“Dia das Mães”e infertilidade: a difícil espera

sonho-de-ser-maeOi, pessoal!

Penso que num blog que trata do tema sobre dificuldades para engravidar não tem como passar desapercebido o assunto “Dia das Mães” em meio a esse contexto.

Em outros anos já escrevi sobre esse dia, principalmente, reconhecendo que essa é uma data difícil a toda tentante e falando sobre a importância em não desistir do sonho pelo filho, mesmo em meio às dificuldades.

Neste ano, irei abordar esse assunto de outra forma, penso ser importante falar sobre os diversos caminhos possíveis à maternidade, ou seja, sobre as diferentes vias de acesso à realização desse desejo que pertence à maioria das mulheres.

Primeiramente, penso ser importante colocar que nenhum casal escolhe que irá ter dificuldades para engravidar, esse evento simplesmente acontece e obriga, inevitavelmente, os envolvidos nesta história a reverem seus próprios desejos por esse filho que ainda não veio e os modos de poder chegar até ele.

A grande verdade é que, depois que se constata que há um problema para engravidar, o mundo a sua volta parece ter mudado o sentido, há uma perda do modo anterior de viver, as coisas que antes lhe eram prazerosas não tem mais o mesmo brilho, a mesma intensidade de cores; o vazio invade a alma e a incerteza diante de se algum dia será possível a realização desse desejo, atormenta até mesmo as pessoas mais otimistas.

Não é raro eu escutar em meio aos atendimentos de mulheres com dificuldades para engravidar: “Se eu tivesse certeza de que em algum momento meu bebê vai chegar, mesmo que demorasse, tudo seria diferente…. a dúvida é que me mata!”. Realmente, não é nada fácil lidar com tanta incerteza e com os sentimentos de menos valia e incapacidade que costumam vir associados a toda esse vivência.

Isso sem contar que o mundo a sua volta não pára, e as pessoas que te cercam engravidam, tem filhos, te convidam para chá de bebê, aniversários de criança e por aí vai… quem está passando pela infertilidade sabe bem do que estou falando. E, como se não bastasse, além desses eventos já citados, temos também o “Dia das Mães”, data que tem um sentido totalmente diferente quando se está buscando engravidar e não mais ser somente filha.

São muitos enfrentamentos necessários para tentar estar bem enquanto esse filho não vem, porém, eu diria que enfrentamentos importantes e que poderão trazer um imenso amadurecimento depois que tudo isso passar.

Cada mulher, cada casal, diante do vazio do filho, pode buscar alternativas para realização de seu desejo. A via da reprodução natural é um caminho possível para a maioria dos casais, mas não para todos. Há casais que diante da dificuldade de gravidez, precisarão buscar outras vias para que esse filho possa chegar até eles. Os tratamentos de reprodução assistida, geralmente, conseguem ajudar a maioria das pessoas que o procuram, porém, mesmo com a ajuda desses, em alguns casos, o filho idealizado precisa passar por algumas alterações importantes no imaginário de seus pais.

Estou me referindo aos casais que, por alguma razão, são diagnosticados com ausência ou baixíssima qualidade de óvulos ou espermatozoides e, diante desse quadro, precisam recorrer a material de terceiros para realização do projeto parental. Percebo que são situações onde há grande angústia envolvida na decisão de aceitação ou não desse material, porém, quando essa se torna possível e o bebê chega, os momentos de alegria e plenitude não são menos legítimos do que os casais que fizeram tratamento com seu próprio material.

Além disso, há casais que, por razões financeiras, de não aceitação de tratamentos ou de outra ordem, optam pela adoção como via de chegada até seu rebento. O caminho também não costuma ser muito fácil, escolher o perfil da criança, ser avaliado para se tornar pai e mãe e esperar até o dia para tê-lo nos braços exige paciência e também persistência no sonho, porém, quando essa família se encontra, a felicidade transborda neste novo lar, a arte deste encontro tão feliz enche de afeto todos envolvidos nesta história, afinal, o processo de filiação é puramente emocional e não tem nada a ver com genética.

Portanto, percebemos que existem muitos caminhos possíveis para a constituição de uma família e, a grande verdade, é que não temos controle algum sobre esse processo, mas temos sim, formas de buscar que esse bebê possa chegar nós, sendo que o caminho a ser escolhido, dependerá da abertura de cada um para as diversas formas de se tornar pai e mãe.

Desejo a todas tentantes que o próximo “Dia das Mães” possa ser muito diferente, continuem insistindo nos seus sonhos e buscando formas de concretizá-lo, afinal, o sonho só se torna realidade para quem o sonhou!

Luciana Leis

Anúncios

Os homens em meio aos tratamentos de reprodução assistida

homem tristeO post de hoje é sobre o papel dos homens, ou melhor, dos maridos/companheiros, em meio aos tratamentos de reprodução humana.

