Jornada de Psicologia em Reprodução Assistida

Olá, pessoal!

Hoje o post é para colegas “psis” e de áreas relacionadas à reprodução assistida. Teremos 2 importantes eventos na área (um em São Paulo e outro em Goiânia), dos quais também terei participação.

Sintam-se mais que convidados!

Luciana Leis

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O homem diante do diagnóstico de azoospermia

homemHoje gostaria de falar com vocês sobre os homens (muitas vezes tão esquecidos) em meio à infertilidade e seus tratamentos. É bem verdade que a notícia da infertilidade não costuma ser bem recebida nem por homens, nem por mulheres. Mas o sexo masculino parece ter mais dificuldades em aceitar esse diagnóstico.

A vivência emocional da infertilidade por um homem é extremamente angustiante, uma vez que ainda vivemos em uma cultura machista, onde sinal de “ser macho” é ser um “bom reprodutor”. Assim, a incapacidade de engravidar uma mulher pode vir associada mentalmente à falta de masculinidade ou virilidade.

A grande resistência de muitos homens em realizar o exame do espermograma, geralmente, está relacionada à preocupação do resultado identificar alguma anormalidade e eles terem de lidar com o fato de não conseguirem engravidar suas esposas, temendo, ainda, serem vistos como impotentes e pouco másculos pelos outros.

Deste modo, ter o sêmen avaliado, quantificado e qualificado pode significar o mesmo que avaliar o seu desempenho sexual e atribuir-lhe uma nota. Embora fertilidade e virilidade sejam conceitos distintos, comumente são confundidos.

Considerando esses aspectos, o diagnóstico de azoospermia para o homem é devastador, um golpe para sua autoestima e masculinidade, sendo necessário certo tempo para que essa notícia possa ser assimilada e integrada ao eu do indivíduo.

Além disso, a incerteza quanto à possibilidade de ter um filho biológico gera muitos medos e inseguranças, não só relacionados à paternidade como também à vida conjugal e afetiva, que pode ser abalada diante deste diagnóstico.

Em casos onde há a confirmação da ausência de espermatozoides através da biópsia, percebemos que sentimentos de incapacidade tomam conta deste homem, fazendo, muitas vezes, com que se esqueça de toda sua história de conquistas ao longo de sua vida e se reduza ao resultado frustrante do procedimento realizado.

É necessário considerarmos que se trata de um momento de luto, pela perda da fertilidade. Assim, sentimentos de tristeza, raiva e injustiça, são muito comuns, sendo importante que possam ser expressados, demandando, em contrapartida, acolhimento de pessoas próximas (principalmente da esposa) para que, assim, tenham chance de serem amenizados.

A psicoterapia em muito pode ajudar neste processo, uma vez que se abre um espaço para elaboração desse tipo de luto e ampliação do espaço pessoal para além da dificuldade de gravidez, auxiliando, portanto, na retomada do equilíbrio emocional que se encontra abalado nestas situações.

Luciana Leis

Como buscar forças para ir em frente?

lutaOlá, pessoal!

Depois de um loooongo tempo sem escrever no blog, finalmente, consegui um tempinho para postar sobre uma questão que considero ser de extrema importância: como conseguir buscar forças para ir em frente depois de tantas frustrações na busca pela gravidez?

Todos sabemos que não é nada fácil lidar com as diversas decepções envolvidas no processo de busca pelo filho. Digo diversas, pois sei que a chegada da menstruação ou o exame de beta negativo podem ser apenas algumas delas, uma vez que muitas outras podem estar embutidas neste meio, intensificando ainda mais essa dor, por exemplo: falta de resposta ao estímulo da ovulação, ausência de óvulos na punção, ausência de embriões a serem transferidos, abortos, adiamento do tratamento devido à necessidade de cirurgia ou exame complementar e muitos outros imprevistos que deixam essa caminhada ainda mais difícil.

Percebo que muitos casais chegam a apresentar um esgotamento físico e emocional, devido aos desgastes provocados pela busca de gravidez, quer seja através dos tratamentos ou não.

Porém, infelizmente, ainda não existe um botãozinho onde se “liga” ou “desliga” o desejo de filhos. Embora eu note que, em certos momentos, a vontade de muitos casais é de desistir e deixar essa história de lado, em contrapartida, a presença do desejo de filhos faz renovar a esperança e os mantém tentando um resultado diferente do negativo.

