O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis

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Entrevista minha concedida ao UOL: Medo de morrer e falta de pique assombram pais com mais de 50

Medo de morrer e falta de pique assombram pais com mais de 50

O economista José Eduardo Ferreira Godinho, de 56 anos, com o filho, José Pedro

O economista José Eduardo Ferreira Godinho, de 56 anos, com o filho, José Pedro

Por motivos diversos –como casamentos desfeitos e novas uniões–, muitos homens têm deixado a paternidade para depois dos 50 anos. Sem serem assombrados com uma fertilidade com prazo para acabar, caso das mulheres, eles sofrem com outros questionamentos, como ter energia para encarar um bebê e uma criança na terceira idade e o medo de morrer sem ver o filho crescido.

Mesmo com a filha Manuella, de três meses, no colo, o soldador Marco Antônio Porcatti, 51 anos, ainda se questiona sobre sua decisão. “Sinto que não tenho mais idade para isso. Trocar fraldas e dar banho é muito difícil para mim. Estou sempre cansado. Fico pensando que, no futuro, não vou poder acompanhá-la sempre, não vou conseguir correr com ela, por exemplo”, afirma ele, que também é pai de um menino de cinco anos.

Marco Antônio Porcatti e a filha de três meses

Porcatti topou ser pai novamente por insistência da mulher, 29 anos mais nova do que ele. “Estou em uma fase da minha vida na qual poderia estar mais sossegado. Estou cuidando da minha filha, que eu amo, mas penso que poderia ter tido ela antes”, afirma.

Histórias como a do soldador são bastante comuns, de acordo com a psicóloga Luciana Leis, especializada em atender pacientes que enfrentam problemas de fertilidade e que atua no Projeto Beta, focado em medicina reprodutiva. Afinal, muitos homens atendem ao desejo da parceira de ser mãe, sem olharem a fundo suas próprias motivações. “Querer ter um filho é diferente de querer ser pai, o que implica em vivenciar essa experiência, de fato”, fala.

A insegurança também pode ter a ver com o fator financeiro. Aos 52 anos e casado há um ano, pela primeira vez, o representante comercial Carlos Alberto Fontes não teme a falta de disposição, mas ainda avalia a paternidade por medo de não conseguir oferecer ao filho uma vida confortável tanto quanto desejaria.

Autônomo, ele receia ver sua capacidade de trabalho diminuir com o tempo e, assim, comprometer sua renda. “Antigamente, mantínhamos um filho garantindo alimentação e roupas. Mas, hoje em dia, a preocupação maior é com uma boa formação educacional, e o custo disso é alto”, conta. “Também tenho de pensar que as minhas despesas com saúde na terceira idade vão aumentar.”

Pique

A preocupação com dinheiro é coerente, no entanto, o medo de não acompanhar o pique do filho é discutível. Ainda de acordo com a psicóloga, é muito comum encontrar homens que, ao se tornarem pais após os 50 anos, empenham-se para acompanhar o filho de perto. “Ser pai mais tarde revigora e afirma a potência do homem. Também resulta em autoestima e vitalidade. Muitos homens passam, inclusive, a se cuidar mais após a paternidade tardia”, afirma Luciana.

É o caso do economista José Eduardo Ferreira Godinho, 56, que decidiu ser pai outra vez depois de criar dois filhos. Um deles tem 28 e o outro, 24 anos. “No meu novo casamento, ter filhos era uma prioridade. Minha mulher, que na época tinha 40 anos, nutria o sonho de ser mãe”, conta. Quatro anos após a oficialização da relação, em 2013, nasceu José Pedro. “Não tenho mais a energia e a vitalidade dos 30, mas faço o máximo para acompanhar as atividades diárias dele no tempo que tenho disponível.