Já faz algum tempo que quero abordar esse tema aqui no blog, principalmente, porque costumo escrever inspirada nos acontecimentos da minha prática clínica. E os homens, figuras tão importantes, mas em muitos momentos, tão pouco evidentes em meio aos tratamentos de reprodução assistida, merecem destaque, já que, o que mais se evidencia nesse processo, são as figuras das mulheres e de seus médicos.

Pois bem, penso que precisamos estar muito atentas(os) no que se refere à participação dos homens em meio aos tratamentos para infertilidade, pois, embora a maior parte do processo ocorra no corpo da mulher- já que é ela quem terá que tomar as injeções de hormônios, realizar as ultrassonografias etc- o homem também é parte importantíssima nisso tudo, afinal, é ele quem, juntamente com sua esposa, está desejando essa criança e, portanto, deve ser incluído a todo momento nesse percurso, para não acabar sendo reduzido ao seu sêmen no dia da coleta do procedimento de reprodução assistida.

Além disso, os homens costumam sofrer, tanto quanto suas esposas, as ansiedades e angústias inerentes à vivência da infertilidade e seus tratamentos. No entanto, na maioria das vezes, se cobram em ser mais contidos para demonstrar o que sentem, afinal, costumam se colocar no lugar de “fortes” para amparar os sentimentos de suas esposas, as quais, além do desgaste emocional, passam também por todo o desgaste físico em seu corpo.

Porém, esse homem que se faz de forte, também precisa de um espaço para falar sobre seus sentimentos e ser acolhido. Não é raro vermos homens que passam por tratamentos de reprodução assistida, apresentarem queixas psicossomáticas como: insônia, quadros alérgicos, taquicardia, tiques etc.

A abertura de um espaço de troca comum dentro do casal, pode ser uma alternativa para o alívio das angústias, já que ambos poderão perceber que muitos de seus receios e inseguranças são iguais e, deste modo, poderão se acolher mutuamente. É importante que ninguém tente assumir uma posição de mais forte que o outro, e que essa troca possa ser verdadeira.

Em casos onde o casal se perceber muito frágil, a ajuda de um psicoterapeuta pode ser útil para auxiliá-los no processo de reequilíbrio emocional.

Luciana Leis

Carta de mãe para filho

Abaixo posto para vcs uma carta que é parte do livro: “Ser pai & mãe no século XXI” de autoria da minha colega psicóloga Helena Prado Lopes. O livro é bem interessante e trata das questões psicológicas envolvidas na dificuldade de gravidez. Achei linda a carta que dá início ao livro e, por isso, compartilho com vocês.

Luciana Leis

Útero é transplantado de mãe para filha pela primeira vez no mundo

O primeiro transplante de útero de mãe para filha foi realizado no último fim de semana na Suécia. O procedimento duplo, anuciado pela Universidade de Gotemburgo, foi realizado em duas famílias: duas jovens suecas receberam o útero de suas respectivas mães. As pacientes passam bem, e as cirurgias ocorreram sem complicações. A identidade das mulheres não foi revelada.

De acordo com o comunicado emitido pela Universidade de Gotemburgo, uma das mulheres retirou o útero depois de um tratamento contra um câncer de cólon do útero. A outra já havia nascido sem o órgão. Ambas têm cerca de 30 anos. “Mais de dez cirurgiões participaram das operações que transcorreram sem complicações. As mulheres que receberam o útero estão bem, mas cansadas depois da intervenção”, disse Mats Brannstrom, professor de ginecologia da universidade e diretor da equipe de pesquisas. “As mães que doaram seus úteros já estão caminhando, e poderão voltar para casa em alguns dias.”

As jovens receptoras deverão esperar um ano antes de poder iniciar uma gravidez, por meio de fecundação in vitro. “Só saberemos se foi um transplante bem sucedido em 2014”, data em que as jovens poderão dar à luz na melhor das hipóteses, segundo o especialista. Brannstrom não quis especular sobre as possibilidades que as duas mulheres têm de engravidar. Em casos normais, segundo ele, a possibilidade de dar à luz através de uma fecundação in vitro é de 25 a 30%.

Os úteros implantados serão retirados quando as mulheres tiverem um máximo de duas crianças, para que possam suspender o tratamento contra a rejeição do órgão. De acordo com outro médico da equipe, Michael Olausson, o risco de rejeição do útero será, a princípio, o mesmo de que qualquer outro órgão — em torno de 20%.

Seleção — As duas jovens foram selecionadas ao final de um longo procedimento, que permitiu garantir que elas e seus maridos eram férteis. Suas respectivas mães foram escolhidas como doadoras, dada a “vantagem teórica” que apresentam por ser familiares, indicou o professor Olausson. “Seus úteros demonstraram que funcionavam e eram capazes de ter um bebê.”