Mas, para tentar é necessário energia, força, e essa não brota simplesmente do nada para investirmos nos nossos sonhos. Primeiramente, precisamos estar, minimamente bem, para conseguirmos resgatar essa energia a nosso favor.

E para estar “minimamente bem” é necessário cuidar de si. Cuidar sim do desejo de filho que ainda não foi realizado, mas, também poder cuidar dos outros desejos que existem dentro de você e que são mais possíveis de se ter acesso imediato, pois pode-se exercer um certo “controle” para sua realização.

Assim, vale a pena pensar em fazer aquele curso que há tempos você gostaria de se matricular, aquele esporte que você deixou de cogitar para si ou aquela viagem que você e seu marido planejavam realizar. Todos esses planos adiados pois “vai que você engravida!”.

Não é raro se ter a sensação de que a vida fica parada em função da busca pelo filho, e isso acontece, justamente, pela dificuldade que temos de investir em outros projetos de forma concomitante. Muitas pessoas acreditam que precisam priorizar o tratamento e essa busca para que o bebê possa chegar, como se o filho fosse vir como merecimento à toda essa dedicação, sendo que isso, na verdade, não é garantia de resultado algum.

Reflita que justamente na realização desses projetos paralelos que se pode ter mais alegria, melhor autoestima e determinação. Tudo isso colabora para nos deixar mais fortes e com mais energia para lutar e não desistirmos do sonho de  ter o filho nos braços.

Luciana Leis

Livro ajuda casais que fizeram recepção de óvulos a contar sobre esse procedimento ao(s) filho(s)

claraOlá, pessoal!

No atendimento à casais que enfrentam dificuldades para engravidar, cada vez mais, atendo mulheres que precisam recorrer à recepção de óvulos para realizarem o sonho de terem um filho.

Em geral, o processo de aceitação de óvulos não costuma ser nada fácil, afinal, faz parte do desejo de ter um filho também ver aspectos físicos seus estampados na criança. Embora isso, não tenha a ver diretamente com a maternidade, se relaciona à construção desse filho do imaginário da mulher, com aspectos mais narcísicos do seu eu.

Quando, por alguma razão, esse filho deixa de ser possível biologicamente, a medicina reprodutiva tem como alternativa a recepção de óvulos para as mulheres que conseguem se abrir emocionalmente à essa nova possibilidade de serem mães. É verdade que o filho não sairá relacionado à elas geneticamente, mas lhes permitirá o exercício da maternidade como é em qualquer outra forma de filiação.

Percebo que, mesmo para as mulheres que aceitam esse procedimento e estão felizes com seus filhos nos braços, falar sobre a forma como foram concebidos ainda é um tabu, um assunto muito delicado e que, a maioria, prefere ignorar e deixar de lado. Falar com a criança sobre esse assunto costuma gerar insegurança, medo de causar algum tipo de dor para esta, de não ser compreendida quanto à esse tipo de escolha do passado, entre outros.

No entanto, poder ter uma relação transparente com os filhos, sem segredos, é muito importante para um relacionamento saudável entre pais e filhos. Mas, para que essa história possa ser revelada, os pais precisam estar seguros quanto à decisão de contar e lidando de forma positiva com toda a história que os permitiu serem pais.

Caso haja inseguranças para revelar à criança, é sempre útil procurar um psicólogo para entender o que está gerando tais sentimentos e buscar, assim,  encontrar a melhor saída.

Foi pensando em ajudar os pais a revelar sobre a recepção de óvulos para seus filhos que a psicóloga Helena Prado escreveu o livro: “Clara, clareando: um segredo de família”. O livro é bem didático, sensível e com ilustrações lindas para agradar todos pais e crianças.

Como o livro é resultado de uma produção independente da escritora, quem tiver interesse em adquirir um exemplar, pode falar diretamente com a Helena no e-mail: helenaprado@globo.com.

Confesso que adorei a estória e recomendo a aquisição a todos pais que tiverem interesse em trabalhar esse assunto com seus pimpolhos.

Luciana Leis

Embriões excedentes: o que representam e qual destino dar a eles?

embrião-congeladoOlá, pessoal!