Viúvos ou separados, pais contam como é assumir a criação dos filhos6 fotos

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“Quando fiquei com a guarda dos meus dois filhos mais velhos, eu me vi perdido e assustado. Parei de fazer viagens longas, dei uma freada nos shows. Acredito que a presença é muito importante nessa história. Levava os dois para o colégio. A Alessandra ia comigo para a cozinha para fazer comida. Tive de aprender a fazer as coisas de casa, virei mãe e dono de casa. Tinha até que comprar lingerie para a minha filha. Certa vez, juntou muita gente na porta de uma loja me xingando enquanto tentava escolher calcinhas para ela. Naquela época, na década de 1970, havia muito preconceito nesse sentido. Ganhei o apelido de ‘mãe de gravata’. As pessoas me perguntavam muito como era criar os filhos. A gente sempre acha que existe uma fórmula mágica e, no fim das contas, tudo na vida é equilíbrio, bom senso, muito amor e amizade” | Ronnie Von, 70 anos, apresentador, empresário e pai de Ronaldo, 42, Alessandra, 43 (filhos de Arethusa), e Leonardo, 25 (da união com Cristina) | Depoimentos concedidos à Priscila Tieppo – do UOL, em São Paulo Arquivo Pessoal

O medo de morrer antes do filho se tornar independente também serve como um estímulo para cuidar melhor da saúde. E também para tomar outras providências, como garantir o amparo financeiro da criança. “Para garantir o futuro, inscrevi a minha filha em uma previdência privada”, diz o aposentado Marcio Francisco D’Almeida, 56, pai de Letícia, 6. Ele se tornou pai novamente aos 50 anos, após se casar pela segunda vez e sentir vontade de ampliar a família. Os filhos da primeira relação estão, hoje, com 33 e 32 anos, e ele tem ainda um neto de 14 anos.

Insegurança faz parte

Receios como o do soldador Porcatti podem ser contornados com a certeza de que, mesmo com limitações físicas, é possível reforçar o vínculo com o filho de inúmeras maneiras. “Atividades lúdicas são fundamentais para promover o bom relacionamento entre pais e filhos. O pai que não consegue jogar bola pode brincar com um jogo de tabuleiro, por exemplo”, declara a psicóloga Olga Inês Tessari.

Os pais mais idosos podem ser mais pacientes do que os jovens e dispor de mais tempo livre para dedicar à criança. “E pais com mais tempo e maturidade podem educar melhor”, fala Olga.

Marcio Francisco D’Almeida com a filha, Letícia

D’Almeida concorda. Após a chegada da filha, ele se orgulha de ter virado “dono de casa” e garante que desempenha muito bem o seu papel com a caçula. “É bem verdade que, nessa idade, você se torna meio pai e meio avô. Mas tento ser o melhor dos dois para a Letícia: carinhoso e atencioso como um avô, rígido e responsável como um pai.”

Relógio biológico masculino

Ao decidir ser pai tardiamente, é preciso ter em mente que o corpo masculino também sofre as ações do tempo. Um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, publicado em 2002, apontou que, à medida que envelhecem, o volume de sêmen dos homens vai diminuindo, ano a ano. Da mesma forma, a contagem total de espermatozoides móveis –índice que avalia o potencial de fertilidade– reduz cerca de 5% a cada ano.

“Os bancos de sêmen, em geral, aceitam doações de homens de até 45 anos. Essa é uma regra aplicada internacionalmente. Isso porque alguns estudos apontaram que, após essa idade, o homem pode demorar mais para engravidar a parceira”, declara Carlos Alberto Petta, coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do CRH (Centro de Reprodução Humana) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Fonte:http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2015/02/13/medo-de-morrer-e-falta-de-pique-assombram-pais-com-mais-de-50.htm

Os homens em meio aos tratamentos de reprodução assistida

homem tristeO post de hoje é sobre o papel dos homens, ou melhor, dos maridos/companheiros, em meio aos tratamentos de reprodução humana.

Já faz algum tempo que quero abordar esse tema aqui no blog, principalmente, porque costumo escrever inspirada nos acontecimentos da minha prática clínica. E os homens, figuras tão importantes, mas em muitos momentos, tão pouco evidentes em meio aos tratamentos de reprodução assistida, merecem destaque, já que, o que mais se evidencia nesse processo, são as figuras das mulheres e de seus médicos.