Uma das duas transplantadas, identificada apenas pelo nome de Anna, disse que sabia que alguns poderiam criticar a operação por razões éticas. Para ela, no entanto, o procedimento significava simplesmente restaurar uma função corporal, da qual ela tinha sido privada pelo câncer. “É uma sensação incrível ser capaz de experimentar isso”, disse em comentários postados no site do hospital Sahlgrenska, onde as operações foram realizadas.

Novos casos — Outras duas mulheres deverão ser submetidas a um transplante de útero na Suécia. A equipe médica indicou que estas duas novas pacientes não chegam aos 30 anos e que as possibilidades de êxito de uma fecundação in vitro são maiores quando as pacientes são jovens.

A equipe de pesquisa do professor Brannstrom, que conta com 20 pessoas, trabalha neste projeto desde 1999. Anteriormente, eles já haviam realizado com sucesso transplantes de úteros em animais, como ratos e macacos.

Os transplantes de útero, cujo primeiro êxito foi obtido na Turquia em 2011, são polêmicos, já que envolvem doadoras vivas. Em um primeiro momento, o Conselho de Ética da Suécia bloqueou as intervenções, mas finalmente deu sua autorização em maio, na condição de que um comitê especial controle as operações.

Fonte: Veja on line

“Dia das Mães” e infertilidade: como lidar com essa dor?

Eis que chega maio e, inevitavelmente, todos os meios de comunicação nos fazem questão de lembrar- através de notícias e anúncios- que o “Dia das Mães” se aproxima. Para quem não é mãe e nem está, por enquanto, pensando em se tornar, esse é um dia sem grandes repercussões emocionais; para quem é mãe, costuma ser um dia especial e, geralmente, feliz, já que acontece o reconhecimento simbólico dos filhos (via presentes) de todos os cuidados até então prestados. Porém, para quem ainda não é mãe e está enfrentando dificuldades de vir a ser, este dia costuma ser quase que um pesadelo. Por mais que se saiba que esta data, antes de tudo, tem um forte apelo comercial, o simbolismo que ela traz consigo faz com que se abra um “buraco” ainda maior em quem está vivenciando a infertilidade. O questionamento interno a respeito de quando este dia chegará ou se chegará, passa o tempo todo na cabeça destas mulheres. Nesta época, é muito comum que as pessoas que passam por essa dificuldade, se sintam mais depressivas e pouco compreendidas em sua dor pelos que estão a sua volta; já que o “Dia das Mães” é de comemorações e, para quem não passa por esse problema, é mais difícil compreender como alguém pode se sentir machucado com essa data. O que poucos sabem, é que a mulher que vivencia a infertilidade se vê mergulhada num mundo de incertezas e dores. È muito frustrante desejar algo fortemente e ter o seu desejo negado, sem poder fazer muito para reverter esse quadro, afinal, nenhum tratamento de reprodução assistida oferece resultado certeiro. Nesse processo, muitas feridas são abertas, principalmente, relacionadas à feminilidade, autoestima e até mesmo, dentro da relação conjugal, a qual pode passar a ser percebida como mais frágil e vulnerável. Assim, é necessário ser muito forte e paciente para enfrentar esse processo. Resgatar todas as motivações que impulsionam o desejo e seguir em frente. É verdade que não sabemos quando o bebê virá e nem mesmo qual será o ano do seu primeiro “Dia das Mães”, porém, com certeza a persistência na luta para que o filho se torne possível permitirá que ele se torne um sonho real.

Luciana Leis

Como REALMENTE funciona a doação de óvulos

A novela Fina Estampa vem trazendo questões importantes a serem pensadas com relação às técnicas de reprodução assistida, porém, nem tudo é como realmente acontece com os tratamentos para infertilidade.

É o caso da disputa pela criança que acontece na trama entre a mãe biológica (Bia) e a que gestou (Esther). Primeiramente, esse fato jamais seria possível considerando as leis que regem esse processo no Brasil, já que, para ser uma doadora, a mulher precisa também estar passando por tratamento de FIV ou ICSI e a doação precisa ser anônima. Explicando melhor, nem quem doou sabe para que foi o óvulo (nem mesmo se houve gravidez) e nem quem recebeu sabe quem doou.

O fato de precisar ser uma paciente em tratamento para ser a doadora de óvulos ocorre devido a não se poder estimular a ovulação  e nem realizar a coleta de óvulos (feita em centro cirúrgico) de uma mulher que não precisaria passar por esse tipo de procedimento, já que esse pode ter alguns efeitos colaterais

A falta de conhecimento sobre o assunto, muitas vezes, faz com que mulheres que possuem necessidade de adoção de óvulos queiram apresentar às Clínicas de Reprodução Assistida suas doadoras, na maioria das vezes, irmãs ou amigas. Esse fato não é possível devido ao caráter do anonimato que essa técnica exige em nosso país, porém, em alguns países isso é possível.

