O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis

Anúncios

Como buscar forças para ir em frente?

lutaOlá, pessoal!

Depois de um loooongo tempo sem escrever no blog, finalmente, consegui um tempinho para postar sobre uma questão que considero ser de extrema importância: como conseguir buscar forças para ir em frente depois de tantas frustrações na busca pela gravidez?

Todos sabemos que não é nada fácil lidar com as diversas decepções envolvidas no processo de busca pelo filho. Digo diversas, pois sei que a chegada da menstruação ou o exame de beta negativo podem ser apenas algumas delas, uma vez que muitas outras podem estar embutidas neste meio, intensificando ainda mais essa dor, por exemplo: falta de resposta ao estímulo da ovulação, ausência de óvulos na punção, ausência de embriões a serem transferidos, abortos, adiamento do tratamento devido à necessidade de cirurgia ou exame complementar e muitos outros imprevistos que deixam essa caminhada ainda mais difícil.

Percebo que muitos casais chegam a apresentar um esgotamento físico e emocional, devido aos desgastes provocados pela busca de gravidez, quer seja através dos tratamentos ou não.

Porém, infelizmente, ainda não existe um botãozinho onde se “liga” ou “desliga” o desejo de filhos. Embora eu note que, em certos momentos, a vontade de muitos casais é de desistir e deixar essa história de lado, em contrapartida, a presença do desejo de filhos faz renovar a esperança e os mantém tentando um resultado diferente do negativo.

Mas, para tentar é necessário energia, força, e essa não brota simplesmente do nada para investirmos nos nossos sonhos. Primeiramente, precisamos estar, minimamente bem, para conseguirmos resgatar essa energia a nosso favor.

E para estar “minimamente bem” é necessário cuidar de si. Cuidar sim do desejo de filho que ainda não foi realizado, mas, também poder cuidar dos outros desejos que existem dentro de você e que são mais possíveis de se ter acesso imediato, pois pode-se exercer um certo “controle” para sua realização.

Assim, vale a pena pensar em fazer aquele curso que há tempos você gostaria de se matricular, aquele esporte que você deixou de cogitar para si ou aquela viagem que você e seu marido planejavam realizar. Todos esses planos adiados pois “vai que você engravida!”.

Não é raro se ter a sensação de que a vida fica parada em função da busca pelo filho, e isso acontece, justamente, pela dificuldade que temos de investir em outros projetos de forma concomitante. Muitas pessoas acreditam que precisam priorizar o tratamento e essa busca para que o bebê possa chegar, como se o filho fosse vir como merecimento à toda essa dedicação, sendo que isso, na verdade, não é garantia de resultado algum.

Reflita que justamente na realização desses projetos paralelos que se pode ter mais alegria, melhor autoestima e determinação. Tudo isso colabora para nos deixar mais fortes e com mais energia para lutar e não desistirmos do sonho de  ter o filho nos braços.

Luciana Leis

Será mesmo que um dia meu filho irá chegar?

incerteza-1Quem nunca se fez essa pergunta em meio ao contexto de dificuldades para engravidar? Penso que lidar dia a dia com essa incerteza é uma das coisas mais difíceis quando se está buscando ter um filho.

Já ouvi diversas vezes de pacientes: “Como é dura essa espera, se eu ao menos soubesse que em algum momento isso realmente irá acontecer, nem que demorasse, seria tudo bem menos angustiante!”. Entendo que é uma verdade, já que lidar com esse tipo de incerteza, é lidar com a possibilidade de nunca se tornar pai ou mãe.

Noto que, em meio aos tratamentos para engravidar, até mesmo em cada novo ciclo menstrual que se inicia, toda essa incerteza é colocada, de certa forma, de lado e a esperança de que o bebê está por vir alimenta o sonho de que, realmente, ele chegará. No entanto, quando a menstruação ocorre, a decepção e sentimentos de incapacidade costumam dominar, trazendo de volta, e de forma mais forte, a insegurança quanto à realização desse sonho.

Não é nada fácil lidar com essa “gangorra emocional”, onde ora parece que tudo irá dar certo e ora que tudo está perdido. Haja capacidade de resiliência para enfrentar esse processo! Porém, é justamente essa capacidade de enfrentar as adversidades que irá trazer o bebê para dentro de casa, na grande maioria dos casos.

Vontade de desistir de tudo e tirar esse desejo de dentro de si para parar de sofrer é algo bem comum entre as tentantes mais persistentes.  Há até mesmo as que começam a pensar nas vantagens de uma vida sem filhos, no entanto, tudo isso não costuma aplacar o desejo de ter uma criança; e é justamente esse desejo que impulsiona o atravessar de uma das “tempestades” mais difíceis da vida.

Coragem, persistência e certa dose de “negação” dos temores envolvidos em todo esse processo são necessários! Afinal, para se percorrer um caminho é necessário olhar para frente e manter a fé de que ele nos levará ao lugar esperado.

Luciana Leis

O tempo das coisas

tempoÉ fato que boa parte das pessoas quando pára de evitar a gravidez imagina que em breve terá o bebê a caminho. No entanto, nem todos os casos são fáceis e rápidos assim. Muitos casais precisam lidar com uma variável que considero difícil: o tempo.

