III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida

Esse post é destinado aos colegas psicólogos(as) e da área da saúde. Estou organizando a III Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida pelo Projeto Alfa e Sociedade Paulista de Medicina Reprodutiva. Será dia 03/12/2016, sábado, das 8:30 às 13:30, na R Cincinato Braga, 37 (em frente ao Shopping Patio Paulista). Espero vcs!

Programação:

Desejo de filho: O que está por trás disso?

-Suporte Psicológico ao casal infértil: possíveis formas de atuação
-Desejo de filho o que está por trás disso?
-Dr. Google e as pacientes inférteis
-Apresentação e discussão de casos clínicos em infertilidade
-Reprodução assistida e as novas formas de conjugalidade e parentalidade
-Adoção como via de realização de desejo por um filho
-Avaliação psicológica de casais em fila de adoção
-Recepção de gametas de terceiros – revelar ou não a criança?

Informações e inscrição: eventos2@rgcomunic.com.br | (11) 3253-3713

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Entrevista sobre desejo de ser mãe Programa Vida Plena- LBV

Olá, queridos seguidores

Na semana do “Dia das Mães” concedi uma entrevista sobre “Fatores emocionais da infertilidade” ao programa Vida Plena da Legião da Boa Vontade- TV, a entrevista está disponível abaixo.Compartilho com vcs!

Espero que gostem!

Luciana Leis

X Jornada de Psicologia Humana Assistida e III Encontro de Psicologia em Reprodução Assistida

Queridos

Aproveito o espaço para convidar os profissionais que tenham interesse no campo de psicologia/ infertilidade/ reprodução assistida a irem ao evento no qual estarei dando uma palestra! Espero vcs!

jornada

Desejo de ser mãe “em tempos de zika”

Oi, Pessoal!zika

Com tanta repercussão que o zika vírus tem tido nos últimos tempos, vou aproveitar esse espaço para colocar o que tenho percebido e o que penso em relação a esse assunto.

É fato que grande parte das mulheres que estavam planejando ou já tentando engravidar ficou bastante apreensiva com a possível associação do zika vírus com os casos de microcefalia. Muitas resolveram adiar o plano do bebê, voltando a utilizar meios contraceptivos ou abandonaram seus tratamentos para a infertilidade. Lógico que essa escolha é compreensível neste momento, porém, há as mulheres que, mesmo com todo o alarme a respeito do zika, decidiram ir em frente no seu desejo e não deixar o sonho para depois.

Essas mulheres, muitas vezes criticadas pelos que estão a sua volta, “Você é louca! Agora não é momento para engravidar!”; “Quer ter um filho com problema?”, também se preocupam em contrair a doença, no entanto, o desejo pelo filho é maior que o medo e essa escolha deve ser respeitada.

Ninguém, além da mulher que é dona de seu próprio corpo, saberá qual o melhor momento para se ter um filho em sua vida. Critica-la por sua escolha em nada ajuda. Afinal, não há nada de errado em querer ter um filho e há maneiras de buscar  se proteger através de roupas, repelentes, evitando zonas endêmicas etc.

Arrisco até dizer que alguns dos que criticam gostariam também de ter a coragem dessas mulheres em não adiar os seus desejos. No entanto, ninguém é igual a ninguém, acredito que cada pessoa precisa avaliar seus medos e como essa notícia do zika vírus repercute dentro de si para, assim, tomar a melhor escolha quanto a adiar ou ir em busca de uma gravidez neste momento. Para as mulheres que estão muito apreensivas com o zika vírus e, que pelo fator idade, não têm mais tempo a perder, a opção pelo congelamento de óvulos ou embriões pode ser uma boa alternativa.

Ainda há poucas certezas a respeito desse assunto e a cada momento surge uma nova notícia, desta maneira, cada mulher deve seguir o que sente para tomar sua decisão, sem tentar influenciar as demais, afinal, ter ou não um filho, independente do contexto, pertence à intimidade de cada casal.

Luciana Leis

 

A difícil aceitação dos tratamentos para infertilidade

casalOlá, seguidores!!!

Primeiramente, desejo um lindo 2016 para todos vcs, com muitas realizações, principalmente, do desejo de ser mãe para as tentantes.

Hoje quero tratar de um assunto que pouco se fala e muitas vezes é negado por boa parte das tentantes: A difícil aceitação dos tratamentos para infertilidade.

Vocês podem pensar: “Como assim difícil? Se existe problema para engravidar é preciso tratá-lo e ainda bem que existe tratamento!”. Porém, não é bem deste modo que as coisas acontecem internamente. Objetivamente, claro que parece ótima a possibilidade de resolver essa dificuldade com a ajuda da medicina, no entanto, emocionalmente a aceitação de que será necessária a utilização de uma técnica de reprodução assistida para conquistar a gravidez não costuma ser fácil.

Acontece que a infertilidade, na maioria das vezes, costuma ser uma ferida narcísica. Em geral, as pessoas desejam engravidar através de relação sexual, com prazer e sem gastar dinheiro. Aceitar que existe um problema e que, talvez, a forma do bebê chegar será diferente dos demais, nem sempre se dá de forma tranquila.

Há um tempo para aceitação e elaboração do luto pela perda da fertilidade. Percebo que muitos casais demoram para irem atrás de um diagnóstico mais preciso ou tratamento, na esperança de que o bebê virá de forma natural. Em alguns casos, são anos até o casal decidir buscar um médico especialista em reprodução humana para compreender o que está acontecendo.