O post de hoje é sobre um tema que é bastante recorrente nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e que todas as clínicas de reprodução assistida, em um momento ou outro do tratamento, irão abordar com seus pacientes: que destino dar aos embriões excedentes?

Para quem ainda não tem tanta familiaridade com os tratamentos de FIV eu vou explicar, geralmente, neste tipo de tratamento, o médico estimula os ovários da mulher para que haja uma resposta com bastante óvulos, os quais são fertilizados com o sêmen do parceiro para que se tenha uma quantidade razoável de embriões. No entanto, de acordo com a resolução do Conselho Federal de Medicina, deve-se transferir para o útero da mulher um número máximo de embriões de acordo com a idade desta, assim, mulheres com até 35 anos podem transferir até 2 embriões, com idade de 36 a 39 anos até 3 embriões e com idade acima de 40 anos até 4 embriões.

Porém, muitas vezes as mulheres em tratamento conseguem produzir um número de embriões superior ao que pode ser transferido, nestes casos, as clínicas de reprodução humana congelam esses embriões excedentes e pedem ao casal que definam um destino a esses, o qual pode ser: manter congelado o material para uma tentativa futura (caso o tratamento vigente não dê certo ou, mesmo esse sendo bem sucedido, para um novo bebê num momento posterior), outra opção é doar para um casal infértil ou, ainda, manter o material congelado por tempo indeterminado (em casos onde não há mais desejo de realizar tratamento e nem mesmo doar para outra pessoa). No Brasil, descartar embriões é proibido pela nossa legislação atual.

Porém, manter embriões congelados nem sempre é simples, uma vez que para muitas pessoas esses tem representações que vão muito além de “simples embriões”, representam filhos, vida, pessoas etc. Sendo que noto que dentro de cada cultura e religião esses ganham um significado diferente.

Noto que há casais que mesmo com sentimento de “família completa” após tratamento de fertilização in vitro, se sentem culpados por não sentirem desejo de transferir embriões excedentes que foram congelados, como se estivessem deixando “filhos” de lado.

Já atendi mulheres que se sentiam muito angustiadas com o fato de os embriões ficarem congelados, pois diziam que estavam sozinhos, sem ninguém ao seu lado e passando frio. Para muitos o embrião tem sim status de gente e é, inclusive, dotado de alma.

Pensar em doar embriões para outro casal, então, pode ser algo inconcebível, afinal, nestes casos, é quase como se estivesse abandonando um filho de vez, dando-o para outra família que nem se sabe quem é ou como cuidará do bebê.

Há também os casais que percebem o embrião como um amontoado de células, que, sem a transferência destes para o corpo de uma mulher para terem a chance de se tornarem bebês, não representam nada além disso.

São muitas questões subjetivas envolvidas nesta temática, afinal, perguntas sobre: onde começa a vida? O que é filho? Embrião é ou não é uma vida? Entre outros, são todos questionamentos que terão uma resposta muito particular a depender de cada indivíduo e de acordo com suas crenças, cultura e história de vida.

Assim, penso que todo casal que pretende dar início a um tratamento de FIV, deve pensar, anteriormente,  que destino pretende dar a possíveis embriões excedentes. Vale lembrar, que ter embriões excedentes, pode facilitar tratamentos futuros, uma vez que a mulher não terá  que realizar a fase de estimulação ovariana, o que pode significar menor gasto físico e financeiro.

No entanto, se o tema “congelamento de embriões”  mobiliza muita angústia, pois o casal não gostaria de ter embriões congelados de forma alguma, discutir com o médico prós e contras do congelamento em seu caso particular faz-se necessário, sempre buscando considerar seus limites individuais para evitar problemas emocionais futuros.

Luciana Leis

Será mesmo que um dia meu filho irá chegar?

incerteza-1Quem nunca se fez essa pergunta em meio ao contexto de dificuldades para engravidar? Penso que lidar dia a dia com essa incerteza é uma das coisas mais difíceis quando se está buscando ter um filho.

Já ouvi diversas vezes de pacientes: “Como é dura essa espera, se eu ao menos soubesse que em algum momento isso realmente irá acontecer, nem que demorasse, seria tudo bem menos angustiante!”. Entendo que é uma verdade, já que lidar com esse tipo de incerteza, é lidar com a possibilidade de nunca se tornar pai ou mãe.