Pois bem, penso que precisamos estar muito atentas(os) no que se refere à participação dos homens em meio aos tratamentos para infertilidade, pois, embora a maior parte do processo ocorra no corpo da mulher- já que é ela quem terá que tomar as injeções de hormônios, realizar as ultrassonografias etc- o homem também é parte importantíssima nisso tudo, afinal, é ele quem, juntamente com sua esposa, está desejando essa criança e, portanto, deve ser incluído a todo momento nesse percurso, para não acabar sendo reduzido ao seu sêmen no dia da coleta do procedimento de reprodução assistida.

Além disso, os homens costumam sofrer, tanto quanto suas esposas, as ansiedades e angústias inerentes à vivência da infertilidade e seus tratamentos. No entanto, na maioria das vezes, se cobram em ser mais contidos para demonstrar o que sentem, afinal, costumam se colocar no lugar de “fortes” para amparar os sentimentos de suas esposas, as quais, além do desgaste emocional, passam também por todo o desgaste físico em seu corpo.

Porém, esse homem que se faz de forte, também precisa de um espaço para falar sobre seus sentimentos e ser acolhido. Não é raro vermos homens que passam por tratamentos de reprodução assistida, apresentarem queixas psicossomáticas como: insônia, quadros alérgicos, taquicardia, tiques etc.

A abertura de um espaço de troca comum dentro do casal, pode ser uma alternativa para o alívio das angústias, já que ambos poderão perceber que muitos de seus receios e inseguranças são iguais e, deste modo, poderão se acolher mutuamente. É importante que ninguém tente assumir uma posição de mais forte que o outro, e que essa troca possa ser verdadeira.

Em casos onde o casal se perceber muito frágil, a ajuda de um psicoterapeuta pode ser útil para auxiliá-los no processo de reequilíbrio emocional.

Luciana Leis

Celular, conexão Wi-Fi, poluição, calor: afinal o que pode afetar a fertilidade masculina?