O tempo, a princípio pode parecer objetivo (ex: 1 hora, 3 semanas, 6 meses, 3 anos etc), porém, essa objetividade toda se perde na subjetividade que o vivemos. Desta maneira, aguardar 6 meses para que a gravidez aconteça pode ser um martírio para muitos, já para outros, a espera por 2 anos pode parecer razoável. Cada um tem seu próprio modo de administrar o seu tempo.

Porém, na maioria das vezes, percebo que é inevitável que as comparações não aconteçam. Assim, não se sentir incomodada(o) e passada para trás após a amiga dar a notícia que engravidou “sem querer” ou no mês seguinte que parou a pílula, quando se está há algum tempo tentando engravidar, é quase impossível. Sem querer ou perceber nos comparamos e, em certos momentos, nos colocamos ou atrás ou à frente dos que nos rodeiam.

Alguns se casaram aos 25 anos, separaram após 2 anos e nem mesmo tentaram engravidar, outros se casaram aos 40 e se “descobriram” grávidos no mês seguinte ao casamento.Alguns estão solteiros e buscando alguém para estar ao seu lado, constituir uma família, outros estão bem sozinhos e preferem manter assim.

Cada um funciona dentro do seu próprio tempo, da sua própria história. Não temos o poder de controlar a vida e, muito menos, certos fatos que precisamos viver. O que podemos é buscar nos fortalecer e crescer com as dificuldades que a vida nos impõe, afinal, as crises são ótimas oportunidades para o amadurecimento.

Penso que não existem “atrasados” ou “adiantados”, cada um vive sua própria história com todas suas “dores e sabores”. A realidade é que precisamos, muitas vezes, aprender a lidar com nosso próprio tempo, com a nossa própria história, a qual é única e merece ser tratada com carinho e respeito.

Claro que podemos batalhar para mudar o que não nos agrada, mas a variável tempo sempre precisará ser respeitada.

Luciana Leis

III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

folder-jornada

O impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres

casalOlá seguidores! Tudo bem?

No post anterior comentei que postaria, aqui neste espaço, a minha outra pesquisa que foi aprovada no Congresso da Sociedade Européia de Reprodução Humana. Pois aqui está ela!

Desta vez, o tema foi sobre o impacto da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres. Participaram do estudo 150 mulheres e 150 homens, ambos inférteis. Utilizei o teste do Quociente Sexual Feminino e Masculino para avaliar a sexualidade dos participantes.Como resultado observei que a sexualidade feminina sofreu significantemente maior prejuízo que a masculina. Além disso, os homens apresentaram menos disfunção de desejo sexual (6.7% versus 14.7%-p=0.025) de excitação sexual (0.7%versus 12%-p<0.001) e de orgasmo ( 0.7% versus 20% -p<0.001) que as mulheres.

Penso que esse dado não surpreende a maioria das pessoas que está vivenciando dificuldades para engravidar. Porém, acredito ser importante ressaltar que, embora o reflexo da infertilidade na sexualidade de homens e mulheres demonstre ser diferente, isso, de modo algum, significa que os homens sofram menos com esse problema. A infertilidade costuma gerar sofrimento em ambos, porém, sofrimento é algo subjetivo e vivenciado de diferentes maneiras.

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

relacionamento  Olá, seguidores!

Gostaria de compartilhar com vcs uma série de entrevistas que concedi ao site: “Ficar Grávida”. Estou publicando abaixo uma delas e, em breve, posto as outras. Abçs à todos!

Luciana Leis

5 dicas para não deixar as tentativas de engravidar desgastarem a relação

O estresse causado pelas tentativas malsucedidas de gravidez pode desgastar o relacionamento entre o casal. Por isso, é essencial que o casal cuide da relação para suportar essa espera unidos. Não deixe que isso afete o seu relacionamento! Confira as dicas da psicóloga Luciana Leis – especialista em casais com dificuldades para engravidar.

1 – Mantenha a rotina

É importante manter a rotina que o casal tinha antes das tentativas. Trabalhem normalmente, visitem lugares que vocês costumavam ir antes de começarem a tentar engravidar. Não deixe que apenas o tema gravidez reja do relacionamento de você.

2 – Amplie as horas de lazer

Façam viagens para lugares especiais, saiam para jantar a dois e também com amigos, surpreenda o seu parceiro. Programas especiais são essenciais para o casal espairecer e tentar aliviar o peso das tentativas malsucedidas.

3 – Abra o coração

Luciana Leis diz que o diálogo entre o casal é imprescindível. “Dividam os sentimentos de frustação e ansiedade que essa vivência costuma trazer. Afinal, ambos estão passando pelo mesmo processo”.

4 – Não culpe o outro

Sejam parceiros! Não culpe o parceiro que apresenta o fator físico que dificulta a gravidez. Ninguém escolhe ter dificuldades para engravidar. Não estar conseguindo engravidar, é um problema do casal e não de um só.

5 – Resgatem sentimentos

Procurem resgatar os motivos que levaram vocês a se escolherem enquanto casal. Enquanto a gravidez não acontece, invistam no cuidado de um com o outro. Lembre-se: vocês não escolheram estar juntos através de um teste de fertilidade.

Fonte: http://www.ficargravida.com.br/comportamento/5-dicas-para-nao-deixar-as-tentativas-de-engravidar-desgastarem-relacao/