advogada Andrea Lazzarini Salazar, que assina a representação. “A infertilidade gera consequências que extrapolam a questão física. Leva a sentimentos de fracasso, de exclusão familiar e social.”

Segundo Andrea, a expectativa é que, por decisão judicial, a ANS inclua o tratamento no novo rol de procedimentos que entrará em vigor em janeiro de 2016 e que está atualmente em processo de consulta pública. Entidades médicas e de defesa do consumidor apoiam a causa.

Na Justiça, o tema tem dividido os magistrados, com decisões favoráveis tanto a pacientes como aos planos.

Nas clínicas privadas, onde o tratamento é oferecido desde 1982, cada ciclo de fertilização in vitro custa de R$ 9.000 a R$ 25 mil. No SUS, o procedimento está previsto desde 2005, mas poucos serviços públicos o disponibilizam. Quase não há vagas, e a espera passa de cinco anos.

A maioria dos países europeus subsidia parcial ou integralmente a reprodução assistida. A França, por exemplo, paga 100%. Na América Latina, Argentina e Uruguai tornaram o procedimento obrigatório na rede pública e no sistema privado de saúde.

“Não faz nenhum sentido essa exclusão”, diz o ginecologista Newton Busso, que preside a comissão de reprodução da Febrasgo (federação das associações de ginecologia e obstetrícia). Segundo ele, o direito de planejar a família deve ser de todos.

OUTRO LADO

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) afirmou que atua de acordo com as determinações da lei que regulamenta o setor de saúde suplementar no Brasil.

“Ela [a lei] exclui o tema inseminação artificial da cobertura dos planos de saúde, por isso não consta do rol [de procedimentos obrigatórios].”

Para a ANS, a lei 11.935, de 2009, que incluiu o planejamento familiar como cobertura obrigatória na lei dos planos de saúde, não altera a legislação anterior (ela não especificou que tipo de serviços seriam incluídos).

Há diversos outros procedimentos, além da fertilização in vitro, segundo a ANS, que possibilitam diagnosticar e tratar a infertilidade e já estão no rol de procedimentos de cobertura obrigatória.

Entre eles estão exames hormonais, ultrassom, histeroscopia, laparoscopia, cirurgias e exames de esperma.

A agência cita como exemplo o tratamento da varicocele, doença que é responsável por 40% dos casos de infertilidade em homens. “O tratamento causa melhora do sêmen em até 60% dos pacientes, em média, e gravidez em até 40% dos casais”, afirma.

Na condição de anonimato, três representantes de operadoras de saúde dizem que a oferta da fertilização pelos planos geraria aumento de custos não só pelo tratamento em si, mas porque o procedimento aumenta as chances de gêmeos e nascimento de bebês prematuros -que vão precisar de mais tempo de UTI neonatal.

A Abramge e a Fenasaúde, entidades que representam as operadoras de planos de saúde, reforçaram que a reprodução assistida não faz parte das coberturas obrigatórias que estão previstas no rol de procedimentos da ANS. Por isso, dizem, ela não é oferecida aos usuários.

“É importante destacar que os serviços de reprodução assistida não são 100% eficazes”, afirma a Abramge.

A associação defende que seja feito um estudo antes de iniciar um debate sobre obrigar os planos de saúde a cobrirem a reprodução assistida aos beneficiários.

Para a entidade, é necessário medir a viabilidade e os impactos econômico-financeiros que a medida pode trazer para as operadoras de saúde e para os clientes que pagam os planos.

*

ENTENDA O QUE DIZEM

Constituição Federal
Planejamento familiar é um direito do cidadão. Compete ao Estado propiciar os recursos educacionais e científicos para o exercício deste direito

Lei do Planejamento Familiar (9.263/96)
Para o exercício do planejamento familiar, serão oferecidos métodos e técnicas de concepção e contracepção cientificamente aceitos e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas

Lei dos Planos de Saúde (9.656/98)
Garante a cobertura de todas as patologias reconhecidas pela CID (Classificação Internacional de Doenças), mas exclui a inseminação artificial

Lei 11.935/09
Estabelece que é obrigatória a cobertura nos casos de planejamento familiar (para advogados e juízes, fica implícita a cobertura dos tratamentos de fertilidade)

Resolução normativa da ANS (RN 211) de 2010 *
Permite que planos excluam a cobertura de todas as técnicas de inseminação artificial

Código de Defesa do Consumidor
Estabelece que são nulas as cláusulas contratuais que excluam a cobertura de doença

Entendimento da Justiça
Tem sido favorável à cobertura do tratamento de fertilidade pelos planos de saúde

*A RN 338, de 2013, que atualmente está em vigor, mantém a exclusão.