Noto que, em meio aos tratamentos para engravidar, até mesmo em cada novo ciclo menstrual que se inicia, toda essa incerteza é colocada, de certa forma, de lado e a esperança de que o bebê está por vir alimenta o sonho de que, realmente, ele chegará. No entanto, quando a menstruação ocorre, a decepção e sentimentos de incapacidade costumam dominar, trazendo de volta, e de forma mais forte, a insegurança quanto à realização desse sonho.

Não é nada fácil lidar com essa “gangorra emocional”, onde ora parece que tudo irá dar certo e ora que tudo está perdido. Haja capacidade de resiliência para enfrentar esse processo! Porém, é justamente essa capacidade de enfrentar as adversidades que irá trazer o bebê para dentro de casa, na grande maioria dos casos.

Vontade de desistir de tudo e tirar esse desejo de dentro de si para parar de sofrer é algo bem comum entre as tentantes mais persistentes.  Há até mesmo as que começam a pensar nas vantagens de uma vida sem filhos, no entanto, tudo isso não costuma aplacar o desejo de ter uma criança; e é justamente esse desejo que impulsiona o atravessar de uma das “tempestades” mais difíceis da vida.

Coragem, persistência e certa dose de “negação” dos temores envolvidos em todo esse processo são necessários! Afinal, para se percorrer um caminho é necessário olhar para frente e manter a fé de que ele nos levará ao lugar esperado.

Luciana Leis

Quando o tratamento não dá certo

Olá, seguidores!

desesperançaO tema de hoje é delicado, mas acredito que de grande relevância, afinal, ninguém que se submete à tratamentos de reprodução assistida, quer seja de baixa ou alta complexidade, deseja passar por todo esse processo e não ter o resultado esperado, porém, infelizmente, isso pode acontecer…

Percebo que vários casais, quando iniciam um tratamento, procuram negar a possibilidade do beta negativo, racionalmente sabem que pode não dar certo, mas acreditam- com todas as suas forças- que com eles será diferente e, pensar nessa possibilidade, pode, inclusive, trazer “má sorte” ou atrair “um resultado negativo”.

Acontece que, quando o tratamento não dá certo, o tamanho da queda costuma ser de acordo com o da idealização, ou seja, casais que já estavam contando com o bebê a caminho, caem de um lugar muito alto e se veem em meio a um mar de desilusão. Tudo isso é muito doloroso e pode, inclusive, dificultar que os casais consigam retomar tratamentos futuros na busca de um resultado diferente.

Porém, há também os casos que estão no outro extremo, ou seja, pessoas que já se decepcionaram com tentativas anteriores e retornam aos tratamentos quase que com a convicção de que a tentativa terá novamente um resultado negativo. Nestes casos, o psiquismo dessas pessoas tenta se proteger de um novo sofrimento desinvestindo o que desejam- que o tratamento dê certo- para não se frustrarem novamente.

No entanto, embora pareça ser uma boa estratégia para evitar o sofrimento, também é complicada, pois, é necessária certa energia para investir neste tipo de tratamento, sendo que, o principal motor desse processo, é a esperança de ter o desejo realizado. Além disso, é impossível não sofrer com um beta negativo quando se está tentando ter um filho e essa forma de buscar lidar com os tratamentos, na maioria das vezes, não costuma poupar os casais da frustração, quando o resultado é negativo.

A verdade é que, infelizmente, não existe uma receita da melhor forma de lidar com a frustração desses tipos de tratamento, a dor de um beta negativo só quem vive sabe como é… um vazio imenso, frustração, decepção e sensação de se ter perdido um ente querido.

Em psicologia falamos que é uma vivência de luto, afinal, durante todo o tratamento o filho já existia mesmo antes de existir, cada injeção aplicada, cada ultrassonografia realizada etc, já era para ele, que, com o beta negativo, deixou de existir.

Buscar dosar as expectativas para um próximo tratamento não é nada fácil, mas é importante considerar que o negativo pode fazer parte do processo de busca por um filho. Em hipótese alguma ele quer dizer que o sonho não será possível, mas sim, que será necessária mais força e perseverança até o resultado almejado.

O mundo gira e a vida tem um movimento, portanto, tudo pode mudar, desde que haja busca por mudança. Vamos em frente!!!

Luciana Leis