Além disso, na prática clínica, também percebo que algumas pessoas sentem até certa culpa por estarem indo atrás de tratamento para engravidar. Acreditam que fazer tratamento é “brincar de ser Deus”, “forçar a natureza”. Temem, inclusive, ter um filho com problema por estarem indo contra ao que estava determinado para elas.

O fato é que tratar a infertilidade não é diferente do que tratar qualquer outro problema físico, ou seja, tenta-se corrigir o que não está funcionando direito. Se, por exemplo, uma pessoa tem um câncer, ela pode se lamentar e não se tratar ” porque isso foi determinado para ela”. Por outro lado, ela pode buscar  ajuda da medicina, se tratar e se curar, afinal, pode existir a nossa parte para mudar os acontecimentos desfavoráveis que nos acontecem.

Sem contar que em reprodução assistida não há como ter controle sobre a gravidez, já que com o tratamento pode-se engravidar ou não, caso contrário, todo casal que busca por tratamento sairia grávido- fato que não é realidade. Daí ser impossível “forçar a natureza”!

De qualquer forma, é importante que o casal respeite seu próprio tempo para aceitar o diagnóstico de infertilidade, pois, somente diante desta aceitação é que os tratamentos de infertilidade serão possíveis para os que os buscam.

Vale destacar que, nem sempre, estar em tratamento para engravidar significa o ter aceitado. Assim, penso ser fundamental analisarmos se essa aceitação genuína está acontecendo, pois ela é muito importante para que o tratamento possa se dar de forma mais tranquila e efetiva, afinal, não existe um único caminho para a realização do desejo.

Luciana Leis

II Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida- Dia 12/12/15

O post de hj é para meus colegas psicólogos (as). Estou organizando a II Jornada Paulista de Psicologia em Reprodução Assistida. Será sábado pela manhã, no dia 12/12/15, na cidade de São Paulo. A Jornada contará com a presença de diversas psicólogas com vasta experiência no campo da infertilidade e seus tratamentos. Inscrições com desconto devem ser feitas pelo telefone: 3253-3713. O valor com desconto é R$90,00. Façam suas inscrições, pois as vagas são limitadas e programação está super interessante. Confiram:

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Tratamentos para infertilidade: Qual o momento de parar?

pareOlá, Pessoal! Esses últimos meses foram bem corridos para mim e acabou não sobrando tempo para escrever algo novo… Espero não ficar mais tanto tempo sem postar…

Mas vamos ao que interessa, o post de hoje é sobre um assunto que penso que boa parte das pessoas que está passando por tratamentos para infertilidade já pensou: “Até quando insistir nos tratamentos? Qual o momento de parar?”.

Esse é um tema bastante delicado, afinal, não é fácil abrir mão do que desejamos, mesmo que seja uma escolha amplamente pensada anteriormente.

Entendo que os tratamentos de reprodução assistida não costumam ser nada fáceis de serem vivenciados, administrar expectativas, gastos financeiros e frustrações é complicado e exige esforço para manter o equilíbrio emocional.

Nos casos onde o bebê demora a vir, mesmo depois de diversas tentativas de tratamento, o questionamento sobre até quando insistir é inevitável. Percebo que algumas pessoas,com receio de que o bebê vire uma obsessão, já vão logo dizendo no início do tratamento: “Vou tentar desta vez e, no máximo, mais uma ou duas vezes! Não quero ser como certos casais que ficam tentando diversas vezes e a vida só gira em torno disso!”.

Costumo dizer que “esses casais” também não gostariam de estar vivendo o processo de diversas tentativas, mas, o vivem porque ainda acreditam que, em algum momento, o sonho do bebê em casa acontecerá.

Acredito ser complicado entrar no tratamento de infertilidade já traçando de antemão o número de tentativas a serem realizadas. Compreendo o receio das pessoas que agem assim, porém, penso que o caminho pode ser feito ao longo da caminhada. É preciso se perceber em meio a cada tentativa e não ignorar desejos e sentimentos advindos desse processo.

Atendi pacientes que com uma única tentativa acreditaram que o melhor era parar, pois foi muito difícil administrar hormônios, emoções, expectativas, casamento e frustrações. Por outro lado, há pacientes que passam por diversas tentativas frustradas e, ainda assim, não desistem e buscam forças para ir em frente.

Não existe certo ou errado na escolha entre parar ou ir em frente, desde que estas estejam sendo tomadas respeitando os limites individuais, baseadas no que cada pessoa acredita ser o melhor para si naquele momento.

Noto que alguns pacientes buscam que o médico coloque esse limite, dizendo até quando devem investir no sonho. O fato é que, para a medicina, na maioria das vezes haverá uma possibilidade, quer através dos tratamentos de reprodução assistida convencionais ou através do uso de material de terceiros. Assim, o ideal é que cada pessoa busque considerar seu limite particular.

A escolha por parar, ao contrário do que se pensa, não é nada fácil. As pessoas que optam por essa decisão , geralmente, a fazem por não suportarem mais lidar com tanta dor e decepção, com toda a falta de controle envolvida nos tratamentos. Desta maneira, decidem por abrir mão do desejo de filho para irem atrás de novos sonhos e projetos onde possam ter recompensas e alegrias mais previsíveis e que dependam mais de si próprios.

Lidar com o luto desse projeto de vida não é tarefa fácil, principalmente, aceitar que todas as tentativas envolvidas neste processo não tiveram o resultado esperado, Por outro lado, parar é uma escolha possível  e deve ser considerada quando não existem mais forças para insistir.

Luciana Leis