Em casos como esses, há dilemas psicológicos importantes, pois, por exemplo, a irmã que doou será a tia ou a mãe? E  a cabeça da criança em meio a esse processo?

Penso que informar sobre esse assunto é super importante, pois algumas mulheres podem se sentir desistimuladas à doação, preocupadas com as possíveis conseqüências da mesma.

Em nosso país há filas de mulheres que buscam por um óvulo para poderem realizar o sonho de ser mãe e que, portanto, contam com a generosidade e boa ação de outras mulheres que, também como elas, passam pelo difícil problema da dificuldade de gravidez.

Luciana Leis

Nova regra reduz número de embriões usados em fertilização artificial

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou nesta quarta-feira novas regras para a reprodução artificial no Brasil. Uma das principais mudanças é a diminuição do número de embriões que podem ser utilizados em cada fertilização. Até agora, as clínicas podiam implantar até quatro embriões no útero de uma mesma paciente. Com a nova determinação, esse limite cai para dois, no caso das mulheres com até 35 anos de idade, e três, para aquelas que têm entre 36 e 39 anos. Mulheres com mais de 40 anos mantêm o direito de receber quatro óvulos. “Hoje, é possível obter sucesso com um número menor de embriões. O Conselho sentiu a necessidade de se adaptar à evolução tecnológica”, diz José Hiran Gallo, conselheiro do CFM e relator da medida. Confira as principais mudanças. A regra, que entra em vigor a partir de seu anúncio, substitui a resolução de 1992, a primeira a regular a reprodução assistida no Brasil. O texto é o único a normatizar os procedimentos no país, já que o setor atua num vácuo legal: “Não há lei sobre reprodução assistida. Mas a Justiça segue a nossa resolução”, afirma Gallo. Outro item da nova diretriz estabelece que as cerca de 180 clínicas de reprodução artificial em funcionamento no Brasil sejam responsáveis pelo descarte do material biológico envolvido no processo. Os embriões não aproveitados, contudo, devem ser congelados, o que cria novo problema. O destino desse material é tema de um intenso debate entre autoridades da medicina, e deve ser assunto de uma próxima resolução do CFM. O texto traz ainda outras mudanças. Fica autorizado, por exemplo, o uso de material genético deixado por uma pessoa que já morreu, desde que em vida ela tenha manifestado esse desejo por escrito. “Muitas vezes, a viúva recorria ao banco de sêmen para fazer a inseminação, mas a família não permitia. Por isso resolvemos criar essa resolução”, diz Gallo.

Homossexuais

O texto do Conselho Federal de Medicina permite que casais homossexuais também se beneficiem da reprodução assistida. Assim como os casais convencionais, eles podem recorrer a um banco de sêmen – ou de óvulos – e utilizar o útero de uma terceira pessoa. Roberto d’Avila, presidente do CFM, diz que a nova redação deliberadamente não traça distinção entre casais hetero e homossexuais: “A resolução permite que a técnica seja desenvolvida em todas as pessoas, independentemente de estado civil ou orientação sexual. É uma demanda da sociedade moderna.” O texto antigo, segundo ele, deixava subentendido que só casais heterossexuais poderiam se beneficiar do procedimento. A “barriga de alguel” segue proibida. A doação temporária do útero só pode ocorrer entre parentes de até segundo grau de um dos integrantes do casal – e não é preciso ter qualquer comprovação de união estável. Outra prática que continua proibida é a seleção de características físicas do bebê. A chamada “redução embrionária”, quando o médico retira embriões saudáveis que já se alojaram no útero, também é passível de punição. Os médicos e as clínicas que descumprirem a determinação do CFM podem sofrer desde uma advertência até a cassação do registro. Daqui a seis meses, o CFM deve voltar a se reunir para analisar novamente as regras da reprodução assistida.  A resolução é resultado de um debate de seis meses, que envolveu clínicas e especialistas da área. A necessidade de atualização da resolução anterior já havia sido constatada há pelo menos 14 anos, mas a elaboração do documento só foi acelerada depois da descoberta de irregularidades na clínica do médico Roger Abdelmassih, em São Paulo. Acusado de ter estuprado dezenas de suas pacientes, o especialista em reprodução eliminava embriões inadequadamente e trocava óvulos entre as pacientes para aumentar o índice de sucesso dos casais atendidos – boa parte deles, da alta sociedade paulistana. O especialista, apelidado de “médico das estrelas”, oferecia uma taxa de sucesso próxima dos 100% nos procedimentos. “Se alguém alardeia que o grau de sucesso é de 90%, está fazendo propaganda enganosa”, diz d’Avila. Em média, entre 40% e 50% dos embriões implantados geram uma gravidez completa.

FONTE: REVISTA VEJA