É muito comum encontrarmos informações conflitantes sobre fatores que afetam a infertilidade masculina
Telefones móveis, cuecas apertadas, excesso de peso, tabagismo, abuso de álcool, excesso de exercícios físicos: todos já foram apontados como fatores que interferem na fertilidade masculina. E um novo estudo, recentemente publicado na revista Fertility and Sterility, sugere que as ondas de rádio Wi-Fi também podem afetar negativamente a motilidade dos espermatozóides e causar danos à fragmentação do seu DNA.
“Como é muito comum encontrarmos informações conflitantes, além de muitos mitos, sobre os fatores que afetam a fertilidade masculina, reunimos algumas considerações relevantes sobre o tema”, explica o urologista Sidney Glina, diretor do Projeto ALFA, Aliança de Laboratórios de Fertilização Assistida.
·       IDADE
Antigamente, acreditávamos que os homens mantinham-se igualmente férteis ao longo de suas vidas. Mas pesquisas recentes já fazem os urologistas acreditarem que a qualidade e a quantidade do esperma declinam lentamente, nos homens, que ao envelhecerem, apresentam uma diminuição na produção de testosterona. A fertilidade masculina diminui progressivamente após os 50 anos de idade. “A maioria dos homens segue fértil até morrer, mas cerca de 20% passa a ter uma produção diminuída de espermatozóides. Além disto, nos gametas de homens com mais de 50 anos encontramos mais alterações genéticas do que nos gametas de homens mais jovens. No entanto, não temos evidências para afirmar que a idade do pai está ligada a problemas futuros no desenvolvimento infantil, tais como dificuldades de aprendizagem da criança”, afirma Sidney Glina.
·       ÁLCOOL
O álcool afeta a capacidade do organismo de absorver zinco, um nutriente vital para obtermos espermatozóides saudáveis. As pesquisas sugerem que beber moderadamente não provoca efeitos nocivos sobre a quantidade ou a qualidade dos espermatozóides. “No entanto, muitos estudos comprovam que o consumo excessivo de álcool reduz a contagem de espermatozóides. Em relação às bebidas alcoólicas, moderação é a palavra chave”, aconselha o urologista.
·       ANTIOXIDANTES
Os problemas de fertilidade, em alguns homens, podem estar associados ao estresse oxidativo, desequilíbrio entre a formação e a remoção de agentes oxidantes do organismo, decorrente da geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs) e/ou diminuição de antioxidantes endógenos. “O estresse oxidativo está ligado ao estilo de vida de cada um. Assim, o excesso de peso, o álcool, a dieta, a poluição e o tabagismo podem contribuir para uma deterioração celular mais rápida. Alguns estudos têm demonstrado que homens com problemas de fertilidade que tomam suplementos antioxidantes (vitamina E, vitamina C, ácido fólico), bem como óleos de zinco e de peixe, aumentam suas possibilidades de conceber, mas isto não está completamente comprovado. De qualquer forma, é importante dizer que estes suplementos dietéticos também precisam de supervisão médica para serem ingeridos com segurança”, observa o diretor do Projeto ALFA.
·       PÍLULA ANTICONCEPCIONAL
Em 2009, o Vaticano publicou um relatório afirmando que a infertilidade masculina tinha aumentado por causa dos hormônios femininos sintéticos da pílula.  O documento alegava que os hormônios femininos liberados nos sistemas de esgoto encontravam seu caminho para o fornecimento de água e prejudicavam vários homens. “O relatório do Vaticano é visto com ceticismo por muitos cientistas, que defendem que o sistema digestivo do corpo absorve o estrógeno, por isso, é pouco provável que o hormônio da pílula seja liberado no meio ambiente, prejudicando a fertilidade masculina”, explica Sidney Glina.
·       DIETA
Uma dieta saudável “ajuda a manter” os espermatozóides saudáveis. Mas há poucas evidências de que dietas vegetarianas ou dietas ricas em proteínas tenham qualquer efeito sobre a capacidade de concepção. “Não há verdade na alegação de que os consumidores de carne são mais viris. Substâncias químicas chamadas fitoestrogênios, que são encontradas em alimentos como café, soja e cerveja, têm sido associadas à uma baixa contagem de espermatozóides, mas o link não está estabelecido”, diz o urologista.
·       EXERCÍCIOS FÍSICOS
Homens que se exercitam tendem a ser mais saudáveis,  o que se reflete na qualidade do esperma. “Mas a prática esportiva excessiva, especialmente em combinação com o uso de esteróides, anabolizantes e outras drogas ilícitas, pode diminuir a produção de testosterona e a contagem de espermatozoides”, afirma o médico.
·       CALOR
Há evidências de que manter os testículos aquecidos reduz a contagem de espermatozóides. “Alguns autores acreditam que o uso do laptop no colo poderia prejudicar a capacidade de conceber, não devido à transmissão de sinais Wi-Fi, mas por causa do calor gerado pelos computadores portáteis. Esta informação ainda precisa ser comprovada, pois, no passado, achava-se que cuecas justas e banhos de sauna levavam à infertilidade, fatos que nunca foram comprovados”, comenta o urologista.
·       INFECÇÕES
Infecções sexualmente transmissíveis não tratadas podem ser causa de infertilidade masculina.  “A gonorréia pode afetar a fertilidade masculina, pois quando não tratada pode levar ao estreitamento da uretra e dos canais que conduzem os espermatozóides. Infecções virais como a caxumba também podem provocar danos permanentes aos testículos e levar à esterilidade masculina. Portanto, o uso do preservativo é algo altamente recomendável, bem como uma carteira de vacinação em dia, para proteger-se contra a caxumba”, aconselha o médico.
·       DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS
Inúmeros dispositivos eletrônicos, incluindo televisores, máquinas de lavar e dispositivos Wi-Fi emitem ondas de baixa energia, a radiação não ionizante. “São muitos os estudos que investigam as possíveis ligações entre a radiação não ionizante e os problemas de fertilidade masculinos. Até agora, as evidências não conseguiram relacionar efeito e causa. Os telefones celulares também têm sido associados à uma  baixa contagem de espermatozóides em alguns estudos, mas muitos cientistas permanecem céticos a este respeito”, informa o urologista.
·       PESTICIDAS E POLUENTES
Uma série de produtos químicos – solventes e pesticidas – tem sido associada a problemas de fertilidade masculina, mas as evidências sobre isto são poucas. “Alguns estudos têm demonstrado que a exposição regular a pesticidas pode afetar a qualidade e a quantidade de espermatozóides de trabalhadores agrícolas. Homens que trabalham na construção civil podem duplicar o risco de problemas de fertilidade devido ao contato com um solvente encontrado em tintas, adesivos e revestimentos. Assim, profissionais que trabalham diariamente expostos a produtos químicos precisam estar cientes dos riscos inerentes a esta função e usar vestuário de proteção adequado”, recomenda o médico.
·       RADIAÇÃO
Um baixo nível de radiação ionizante é encontrado no ambiente natural e é inofensivo. Já níveis mais altos de radiação produzidos por materiais como urânio e plutônio, raios cósmicos vindos do espaço, raios X e radioterapia podem danificar o material genético das células, representando um risco para a fertilidade masculina. “Há poucas evidências de que as viagens aéreas freqüentes ou a proximidade a uma estação de energia nuclear possa ter qualquer efeito sobre o esperma. Mas, se o seu trabalho significa que você está em risco de exposição à radiação, proteção adequada deve ser observada”, afirma Sidnei Glina.
·       USO RECRATIVO DE DROGAS
Alguns estudos sugerem que o consumo regular de drogas como maconha e cocaína pode prejudicar a fertilidade masculina. A maconha parece ter um efeito dramático sobre os espermatozóides, dificultando sua locomoção e sua chegada ao óvulo.  “Alguns medicamentos prescritos regularmente também podem afetar negativamente a fertilidade masculina. É importante conversar com seu médico sobre os efeitos da medicação que você toma regularmente”, informa o urologista.
·       TABAGISMO
Homens que fumam – entre um ou dois maços por dia – são mais propensos a apresentar anormalidades no esperma, mas o efeito sobre a fertilidade não é clara. “Os efeitos do tabagismo são controversos, mas há efeitos irrefutáveis do ato de fumar sobre a qualidade do esperma. Há também alguma evidência de que crianças, cujos pais eram fumantes inveterados, possam ser mais suscetíveis à leucemia”, conta o urologista.
·       ESTRESSE
O estresse pode causar alterações hormonais que podem afetar a fertilidade, mas esta relação ainda está longe de ser comprovada. “Não conheço nenhum estudo mostrando que o estresse está diretamente relacionado à produção de espermatozóides. O estresse pode afetar a forma como você se relaciona sexualmente”, informa Sidney Glina.
·       PROBLEMAS DE PESO
O sobrepeso e a obesidade têm sido associados, em alguns estudos, com a baixa qualidade do esperma. “Os cientistas acreditam que isso acontece porque o estrogênio, geralmente presente em níveis baixos nos homens, pode ser liberado a partir de células de gordura, afetando a fertilidade masculina. Homens obesos também apresentam um aumento da temperatura testicular, o que também pode afetar a fertilidade masculina”, diz o urologista.

Fonte:Projeto Alfa

“Dia dos Pais” e infertilidade: uma dor silenciosa

A dor vivenciada pelo homem com dificuldades para ter um filho, é muito pouco falada e até mesmo, pouco reconhecida pela sociedade, já que o foco, na maioria das vezes, fica em torno das mulheres, as quais se permitem maior expressão de seus sentimentos e pensamentos a respeito desse assunto. No entanto, embora os homens pouco falem a respeito do que sentem, isso, não necessariamente, quer dizer que não sintam. Algumas mulheres, inclusive, chegam a se incomodar com tal fato, acreditando que sofrem sozinhas com esse problema, já que seus maridos pouco afeto demonstram neste sentido.   Há anos atendendo casais com infertilidade, percebo que os homens sofrem tanto quanto suas companheiras com esse acontecimento, hora ou outra se pegam fazendo cálculos sobre o dia da ovulação da esposa e, aguardam todo mês, ansiosamente, por um resultado diferente da menstruação no final do ciclo feminino. Além disso, também sonham com seus “bebês imaginários”, coisas que poderiam fazer ou ensinar a ele, caso existisse, entre outras coisas. Porém, tudo isso é vivenciado em meio a um certo silêncio masculino, já que em nossa sociedade “homem não chora” e tampouco pode demonstrar fragilidade, uma vez que essa última pode ser sinônimo de fraqueza. O fato das mulheres demonstrarem seus sentimentos e passarem por tratamentos, muitas vezes dolorosos, em busca do filho, faz com que o homem sinta-se ainda mais inibido em dar vazão ao que sente, já que alguém precisa ser forte para não piorar ainda mais toda essa situação. O sentimento de impotência é também bastante comum neste público de homens, pois se sentem impotentes por não conseguirem engravidar suas mulheres e também por não conseguirem controlar esse acontecimento, já que a gravidez e tudo que a envolve não ocorre no seu corpo. Tendo em vista todos esses aspectos, é de se imaginar o quão difícil acaba sendo para o homem a proximidade do “Dia dos Pais”, já que para o que busca por um filho, essa data passa a ter um significado muito diferente daquele de quando se buscava ser apenas filho. O desejo de paternidade dói enquanto não se vê satisfeito, no entanto, é ele a válvula motriz que impulsiona essa busca, até o dia de sua concretização e da escuta da tão esperada pronúncia “Pai”.

Luciana Leis

Implicações emocionais envolvidas na adoção de sêmen

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente frustrante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser homem” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade. Em casos onde a qualidade do sêmen, avaliada através do espermograma, é muito baixa, percebemos que o nível de angústia masculina é ainda mais intenso, principalmente, quando a adoção de sêmen de outro homem é indicada pelo médico como a opção mais viável (ou até mesmo única) para a realização do sonho pelo filho. É fato que a maioria dos casais que buscam por tratamentos de reprodução assistida espera sair desse processo com um filho geneticamente relacionado a eles. No entanto, em alguns casos isso não é possível, sendo necessária a desconstrução de um sonho idealizado para a de um sonho possível. Nota-se que o luto pela perda do filho biológico e sentimentos de dor e frustração advindos desse processo podem ser experimentados para, aos poucos, cederem lugar à novas possibilidades de paternidade, com suas perda e ganhos. Muitas fantasias podem surgir em meio ao casal que vivencia esse tipo de técnica, principalmente, pelo fato do sêmen, na maioria das vezes, ser associado a um caráter mais sexualizado. Deste modo, sentimentos de ciúmes do doador (que é desconhecido) podem surgir por parte do homem, que sente-se abalado em sua autoestima e confiança em si mesmo. Alguns chegam a referir que é como se sua mulher estivesse se relacionando sexualmente com outra pessoa. Além disso, nota-se que o caráter sexual atribuído ao sêmen não acontece somente por parte do homem, já que certas mulheres dizem que não conseguem nem imaginar o sêmen de outro homem, que não o de seu marido, dentro de seu corpo. Algumas preocupações podem surgir em meio ao casal que vivencia esse processo, como por exemplo, o medo por parte da mulher de que o marido não assuma a criança numa eventual separação, ou então, o temor por parte do homem de que a esposa venha lhe “jogar na cara” numa briga futura de que o filho não é dele. Receios a respeito da possibilidade de doenças genéticas e traços patológicos de caráter podem surgir em meio à esse processo, sendo necessário o esclarecimento de que algumas doenças, predisposições temperamentais e traços físicos podem ser herdados, no entanto, valores, crenças, formas de pensar e agir são adquiridos e aprendidos na convivência familiar. Desta forma, nota-se que em meio a tantas questões importantes, é imprescindível a presença de um psicólogo junto ao processo de adoção de sêmen, trabalhando aspectos emocionais não somente junto ao homem, como também em meio ao casal que pode se fragilizar bastante em meio a esse tipo de procedimento.

Luciana Leis

Nova regra reduz número de embriões usados em fertilização artificial

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou nesta quarta-feira novas regras para a reprodução artificial no Brasil. Uma das principais mudanças é a diminuição do número de embriões que podem ser utilizados em cada fertilização. Até agora, as clínicas podiam implantar até quatro embriões no útero de uma mesma paciente. Com a nova determinação, esse limite cai para dois, no caso das mulheres com até 35 anos de idade, e três, para aquelas que têm entre 36 e 39 anos. Mulheres com mais de 40 anos mantêm o direito de receber quatro óvulos. “Hoje, é possível obter sucesso com um número menor de embriões. O Conselho sentiu a necessidade de se adaptar à evolução tecnológica”, diz José Hiran Gallo, conselheiro do CFM e relator da medida. Confira as principais mudanças. A regra, que entra em vigor a partir de seu anúncio, substitui a resolução de 1992, a primeira a regular a reprodução assistida no Brasil. O texto é o único a normatizar os procedimentos no país, já que o setor atua num vácuo legal: “Não há lei sobre reprodução assistida. Mas a Justiça segue a nossa resolução”, afirma Gallo. Outro item da nova diretriz estabelece que as cerca de 180 clínicas de reprodução artificial em funcionamento no Brasil sejam responsáveis pelo descarte do material biológico envolvido no processo. Os embriões não aproveitados, contudo, devem ser congelados, o que cria novo problema. O destino desse material é tema de um intenso debate entre autoridades da medicina, e deve ser assunto de uma próxima resolução do CFM. O texto traz ainda outras mudanças. Fica autorizado, por exemplo, o uso de material genético deixado por uma pessoa que já morreu, desde que em vida ela tenha manifestado esse desejo por escrito. “Muitas vezes, a viúva recorria ao banco de sêmen para fazer a inseminação, mas a família não permitia. Por isso resolvemos criar essa resolução”, diz Gallo.

Homossexuais

O texto do Conselho Federal de Medicina permite que casais homossexuais também se beneficiem da reprodução assistida. Assim como os casais convencionais, eles podem recorrer a um banco de sêmen – ou de óvulos – e utilizar o útero de uma terceira pessoa. Roberto d’Avila, presidente do CFM, diz que a nova redação deliberadamente não traça distinção entre casais hetero e homossexuais: “A resolução permite que a técnica seja desenvolvida em todas as pessoas, independentemente de estado civil ou orientação sexual. É uma demanda da sociedade moderna.” O texto antigo, segundo ele, deixava subentendido que só casais heterossexuais poderiam se beneficiar do procedimento. A “barriga de alguel” segue proibida. A doação temporária do útero só pode ocorrer entre parentes de até segundo grau de um dos integrantes do casal – e não é preciso ter qualquer comprovação de união estável. Outra prática que continua proibida é a seleção de características físicas do bebê. A chamada “redução embrionária”, quando o médico retira embriões saudáveis que já se alojaram no útero, também é passível de punição. Os médicos e as clínicas que descumprirem a determinação do CFM podem sofrer desde uma advertência até a cassação do registro. Daqui a seis meses, o CFM deve voltar a se reunir para analisar novamente as regras da reprodução assistida.  A resolução é resultado de um debate de seis meses, que envolveu clínicas e especialistas da área. A necessidade de atualização da resolução anterior já havia sido constatada há pelo menos 14 anos, mas a elaboração do documento só foi acelerada depois da descoberta de irregularidades na clínica do médico Roger Abdelmassih, em São Paulo. Acusado de ter estuprado dezenas de suas pacientes, o especialista em reprodução eliminava embriões inadequadamente e trocava óvulos entre as pacientes para aumentar o índice de sucesso dos casais atendidos – boa parte deles, da alta sociedade paulistana. O especialista, apelidado de “médico das estrelas”, oferecia uma taxa de sucesso próxima dos 100% nos procedimentos. “Se alguém alardeia que o grau de sucesso é de 90%, está fazendo propaganda enganosa”, diz d’Avila. Em média, entre 40% e 50% dos embriões implantados geram uma gravidez completa.

FONTE: REVISTA VEJA